Discografias Comentadas: It’s A Beautiful Day

It’s a Beautiful Day: David LaFlamme, Pattie Santos, Mitchell Holman, Val Fuentes, Hal Wagenet e Linda LaFlamme (1968) |
Sem David, Patti, Val, Bill e Fred tocaram o barco com Bud Cockrell (baixo) e Greg Bloch (violino). Essa formação gravou o derradeiro álbum do grupo. O som do It’s a Beautiful Day mudou bastante, fugindo totalmente da psicodelia, e criando um espaço mais homogêneo para as vocalizações de Pattie, Bill e Bud, misturando bonitas baladas e canções mais dançantes. “Ain’t That Lovin’ You, Baby” é a canção que abre os trabalhos, com um cadenciado andamento, onde sem dúvida as vocalizações são o maior destaque, assim como o ótimo solo de Bill. “Child” é um triste blues, levado pelo piano e pelas tristes notas da guitarra, onde Pattie mostra todos os seus dotes vocais. “Down on the Bayou” é mais setentista, com um andamento swingado e dançante, tendo um ótimo solo de hammond. “Watching You, Watching Me” é uma canção cuja levada do baixo lembra “Ramble On”, do Led Zeppelin, porém sendo uma canção bem mais leve. O lado A encerra com a linda balada “Mississippi Delta”, levada por piano, violino e uma emotiva interpretação vocal do grupo, com um clima bem sessentista. A agitada “Ridin’ Thumb” destaca os vocais sensuais de Pattie Smith, sobre mais uma levada swingada do grupo, abrindo o lado B com bastante ritmo. O piano de “Mississippi Delta” volta a estar presente em outra linda canção, “Time”, um bluesão sensacional onde Fred mostra seu talento com o piano, enquanto “Lie to Me” retoma o andamento sessentista, com bonitas passagens vocais e também do piano. “Burning Low” é uma agitadíssima canção, onde a levada de baixo e piano, acompanhando as vocalizações de Pattie e Bill, dão um tempero pop ao som de … Today, que encerra-se com “Creator”, uma triste canção soul, que deixa a sensação de que o It’s a Beautiful Day podia entrar no novo mundo da música com bastante vigor, e com potencial para continuar na ativa por muitos anos.
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Foto clássica na capa interna do primeiro álbum do grupo |
Porém, o grupo acabou logo após o lançamento desse álbum. Algumas reuniões ocorreram nas décadas posteriores. Em 1989, Pattie faleceu em um acidente de carro. Fred Webb faleceu no ano seguinte e em 1997, David LaFlamme retornou com o grupo, porém apenas para apresentações, sem gravar nenhum disco de estúdio, mas apresentando aos novos e velhos fãs os clássicos que marcaram a carreira desse grande grupo, que mesmo em seu pequeno período na Terra, teve sua relevância destacada entre muitos nomes do rock, principalmente Ian Gillan, o qual em uma entrevista em 1990, afirmou que o grupo havia sido uma das maiores influências na Mark II do Deep Purple.
Muito legal, Mairon. Eu sou fascinado pela psicodelia americana, país que tem uma Inglaterra em casa estado, com uma produção local (nos anos 60) tão vasta e autosuficiente que muitas pérolas ainda estão para serem descobertas, apesar do resgate da internet. Tenho vontade de escrever sobre bandas psicodélicas americanas aqui na Consultoria, mas vivo em conflito, desmotivado, pois me parece que não há interesse algum por parte dos nossos queridos headbangers. Fico feliz em encontrar esses pontos comuns em você.
Quanto ao It’s a Beautiful Day, uma banda com dois excelentes discos, tenho algumas contribuições a dar: ela teve prestígio e talento suficientes para ser uma das maiores bandas do West Coust Sound, mas caiu nas mãos de um empresário de caráter duvidoso, Matthew Katz, que prendeu a banda em um contrato maluco, praticamente escravista. Katz já havia trabalhado com o Jefferson Airplane e com o Moby Grape, sendo também um dos grandes responsáveis pela carreira errática e acidentada deste último.
A música “Bombay Calling”, aquela chupada pelo Deep Purple, já havia sido gravada pela banda anterior de LaFlamme, a Orkustra, que contava também com Bobby Beausoleil, o guitarrista que compôs na cadeia a trilha sonora do filme (do qual era o artista principal) Lucifer Rising, do satanista Kenneth Anger, trilha que o ocultista Jimmy Page ensebou tanto para concluir que acabou “esconjurado” por Anger. Dá para ouvir a versão da Orkustra no Youtube.
Marco, pode ter certeza que já cativamos bem mais que o público headbanger. Posso não ser um fã da psicodelia norte-americana como sou da britânica, mas isso não quer dizer qua não valorize e respeite grupos como os que o Mairon já abordou aqui além do It's a Beautiful Day, como o Moby Grape.
Grande Gaspa, seus textos são sempre muito bem-vindos, e a expectativa cada semana é que possamos ter o prazer de ler suas histórias.
Sobre o Matthew Katz, bom, ele acabou com a vida do Jerry Miller e principalmente do Bob Mosley. Grace Slick também sofreu com o cara, e o It's a Beautiful Day teve esse nome por que ELE exigiu isso, se não, ia seguir sendo a orkustra. A unica coisa boa q ele fez foi apresentar a deliciosa Pattie Smith ao mundo.
Um pouco da história do It's A Beautiful Day foi contada por mim no meu blog. Caso tenha interesse, de uma olhada por lá
http://baudomairon.blogspot.com/2010/09/its-beautiful-day.html
Abração
Caro Mairon:
fui correndo ler o texto que você escreveu sobre o IaBD, mas percebi logo que já o conhecia, hehe… o Baú do Mairon sempre esteve na lista de preferidos do meu conputador, desde a época em que ficava bizoiando as matérias do Collectors Room sem, no entanto, me atrever a comentá-las.
Sobre os textos que de vez em quando escrevo para a Consultoria, percebo cada vez menos participação (o que não é privilégio apenas dos meus textos). Sei através do Daniel, do Diogo e do Bueno, que o blog aumenta dia a dia o número de leitores, mas ainda estranho o fato de pouca gente se manifestar para eu saber se realmente eles são lidos. Essa carência minha não é fruto de vaidade, mas a gente escreve para ser lido, caso contrário para que tanto esforço. Essa falta de feedback é o que mais me desestimula, a ponto inclusive de deixar de comentar as matérias dos outros colaboradores, que costumo ler todos os dias.
Caro Diogo:
pessoalmente acho a psicodelia americana e a inglesa tão distintas que é possível sim gostar das duas sem conflitos ou comparações. A inglesa desaguou no progressivo (que eu adoro), mas a americana está na base do krautrock (que eu venero). Enquanto os jovens americanos eram mais politizados nos anos 60 (principalmente em função da guerra do Vietnã), os sortudos ingleses viviam sem grandes aspirações ideológicas. Isso se reflete bastante no rock produzido pelos dois países. Os ingleses aprimoraram mais suas habilidades instrumentais, concluíram conservatórios musicais, se inspiraram na literatura e se dedicaram ao art rock. Os americanos não se empolgaram tanto pelo progressivo, preferindo a contundência do hard rock e as sutilezas do fusion. Houve exceções, claro, mas o que conta é a regra.
Marco, sou suspeito pra falar, pois sou muito feliz de contar com tua constante e infalível colaboração aqui no blog, mas definiste muito bem a diferença mais primordial entre a psicodelia norte-americana e a inglesa. Certamente não faria melhor.
E não posso deixar de citar também: grande Mairon salvando o dia!
Nem curto "Child in Time" [FANFARRÃO!!], mas fiquei interessadíssimo na banda – da qual já ouvi falar muito -, pois tô num momento bem psicodelia sessentista/country/southern rock. Parabéns pelo texto, Mairon!
Sabem se o álbum Choice Quality Stuff / Anytime "o disco do camelo" teve alguma influência para a banda de rock progressivo Camel ?
Caro anônimo, realmente é uma dúvida, mas acredito que não, pois o Camel já existia como Camel em 1971. Porém, não sei a época da mudança de nome de The Brew para Camel, e pode ser que isso tenha ocorrido depois do lançamento do Choice Quality Stuff / Anytime. Acompanhe-nos no site consultoriadorock.com
Abraço