Review Exclusivo: Creedence Clearwater Revisited (Porto Alegre, 15 de março de 2012)

Aos poucos, o público foi se soltando e cantando as músicas, incentivados por Tristao e Stu, que fazia às vezes de porta voz oficial do quinteto. Ao meu lado, um grupo de garotas de no máximo dezesseis anos cantava quase todas as canções como se tivessem vivido o grupo em sua fase áurea, mostrando mais uma vez que a boa música realmente não tem idade. Ao vê-las antes do show, pensei comigo “o que essa piazada quer aqui?”, mas, ouvindo-as cantar com toda a força de seus jovens pulmões clássicos como “Who’ll Stop the Rain” ou “Hey Tonight” (anunciada por Stu como “uma música especial para esta noite”), tive de engolir meus pensamentos preconceituosos. Como que para comprovar isto, Doug Clifford, após ser anunciado por Stu (e de dar um grande abraço em seu parceiro musical de tantos anos), veio ao microfone agradecer ao público e disse que “a verdadeira música não fica velha, nem quem a faz”. Ainda disse que a idade está na cabeça das pessoas e que ele, apesar de estar quase com 67 anos, naquele momento se sentia com vinte e poucos, e até o final do show estaria com uns quatorze anos e seria um virgem novamente, arrancando risos da audiência.
Mas não foi o talento individual de um músico que garantiu a qualidade do show, e sim a força da música do grupo. Aquelas maravilhosas canções (a maioria com pouco mais de dois minutos, mostrando que uma música não precisa ser longa para ser genial), como “Green River“, “Lodi“, “Bad Moon Rising”, a baladaça “Long as I Can See the Light” (dedicada por Tristao às garotas presentes), “Proud Mary” ou “Fortunate Son” (que encerrou a primeira parte do espetáculo) encantaram a todos os presentes, e pareceram durar muito mais que os pouco mais de sessenta minutos apresentados até então.
Track List:
2. Green River
3. Lodi
4. Commotion
5. Who’ll Stop the Rain
6. Suzie Q
7. Hey Tonight
8. Long as I Can See the Light
9. Down on the Corner
14. Proud Mary
15. Fortunate Son
Encore 1:
17. Cottonfields
18. Travelin’ Band
20. Up Around the Bend
Bah, esse eu perdi duas vezes, quando eu morava em Porto Alegre e agora. Com todas as excusas, mas eu tenho um preconceito em dizer que alguem consegue tocar como John e Tom Fogerty. Esses eram os cérebros do CCR, principalmente o John (o Tom era uma alma) e por mais talentoso que seja o atual guitarrista, acho difícil ele ter o carisma do John.
Ao vivo a dupla de irmãos mandava muito bem, com longos improvisos e solos arrebatadores, mas poucos reconhecem isso, e taxam as canções do grupo com osimples (que até são, mas com uma dose de feeling difícil de ser alcançada)
Enfim, a ponta da inveja existe em meu comentário, mas de qualquer forma, é sempre bom ver velhos ídolos (mesmo sendo ídolos menores dentro de uma constelação de estrelas) fazendo os velhos bons sons que permanece =m vivos até hoje.
Quero ver até quando ira durar coisas como Adele, Sandália de Prata, Samba Pesado, entre outros que alguns pseudo-críticos musicais dizem ser novos bons sons …. Enquanto isso, sigo ouvindo com satisfação o belíssimo Green River
Assisti o CCRevisited no ano passado aqui em Florianópolis, com o ex-guitarrista do The Cars Elliott Easton na guitarra solo, e ele mandou muito bem! Bom saber que eles encontraram um substituto à altura.
Não tocaram Cotton Fields.
A penúltima música foi “Ninety-Nine And a Half”, do primeiro cd deles.
Excelente show.