Shows inesquecíveis: Iron Maiden (Porto Alegre, 05/03/2008)

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O palco da Somewhere Back in Time Tour … |
Os problemas começaram já na venda de ingressos. Centenas de pessoas passaram a madrugada para garantir seu lugar dentro do Ginásio Gigantinho, que em unanimidade, era dito por ser um erro na escolha, e sim um estádio como o Gigante da Beira-Rio, Passo d’Areia ou outro qualquer da capital gaúcha. A venda de ingressos, programada para as 8 horas da manhã, começou somente as 10 horas, mas pelo menos, garanti o mesmo.
Uma semana antes do show, no dia 29 de fevereiro, começaram os acampamentos de barracas em torno do Gigantinho. Pouco há pouco, centenas de fãs passaram a fazer parte do Maiden Camp, desfrutando dos lanches e do banheiro de uma lancheria próxima e só, o resto era cantar músicas do Iron dia e noite. Eu era um dos acampados, e trocava o meu horário do sono para garantir o meu lugar e de mais alguns amigos, que cuidavam da barraca enquanto eu trabalhava. Eu e meus amigos éramos os sextos na fila de entrada.
Faltando três dias para show, resolvemos organizar uma fila para os fãs poderem entrar no Ginásio. Parece estranho, mas existia uma fila, com ordem de chamada e tudo, para não haver furos na hora de entrar na fila de entrada do show, e isso evitaria qualquer confusão e injustiça com pessoas que, como nós, estavam ali há algum tempo (sendo que 30 fãs foram sorteados para auxiliar na montagem do palco). Essa fila chegou a 2000 fiéis fãs do Iron, que estavam dispostos a tudo para assistir ao show, sendo muitos deles (mais de 800) que chegaram após a Walk Iron, uma caminhada que atravessou Porto Alegre homenageando a Donzela.
No acampamento, passamos a noite conversando, ouvindo todos os álbuns e contando histórias de shows que fomos, como conhecemos tal música, além de revezar um violão com várias canções da atual turnê. Um dia antes do show, a ideia de organizar 3400 pessoas em uma fila parecia uma utopia. Nessas alturas, os seguranças do local já conheciam o pessoal da frente (eu entre eles), e o respeito entre os fãs que antes era pacífico, agora começava a se tornar uma briga forte com a chegada de fãs de Santa Catarina, São Paulo e Paraná.
Às 5:30 da manhã, os seguranças do Sport Club Internacional (responsáveis pelo Gigantinho) deram o toque de levantar as barracas. Por volta de 6:15, os portões do Parque Gigante foram abertos e, por incrível que pareça, a lista de chamada funcionou. Incrível! As pessoas respeitaram seu nome, sua ordem de chegada, em uma colaboração jamais vista (segundo a própria Polícia Militar) em um evento. Cerca de 4000 pessoas estavam esperando a entrada, e cada uma entrou na sua devida hora com toda calma e tranquilidade.
Ao chegarmos no Portão 3 do Ginásio Gigantinho construimos uma nova fila. Agora com as pessoas que haviam chegado nessa fila. Isso ajudaria o pessoal a ir em casa largar a barraca e dar uma descansada. 103 pessoas estavam nessa primeira lista e, a partir dai, outra lista foi criada. Não sei o número de pessoas que estavam nela, mas o certo é que tudo correu muito bem do lado externo. A organização foi elogiada por todos e, apesar de alguns furões terem se infiltrado depois dos 104 primeiros, nada de grave aconteceu, graças também a segurança do Sport Club Internacional que nos auxiliou com a presença de seguranças do clube, e a brigada militar, que ajudou a controlar os furos.
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Uma das várias filas para entrar no Gigantinho |
Mas, bastou a movimentação interna ao ginásio para abrir os portões, toda a organização foi pro espaço. Jamais vi tamanha obsessão e falta de bom senso quanto dos desesperados fãs de Iron Maiden, que além de invadirem os espaços antes estabelecidos e respeitados por todos, ainda xingavam, jogavam coisas em nós e ainda desprezavam o povo local, chamando os gaúchos de várias coisas impublicáveis. Lembro que fui agredido por um incontrolável fã quando disse que preferia o Killers ao Piece of Mind. O cara me empurrou e partiu para cima de mim, sendo contido pelo pessoal que estava na volta, mas mesmo assim, tive que ouvir frases como “Filho da put@! Gaúcho viado!” e outras ofensas mais.
Quando abriram os portões, a organização da Opinião Produtora começou a dar as caras. Muitas pessoas (inclusive eu) foram barradas por ter ingresso falso, sendo que eu tinha comprado o ingresso da própria Opinião (ou seja, o oficial). Após muita reclamação, consegui entrar e garantir um lugar próximo a grade. Tinha passado seis noites na fila para ficar na grade, para ver o show sem nenhum problema, mas agora já não dava mais. Era o começo da desilusão.
Tentando sair da grade, era empurrado para a frente, para os lados, mas não para um local que eu pudesse respirar, até que cheguei no fundo do Ginásio, cambaleando. Quando consegui respirar e colocar minha cabeça no lugar, percebi que as minhas noites dormindo mal tinham ido por terra, suor e imbecilidade de fãs fanáticos, que brigavam entre si só para estar mais perto de Bruce Dickinson, um Deus soberano para muitos que estavam ali.
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Palco e a superlotação do Gigantinho |
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… e a minha visão do palco. |
Diante da aglomeração de pessoas, da enorme confusão que era o mar de gente indo e vindo em direção ao palco, Bruce parou o show e falou: “Estamos muito felizes de estar aqui em Porto alegre, depois de dezesseis anos, mas espero que dá próxima vez não aconteça o que estou vendo daqui de cima. Quem sabe a gente toca ano que vem em um estádio? Tem um aqui do lado!”. Pra que. Os imbecis não entenderam que Bruce estava falando em tocar em um local maior, e tão pouco se referiu ao Estádio Beira-Rio por ser o estádio do time dele, e sim por que era o estádio que ele conhecia naquele momento.
Gremistas imbecis meteram uma vaia maior do que o Gigantinho em Bruce, enquanto gritavam “Grêmio! Grêmio!”, e os colorados, tentando não deixar por menos, passaram a gritar “Inter! Inter!”, em uma ridícula demonstração de amor pelo seu time que não cabia naquele momento. Puto, e muito puto, Bruce passou o xixi em todos, e falou: “Não estou falando em jogar futebol em um estádio, estou falando em tocar em um estádio, vão se foder“.
Indignado, apresentou “Iron Maiden”, e nessas alturas, começou a briga pelas palhets, baquetas e outras recordações que os músicos jogavam aos fãs. “Moonchild“, a maior surpresa da noite, veio após uma brincadeira entre Murray e Dickinson, seguida de “Clarvoyant”, duas que mais da metade do Ginásio parecia desconhecer. Só “Hallowed Be Thy Name” levanou a plateia novamente, e o show se encerrou com mais palhetas, baquetas, peles de baterias e outras recordações sendo jogadas a plateia, e mais empurrões, esmagamento de gente na grade, brigas e discussões entre os fãs por causa das mesmas.
Pouco a pouco, o Gigantinho foi esvaziando-se, enquanto o chão do local mostrava celulares quebrados, carteiras de identidade amassadas, roupas rasgadas e incontáveis pessoas atiradas. Já quem viu das cadeiras e arquibancada, saiu com a sensação de um bom show, e nada mais, e apavorados com as cenas bizarras que aconteciam nos empurra-empurras da pista.
Set list
1. Aces High
2. Two Minutes to Midnight
3. Revelations
4. The Trooper
5. Wasted Years
6. The Number of the Beast
7. Can I Play With Madness
8. The Rime of the Ancient Mariner
9. Powerslave
10. Heavn Can Wait
11. Run to the Hills
12. Iron Maiden
13. Fear of the Dark
Bis
14. Moonchild
15. Clarvoyant
16. Hallowed be Thy Name
Eu estava nesse show, mas não encarei a pista, pois sabia que ia ser insuportável.Infelizmente, acho que o Iron nunca mais vai tocar aqui em Porto Alegre! Mas espero estar enganado!
Eu tenho esse DVD-bootleg aí. PEla TV não dá para ver que o negócio tava feio. Inclusive tenho uns amigos aqui de Rondônia que foram à esse show, mas eles ficaram nas arquibancadas e não relataram problemas. Que merda que foi assim.
Bem…agora falar que o Bruce não canta mais como antigamente e dizer que a Lauren canta igual ee quando adolescente é pedir para tomar umas porradas mesmo!!!!! Isso aí foi merecido!!! Hahahahaha
Cara, eu estava na arquibancada e não vi nada disso, ainda bem! Pra mim, o show foi perfeito e eles estão de volta novamente em Porto Alegre, após 11 anos. Peguei arquibancada de novo, pra ver o show confortavelmente e não entrar em fria de calorão, esmagamento, fedor etc. Cara, tu não parece ser um fã do Iron Maiden. Porque fã que é fã, estaria dizendo que esse foi o melhor show da sua vida. Lamento por ti, guri. Pra mim, foi!! Abraço!
Ainda bem que o Christian lembrou dessa matéria. Lembro que faziam anos que o Iron Maiden não botava os pés aqui e na época havia o boato que poderia ser a última tour deles. Lembro que eu trabalhava em Santa Catarina e ganhava uns 800 pila por mês. No que abriu para as compras de ingresso online, corri e comprei um ingresso para a pista VIP do show de São Paulo. Detalhe que a venda online de vips tinha se esgotado em 1 hora depois de abertura.
Queria muito ter ido, mas depois que fiz os cálculos financeiros do quanto iria gastar para ir até lá, a minha consciência pesou e cancelei a compra. Lembro que gastei uns 350 pila no ingresso, o que hoje pode soar pouco, mas há 11 anos era uma grana violenta. Enfim, até hoje nunca os vi ao vivo.
Eu cheguei no portão do Gigantinho 5 minutos antes do show principal iniciar, acho que era o portão 2, entrei no tumulto, galera me empurrou pra dentro, na grade vi que a pista tinha lugar, mal pensei em pular ali pra baixo e já estava lá devido aos empurrões. Percebi quando o show começou que quem estava em frente ao palco não aguentou, e eu fiquei a 5 metros da grade, o show foi sensacional.
1o show da tua vida?
esperava o que da ‘turma do gargarejo’? Quer conforto e mordomia, assiste do sofa de casa.
6 dias na fila? Pra mim isso é coisa de desocupado/vagabundo/retardado.
Erraram rifs, o tempo, a voz não tava igual o CD… show ao vivo é isso. Não era pra errar quem toca a mesma coisa a 20-30-40 anos, mas se erra. É o diferencial do show.
E sobre ser agredido, eu tava perto da grade, consegui chegar perto mesmo não tendo perdido 6 dias de trabalho pra guardar lugar. E cara, tinha uns bunda mole falando merda, que não tive oportunidade de dar um sacode, mas mereciam.
Foi um puta show, daqueles que ‘os guri criado pela avó’ assistem, mais de longe.
Imagina tu fazendo a resenha do Sepultura e Metallica no Hipodromo Cristal, ou Raimundos, Sepultura e Ramones no proprio gigantinho… “ai tavam me empurrando e começara a “pogar’, parecia um liquidificador… foi terrivel”
“ui ui ui machão”
Já peguei Slayer em grade meu caro, assisti a muito show na grade. A ofensa de vagabundo é típica de quem não conhece a vida da pessoa, não sabe o que acoteceu, mas está louco pra causar. Mas fanatismo Iron Maideníaco só não é pior que gado bozominion.
Saudações
Show é para assistir. Se eu quiser apanhar, viro lutador de MMA. Se eu quiser pogar, compro um pogobol. E, sim, com os valores que andam sendo cobrados nos ingressos, deveríamos ter toda a mordomia possível. Com o valor que ando pagando de ingresso, em shows internacionais, gostaria de ter comida e bebida à vontade, motorista particular, lugar reservado, ser recebido com tapete vermelho e ganhar beijos e abraços de uma loirinha peituda.
Cara! Que locura, sai do interior do RS pra ver o Iron nesse dia. Sol do caramba na fila, depois de entrar tentei ir pro mais perto da grade possível, tinha que ficar na ponta do pé pra respirar e era um alívio quando vinha uma lugada de ar sabe-se la de onde e que locura que foi quando começou Aces High, ali vi que não dava pra ficar por ali e comecei a lutar pra sair dali. Empurra empurra infernal, tenho quase certeza que quebrei a perna de alguém, senti como se tivesse pisado em uma cana e ela cedeu. Com muito esforço cheguei em uma lateral(no que foi um ótimo lugar pra assistir por sinal) e dali, apreciei aquele Show do CARALEOOOOO!!! Enfim foi uma ótima experiência pra ser o primeiro show de metal de uma banda foda que fui!! Up the irons!!!
Valeu João. Que bom que vc conseguiu ver bem o show. Essa de quebrar a perna de alguém é que assusta, ahahahaha
Caramba. O cara que escreveu esse texto é muito chato. Reclamão do caral….
Fui no show, na pista, depois de horas na fila, estva abafado lá dentro, mas foi UM DOS MELHORES SHOWS DA MINHA VIDA. Sendo que, só do Iron Maiden, já fui em 11. E esse de Porto Alegre não teve nada demais para falar tão mal assim.
Implicou até com o público gritando Gremio e Inter…ahhh…VSF mimizento