Cinco Discos Para Conhecer: Bob Rock

12 de outubro, 2012 | por Van do Halen
Publicado originalmente no site Van do Halen
Talentoso produtor, engenheiro de som e multi-instrumentista, Bob Rock é um dos mais aclamados profissionais de estúdio dos Estados Unidos. Trata-se de um visionário musical, capaz de deixar qualquer banda mais acessível sem remover a sua essência. Confira os cinco discos recomendados para conhecer o seu trabalho.
Mötley Crüe – Dr. Feelgood [1989]
(por Igor Miranda)
Após o grande sucesso que foi “Girls, Girls, Girls” e o grande fracasso que estava a vida pessoal dos integrantes do Mötley Crüe – todos dependentes de drogas e precisando se desintoxicar -, eis que a banda retorna no verão de 1989 com “Dr. Feelgood”. Com sobras, este álbum trata-se do magnum opus da carreira do grupo. A sobriedade fez bem para esses malucos, que com a produção de Bob Rock, conseguiram centrar as suas diversas influências em um som original, pesado e acessível. Meio Hard, meio metálico, meio Punk, mas com a essência total do quarteto. A fórmula crüe estava tão afiada que a sensação que se tem ao ouvir “Dr. Feelgood” é que todo o disco é clássico. Inclusive, este álbum foi o chamariz para que Lars Ulrich convidasse Bob para a produção do novo do Metallica. O resto é história.
Vince Neil (vocal, gaita, guitarra adicional), Mick Mars (guitarra, violão), Nikki Sixx (baixo),  Tommy Lee (bateria)
1. T.N.T. (Terror ‘N Tinseltown)
2. Dr. Feelgood
3. Slice Of Your Pie
4. Rattlesnake Shake
5. Kickstart My Heart
6. Without You
7. Same Ol’ Situation (S.O.S.)
8. Sticky Sweet
9. She Goes Down
10. Don’t Go Away Mad (Just Go Away)
11. Time For Change
The Cult – Sonic Temple [1989]
(por João Renato Alves)
Era humanamente impossível estar envolvido com a mídia Rock do Brasil no fim dos 1980’s/início dos 90’s e não ser exposto ao The Cult. A banda era um verdadeiro fenômeno de popularidade por esses lados, com direito a execução massiva nas rádios e clipes mostrados à exaustão nos primórdios da MTV. Por isso, Sonic Temple teve importância fundamental na formação de muita gente. Após o estouro mundial de Electric, que representou uma grande virada musical na carreira, Ian Astbury e Billy Duff precisavam provar que se estabeleceriam no mercado seguindo um estilo que vivia seu melhor momento. O grande mérito dos ingleses foi adaptar-se à realidade sem debandar para algo que literalmente abominavam, como faziam questão de deixar claro nas entrevistas. E Sonic Temple é a extensão perfeita daquilo que foi iniciado no álbum anterior. Melódico, agressivo na medida certa e dando atenção especial às guitarras, foi capaz de agradar às mais variadas vertentes de fãs na cena roqueira.
Ian Astbury (vocal, percussão), Billy Duffy (guitarra), Jamie Stewart (baixo), Mickey Curry (bateria)
Músico adicional:
John Webster (teclados)
1. Sun King
2. Fire Woman
3. American Horse
4. Edie (Ciao Baby)
5. Sweet Soul Sister
6. Soul Asylum
7. New York City
8. Automatic Blues
9. Soldier Blue
10. Wake Up Time for Freedom
11. Medicine Train
Blue Murder – Blue Murder [1989]
(por João Renato Alves)
Já que aparentemente ninguém conseguia lidar com suas ideias (e seu ego, por suposto), John Sykes resolveu tomar a frente de um novo projeto, onde seria o responsável direto por tudo. Assim nasceu o Blue Murder, que inicialmente teria outro vocalista, sendo que Tony Martin e Ray Gillen chegaram a ser testados. Mas como a coisa não andava, o próprio guitarrista resolveu acumular a função, mostrando ao mundo que não era apenas um grande no instrumento. Para acompanhá-lo, uma dupla de peso, com Tony Franklin no baixo e o lendário Carmine Appice na bateria. A estreia não podia ter sido melhor, com um álbum vigoroso, recheado de belas canções, como os singles “Jelly Roll” – e seu clipe inclassificável – e “Valley Of The Kings”. Outros ótimos momentos surgem em “Sex Child”, “Out Of Love” e a saideira “Black-Hearted Woman”. Como já era de se esperar, a cozinha pulou fora logo na seqüência, fazendo Sykes correr atrás de outros músicos. Outros dois discos ainda sairiam sob o nome da banda, que logo se transformaria em uma empreitada solo de seu idealizador. Mesmo assim, fica o brilho desse fantástico primeiro álbum.
John Sykes (vocal, guitarra), Tony Franklin (baixo), Carmine Appice (bateria)
Músico adicional:
Nik Green (teclados)
1. Riot
2. Sex Child
3. Valley of the Kings
4. Jelly Roll
5. Blue Murder
6. Out of Love
7. Billy
8. Ptolemy
9. Black-Hearted Woman
David Lee Roth – A Lil’ Ain’t Enough [1991]
(por João Renato Alves)
Para muitos – e às vezes penso que até para o próprio – a carreira solo de David Lee Roth se resume aos dois primeiros álbuns, Eat’Em and Smile e Skyscraper. Mas isso depende muito do que o ouvinte procura. É sabido que o showman sempre teve mente aberta a tudo que o envolvia no mundo Pop. E foi assim que levou boa parte de sua história como um dos maiores frontmen da história. E uma coisa ninguém pode discordar: ele sempre se cercou de alguns dos melhores músicos da cena. Afinal, poucos poderiam perder Steve Vai e substituir com ninguém menos que o garoto prodígio Jason Becker. Some a isso a cozinha formada pelos irmãos Bissonette e temos uma senhora banda. Produzido por Bob Rock (ao mesmo tempo em que este trabalhava com o Metallica no multiplatinado Black Album), A Lil Ain’t Enough traz o David festeiro de sempre, com os pés fincados no Hard Rock, mas sem deixar de incorporar diferentes elementos. O que não soa como algo tão descrepante para aqueles que já estão acostumados a escutar o que Diamond Dave faz. Mas o Rock and Roll dita o ritmo pra valer em ótimos momentos, como a faixa-título, que acabou ganhando maior notoriedade graças ao videoclipe, que foi censurado pela MTV após poucas exibições por mostrar moças voluptuosas e anões. Moralismo puro, mas avaliando a situação em termos de repercussão, não poderia ter sido melhor. E apesar de sua letra parecer apenas outra coleção de clichês, preste atenção na mensagem que ela traz, é de grande valor.
David Lee Roth (vocal), Jason Becker (guitarra), Steve Hunter (guitarra), Matt Bissonette (baixo), Brett Tuggle (teclados), Gregg Bissonette (bateria)
1. A Lil’ Ain’t Enough
2. Shoot It
3. Lady Luck
4. Hammerhead Shark
5. Tell The Truth
6. Baby’s On Fire
7. 40 Below
8. Sensible Shoes
9. Last Call
10. The Dogtown Shuffle
11. It’s Showtime!
12. Drop In The Bucket
Metallica – Metallica [1991]
(por Igor Miranda)
Após a morte de Cliff Burton, estava difícil para o Metallica impor um novo padrão de composições, visto que o baixista era muito influente no produto final. A chegada de Jason Newsted não colaborou muito em …And Justice For All, visto que pouco colaborou no final das contas. E, a cada dia que se passava, a popularidade do quarteto aumentava. Seria a hora de experimentar um caminho diferente? O disco auto-intitulado, conhecido também como “Black Album”, responde à pergunta de forma positiva. Empenhado em continuar pesado mas de uma forma diferente, talvez até mais comercial e com um pé no Hard Rock, o Metallica contou com a ajuda de Bob Rock para trilhar seu caminho ao estrelato definitivo. Além da presença de mais baladas, as canções estavam mais cadenciadas, ou seja, menos velozes. Os tr00s renegam, mas este registro é um dos melhores da discografia do conjunto, além de ser um dos mais vendidos da história do Rock.
James Hetfield (vocal, guitarra), Kirk Hammet (guitarra), Jason Newsted (baixo), Lars Ulrich (bateria)
1. Enter Sandman
2. Sad But True
3. Holier Than You
4. The Unforgiven
5. Wherever I May Roam
6. Don’t Tread On Me
7. Through The Never
8. Nothing Else Matters
9. Of Wolf And Man
10. The God That Failed
11. My Friend Of Misery
12. The Struggle Within



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *