Notícias Fictícias que Gostaríamos que Fossem Reais: Kiss promete acabar com o pessoal que filma shows em celulares

30 de outubro, 2012 | por micaelmachado
Notícias Fictícias Que Gostaríamos Que Fossem Reais
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Por Micael Machado
Notícias Fictícias que Gostaríamos que Fossem Reais é uma sessão da Consultoria do Rock onde apresentamos notícias fictícias, mas que poderiam se tornar reais em algum momento de nossas estadas aqui na Terra. A intenção não é gerar polêmicas ou controvérsias sobre determinados fatos, mas apenas incitar a discussão sobre o que ocorreria se o mesmo fato chegasse a acontecer.
Quem aqui já foi a um show e teve de aguentar o pessoal filmando e fotografando o tempo todo com celulares, câmeras e filmadoras, prejudicando a quem só quer assistir e curtir o espetáculo? Quase todo mundo, certo? Pois o Kiss (sempre eles) anunciou que vai resolver esse problema, através de uma forma simples: vendendo um DVD “bootleg oficial” de cada show para cada membro da audiência todas as noites!
A notícia foi dada na coletiva marcada para anunciar a turnê de promoção de seu aguardado novo álbum, Monster. Segundo o grupo, a cada noite, os fãs que comparecerem aos concertos (além do cruzeiro do Kiss no começo de novembro, datas na América do Sul já foram confirmadas para o mesmo mês) levarão para casa um DVD com as imagens do show daquela data, além de fotos exclusivas e um tour book digital, dentre outros itens.
A ideia surgiu a partir dos álbuns conhecidos como Instant Live, que viraram febre na América do Norte há alguns anos (esses álbuns eram gravados durante a apresentação e entregues aos fãs na saída do espetáculo). Segundo Gene Simmons (vocalista e baixista do grupo), “nos incomoda bastante o fato de prepararmos um espetáculo visual grandioso, com fogos, explosões, pessoas voando e outros atrativos, além do melhor rock and roll do mundo, aquele feito pelo Kiss, e as pessoas ficarem paradas filmando tudo com cara de abobadas, sem curtir o espetáculo. E para quê? Na maioria das vezes, essas filmagens ficam uma m**da, e a pessoa assiste apenas uma vez e nunca mais. Mas a sensação de estar em um show do Kiss é algo muito maior, e as pessoas perdem essa chance por um registro pífio ao qual não vão dar nenhuma atenção depois”. Para resolver essa questão, o grupo decidiu “distribuir um DVD para cada um, com alta qualidade de gravação, assim eles não precisarão perder tempo gravando o show com seus aparelhinhos”.
Gene Simmons durante a entrevista
Paul Stanley (vocalista e guitarrista) dá mais aspectos técnicos da novidade: “quando os álbuns Instant Live surgiram, achei a ideia interessante, mas, se fossemos fazer algo parecido no Kiss, teria de ser maior do que isso. Felizmente, a tecnologia evoluiu bastante, e hoje podemos gravar um DVD durante a apresentação, e não apenas o áudio de cada show”. Segundo Stanley, o esquema funcionará da seguinte maneira: “em cada local onde nos apresentarmos, instalaremos uma câmera digital em uma posição onde todo o palco possa ser visto com qualidade. O áudio será captado em estéreo diretamente da mesa de som, e será jogado diretamente em um computador junto com a filmagem da câmera. Teremos uma pequena equipe envolvida com as imagens e o som, e, a cada final de uma música, eles já estarão trabalhando para sincronizar o áudio com a imagem daquela única câmera. Como não terão de escolher entre diferentes zooms e mudanças de quadro, o trabalho tende a ser rápido, e, como teremos um set list fixo, eles saberão com antecedência o que vai acontecer, sem muitos espaços para surpresas desagradáveis”.
Paul dá mais detalhes: “após a última música do show, a plateia verá um vídeo pré-gravado da gente nos bastidores, simulando uma situação real de um ambiente pós-show, que terminará com um agradecimento ao público daquela noite. Esse vídeo também estará no DVD, podendo ser incluído antes da gravação inclusive. Deve durar entre cinco e oito minutos, que é o tempo necessário para gravar os DVDs para o pessoal. Temos um equipamento capaz de gravar até mil DVDs por minuto, então poderemos atender às plateias dos locais onde nos apresentaremos com bastante presteza. Depois, é só colocar em um envelope e entregar às pessoas que forem saindo. O disco ainda terá um arquivo para impressão com a capa do DVD, além de fotos exclusivas tiradas durante o show, um arquivo com o tour book da excursão, e outras coisas que ainda estamos definindo. Será um item exclusivo daquela noite, algo para os fãs guardarem para sempre”.
Paul Stanley após o anúncio
Simmons diz que “sabemos que assistir ao show com apenas uma câmera não é o que os fãs esperam de um DVD do Kiss, nem o que gostaríamos de entregar para eles. Mas foi a maneira que conseguimos de colocar em prática a ideia. Além disso, você terá uma imagem de qualidade de todo o show, de todo o palco, e não uma coisa mal gravada e tremida feita pelo seu celular. O mesmo acontecerá com as fotos, que serão tiradas de cima do palco, e não da distância desde o público até nós. Com tudo isso, acreditamos que as pessoas não vão precisar perder tempo filmando ou fotografando o que está acontecendo, e poderão se concentrar em fazer aquilo para o que realmente compraram o ingresso, que é curtir a maior banda de rock and roll do mundo em ação, ali, na frente delas”.
Claro que tudo isso não sairá de graça. Sempre dispostos a lucrar o máximo possível, o grupo terá um acréscimo no preço dos ingressos por causa do DVD. Stanley diz que, “dependendo do local, o acréscimo será de dez a quinze dólares sobre o preço do ingresso. Temos de pagar os responsáveis pelo DVD, além do equipamento e demais custos, por isso não podemos fazer de graça”. Além disso, “não haverá opção de pagar mais barato se alguém não quiser o DVD. Todos que comprarem ingresso terão direito ao mesmo, o preço estará incluso em todas as modalidades que o local apresentar”. Gene Simmons diz que “algumas pessoas podem até reclamar dos preços mais caros, mas acho que ninguém vai perder a oportunidade de ter um DVD exclusivo do Kiss em sua coleção, então, visto por este ângulo, é um preço pequeno a se pagar por um item como esse”.
Público com celulares e câmeras durante o show: com os dias contados?
Após o anúncio, outros grupos como o Pearl Jam, o trio Crosby, Stills And Nash e o ex-vocaista do Black Crowes, Chris Robinson (em turnê com seu novo grupo, o Chris Robinson Brotherhood), que sempre apoiaram gravações de fãs feitas em seus shows, se manifestaram a favor da ideia, e dispostos a implantá-la em seus próprios espetáculos. Será que essa moda pega, e ficaremos livres dos chatos que insistem em jogar celulares e câmeras nas nossas caras nas partes mais interessantes dos shows de nossos artistas favoritos? Tomara que sim!



3 Comentarios

  1. fernandobueno disse:

    Sou totalmente a favor e acho que, além de ser um texto interessante do Micael, é uma ótima idéia que muita banda grande poderia adotar. Não se se existe um aparelho que grave 1000 DVDs por minutos. Talvez essa seja a única restrição à idéia. Lembrando que essas notícias fictícias aqui do blog estão se tornando proféticas….lembrem-se da reunião de Black Sabbath e Viper….

    Abraços

  2. diogobizotto disse:

    Malandro, tirou as palavras da minha boca. Torço para que essa seja a mais profética entre todas as notícias fictícias já publicadas, pois o negócio beira o insuportável. Várias vezes faço questão de atrapalhar os filmadores pra estragar mesmo suas intenções de avacalhar o espetáculo das pessoas sensatas.

  3. micaelmachado disse:

    Fernando, essa ideia poderia virar realidade facilmente, a meu ver. Em shows maiores, tem as imagens no telão, porque não colocar as mesmas em um DVD? Qual a dificuldade? Em shows como o do Jack Bruce que resenhei ontem, ou os que acontecem no bar Opinião aqui em Porto Alegre, é muito fácil instalar uma câmera e filmar tudo. E mesmo que não exista um aparelho que grave 1000 DVDs por minuto (sei lá se tem), as pessoas não saem todas juntas, você precisa de uns 200 para começar, e seguir produzindo o resto. O show do Arnaldo Baptista tinha umas 1500 pessoas, o do Jack Bruce pouco mais. Em shows para 15000 pessoas, se leva no mínimo uma meia hora para esvaziar o local, não é tempo de gravar muitos DVDs?

    Eu pagaria o preço que cobram hoje por um ingresso com prazer se ganhasse um DVD exclusivo no final. E ainda iria a mais shows ainda do que vou, só para ter os DVDs exclusivos, que alguns iriam vender por fortunas para os colecionadores depois. Hoje em dia não muda muito gravar um DVD ou um CD, e os CDs "instant live" já existem há tempos nos EUA, e funcionam bem. A ideia está lançada!

    Pelo fim da "maldita inclusão digital"!

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