Cinco discos para conhecer: Membros do Iron Maiden em outros projetos

9 de novembro, 2012 | por maironmachado


Por João Renato Alves (Publicado originalmente no site Van do Halen)
O Iron Maiden é uma instituição sagrada do Rock. Mas seus integrantes nem sempre estiveram sob a batuta de Steve Harris. Alguns fizeram trabalhos muito interessantes em carreira-solo ou em outras bandas. Eis alguns exemplos.
Gillan – Double Trouble [1981]
Janick Gers já havia entrado na banda do Silver Voice durante a turnê do álbum anterior, Future Shock, substituindo Bernie Tormé. Praticando um Hard Rock direto e familiarizado com as sonoridades da época, o Gillan não alcançou o patamar dos monstros do gênero, mas contou com uma base fiel de admiradores. Double Trouble mantém essa fórmula e conseguiu boa repercussão no Reino Unido, onde alcançou o 12º lugar na parada, resultado que garantiu à banda uma vaga de destaque no Monsters Of Rock do ano seguinte. Como destaque, as pesadas “I’ll Rip Your Spine Out” e “Men Of War”, com interpretações soberbas do dono da bola, além do single “Restless”, acessível na medida certa. A longa “Born To Kill” fecha o play com categoria. Janick ainda gravaria mais um álbum com o grupo, Magic (1982). Depois entraria em uma época de incertezas até ser resgatado por Bruce Dickinson em seu primeiro disco solo, Tattooed Millionaire, que o levaria à Donzela De Ferro posteriormente.
Ian Gillan (vocals), Janick Gers (guitarras), John McCoy (baixo), Colin Towns (teclados), Mick Underwood (bateria)
1. I’ll Rip Your Spine Out
2. Restless
3. Men Of War
4. Sunbean
5. Nightmare
6. Hadely Bop Bop
7. Life Goes On
ASAP – Silver And Gold [1989]
Em divergências com a banda e sem ter certeza do que gostaria de fazer em seu futuro musical, Adrian Smith abandonou o barco do Iron Maiden. As coisas já estavam se encaminhando para essa direção quando o guitarrista montou o ASAP (Adrian Smith And Project). Para isso, chamou alguns velhos amigos, como Andy Barnett e Dave Colwell, além do então novato Zak Starkey, filho de Ringo Starr. Algumas ideias do passado foram resgatadas – incluindo faixas já conhecidas por fãs através de antigos bootlegs –, além de composições novas. Com uma sonoridade mais direta e letras introspectivas, Silver And Gold mostra que, independente do estilo pelo qual se aventura, Adrian é um dos grandes músicos de sua época, com versatilidade e competência indiscutíveis. Apesar disso, o disco não alcançou grandes números, fazendo com que o grupo mudasse o nome para The Untouchables e acabasse posteriormente. Mesmo assim, é um álbum que vale uma conferida mais que atenta por quem admira a figura que lidera o projeto.
Adrian Smith (guitarras, vocals), Andy Barnett (guitarras), Dave Colwell (guitarras), Richard Young (teclados), Robin Clayton (baixo), Zak Starkey (bateria)
2. Silver and Gold
3. Down the Wire
5. After the Storm
6. Misunderstood
7. Kid Gone Astray
8. Fallen Heroes
10. Blood on the Ocean
Paul Di’Anno Killers – Murder One [1992]
Após o fim das atividades do Battlezone, Paul Di’Anno entrou em contato com o amigo de longa data Cliff Evans e decidiu lançar outro projeto. Com o sugestivo nome de Killers – ninguém imagina porque, certo? –, o novo grupo realizou alguns shows, executando basicamente material do Iron Maiden e outros covers. Mesmo sem nada autoral escrito, conseguiram despertar a atenção de executivos da gravadora BMG, que ofereceram um contrato de 250 mil dólares. Bastaram duas semanas de trabalho árduo para que oito novas composições surgissem. Adicionaram dois covers e o primeiro álbum da nova empreitada estava pronto. E que disco! Muder One trata-se, simplesmente, do que de melhor foi feito por Di’Anno após sua glória ao lado de Steve Harris e todo o time da Donzela de Ferro. Heavy Metal tradicional e agressivo, um verdadeiro convite a bater cabeça para qualquer fã. A agressividade do vocal de Paul chegava a arrepiar, em uma performance que o próprio não conseguiria repetir nos anos seguintes – especialmente hoje, quando continua entretendo fãs em botecos mundo afora (com ênfase à América do Sul) muito mais por seu passado glorioso que por qualquer outra coisa. Some-se a isso uma banda totalmente envolta no espírito da coisa e temos um play absolutamente memorável.
Paul Di’Anno (vocals), Cliff Evans (guitarras), Nick Burr (guitarras), Gavin Cooper (baixo), Steve Hopgood (bateria)
1. Impaler
3. Children of The Revolution
4. S&M
7. Protector
8. Dream Keeper
9. Awakening
10. Remember Tomorrow
Bruce Dickinson – Accident Of Birth [1997]
Após o excesso de experimentações de Skunkworks, Bruce Dickinson decidiu retornar ao que sabia fazer melhor. Convocou seu amigo Roy Z e a cozinha do Tribe of Gypsies para gravar um álbum pesado, totalmente voltado para o Heavy Metal. Isso gerou algumas críticas do então desafeto Steve Harris que disparou: “Bruce lançaria um álbum de música Country se achasse que faria sucesso”. As primeiras ideias musicais começaram a surgir e o vocalista sentiu que poderia encaixar mais uma peça na nova engrenagem. Assim, deu a cartada de mestre, chamando o eterno parceiro Adrian Smith, com quem escreveu várias das músicas mais memoráveis do Iron Maiden. O resultado é conferido na prática, já que Accident of Birth é um dos melhores discos de Heavy Metal tradicional lançado nas últimas décadas. Pesado, consistente, com melodias marcantes, deixa sua marca desde a primeira audição. Era a prova que o mundo precisava de que o Air Raid Siren não tinha esquecido a fórmula da consagração. Até a capa, para manter o clima de volta aos bons tempos, foi desenhada por Derek Riggs, com o personagem Edison (entendeu o trocadilho? Hã? Hã?) sofrendo um acidente de nascimento. Como, segundo Bruce, os americanos são muito maricas, a arte foi censurada. O jeito foi disponibilizar um desenho mais limpo, apenas com a mascote. E essa foi a versão lançada por aqui. Ao menos, ganhamos faixa-extra.
Bruce Dickinson (vocals), Adrian Smith (guitarras), Roy Z (guitarras), Eddie Casillas (baixo), Dave Ingraham (bateria)
1. Freak
2. Toltec 7 Arrival
4. Taking The Queen
5. Darkside Of Aquarius
7. Man Of Sorrows
8. Accident Of Birth
9. The Magician
10. Welcome To The Pit
12. Omega
13. Arc Of Space
Blaze Bayley – The Man Who Would Not Die [2008]
Assim que Debbie, sua então nova esposa (que, infelizmente, faleceria pouco tempo mais tarde) entra em cena e assume o comando das coisas como empresária, Blaze Bayley consegue se focar novamente na música, após um período curto de afastamento. Após formar uma nova banda, com músicos do mais alto calibre, como os irmãos colombianos Nico e Jay Bermudez, sai em turnê antes de trabalhar em um novo disco. Com o entrosamento alcançado nos palcos, entra em estúdio e registra aquele que é, simplesmente, um dos melhores álbuns de Heavy Metal dos últimos anos, o fantástico The Man Who Would Not Die. Injetando peso atual à velha e tradicional fórmula, Blaze se renova, com uma sonoridade obscura e agressiva – a maior desde o sombrio The X-Factor, do Iron Maiden. Em determinados momentos, chega a lembrar grupos mais recentes, especialmente nas guitarras mais coesas e violentas, fugindo do padrão utilizado até então na sua discografia. É até difícil destacar algum momento em especial num trabalho tão coeso. Talvez deva ser feita uma advertência em relação ao fato de não ser um daqueles discos que se absorve a atmosfera totalmente na primeira audição. A cada nova escutada se descobre elementos e se assimila a proposta com mais precisão, o que o torna cada vez mais prazeroso.
Blaze Bayley (vocals), Nico Bermudez (guitarras), Jay Walsh (guitarras), David Bermudez (baixo), Lawrence Paterson (bateria)
2. Blackmailer
3. Smile Back at Death
4. While You Were Gone
6. Crack in the System
7. Robot
8. At the End of the Day
9. Waiting for My Life to Begin
10. Voices from the Past
11. The Truth Is One



2 Comentarios

  1. fernandobueno disse:

    Claro que isso é questão de gosto, mas o meu preferido do Bruce é o Chemical Wedding e o do Adrian Smithe é o primeiro do Psicho Motel. Mas messe último acho que a escolha foi mais adequada já que o Adrian além de tocar as guitarras ele canta. Pena que a coluna só sugere cinco discos….rs

  2. Os discos do Gillan e do Dianno são muito bons, aliás, o do Dianno é MUITO BOM!!! Esse ASAP é uma bomba de Hiroshima, assim como o Dickinson não me chama a atenção. O Blaze é o blaze, ou seja, não fede nem cheira. Agora todos eles são melhor que a bomba solo do Steve Harris, eita disco ruim!

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