Amon Amarth – Surtur Rising [2011]

17 de novembro, 2012 | por Fernando Bueno
Diversos
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Por Fernando Bueno
Nunca fui especialista em metal extremo. Para ser sincero, nunca cheguei a me interessar de verdade, me tornar fã de bandas de death metal e black metal. Normalmente quando converso com alguém com a mesma opinião acabamos invariavelmente chegando ao tema da voz gutural, tão normal nesses tipos de estilos. Talvez esse seja o maior motivo de eu não ser adepto à bandas como Death, Napalm Death, Deicide, etc…etc…
Desde o início da popularização desse tipo de técnica vocal eu ainda não consegui definir se gosto ou não porque, apesar do que falei no parágrafo anterior, no Sepultura, por exemplo, isso nunca me incomodou. Outros exemplos são o Amorphis, o Fear Factory e o Paradise Lost que também faziam uso e eu sempre gostei do resultado. Porém nesses casos o fato de haver uma alternância entre vozes limpas e guturais talvez amenizasse um pouco.
Quando vi pela primeira vez o anuncio de Surtur Rising eu nunca tinha ouvido falar em Amon Amarth. Acabei me interessando pela imagem da banda, afinal essa capa é sensacional. Claro que esse conceito medieval com guerreiros, espadas e tudo o que envolve esse tipo de tema é muito normal nas bandas européias hoje em dia e esse assunto é recorrente em bandas de direcionamento musical bem diferentes entre si – quem gosta dessas temáticas deve agradecer, e muito, à Ronnie James Dio e Ritchie Blackmore.
Então o que me chamou atenção no Amon Amarth, só a arte da capa? Não. As ótimas críticas que li em diversos lugares e muitas delas de veículos de imprensa musical não tão ligadas ao metal extremo, como a revista Classic Rock. Pensei, se uma revista que tem um público fiel de estilos mais amenos do rock está indicando a banda é porque ela tem algo é diferente. Também levei em consideração algumas listas de melhores do ano de 2011 que apareceram em vários sites no início de 2012.
Quem chegou até esse ponto do texto e é mais ligado ao metal extremo pode estar pensando: “esse cara está falando besteira’, o Amon Amarth não tem nada a ver com Obituary (ou outra banda que queira comparar)”. Porém como disse logo na primeira frase do texto, não sou especialista em nessa vertente do metal, então posso estar comparando coisas diferentes mesmo, entretanto tenho certeza que todos entenderam o que estou querendo dizer.
O Amon Amarth é oriundo da Suécia, país que de uns anos para cá tem revelado muitas bandas legais. Façam um exercício e pensem em alguns grupos de destaque que surgiram nos últimos 5 ou 10 anos. Tenho certeza que várias dessa sua lista serão suecas e não deixe de citá-las aí nos comentários.
Heavy metal tradicional puro é o que temos no riff principal de “War of the Gods”. Logo de cara dá para ter uma idéia do que será apresentado no disco todo, ou seja, riffs tradicionais, solos melódicos e peso, muito peso. Baixo e bateria fortes são os responsáveis por essa potência sonora enquanto as guitarras vão dando a melodia que justifica a classificação de melodic death metal que muitos lugares dão à banda. Aliás, são tantos os termos e subdivisões nessa seara musical que, confesso, fico perdido.
A velocidade diminui em “Töck’s Taunt – Loke’s Treachery Part II”, mas o peso continua lá. O refrão vai ficar na cabeça de muita gente após a audição e se ele não o agradar tenho certeza que a parte instrumental da sequência vai fazê-lo pelo menos ouvir novamente.
Essa série das três primeiras músicas que acaba com “Destroyer of the Universe” é certamente o destaque do álbum. A parte instrumental dessa última vai lembrar muito alguma banda de metal melódico pelo seu riff, pelo pedal duplo e principalmente pelo solo, que apesar de curto vai muito nessa linha.
Um batalha de guerreiros ensangüentados é o tema de “Slaves of Fear”. “The Last Stand of Frej” e “For Victory or Death” trazem melodia novamente e são boas faixas enquanto “Wrath of the Norsemen” é talvez a mais pesada do álbum. Em “Doom Over Dead Men” temos bastante teclados trazendo “suavidade” novamente. Sem muitas partes cantadas poderia estar em um disco de qualquer banda surgida no final dos anos 90 como uma faixa instrumental. O CD que peguei vem ainda com uma faixa bônus “Aerials”, uma versão de uma música do System of A Down. Essa informação eu só descobri quando estava escrevendo essas linhas e a música acabou se tornando um das minhas preferidas do álbum.
Surtur representado pela Marvel
Li que Surtur é um nome da mitologia nórdica. Segundo a lenda este ser é o senhor de Muspelheim, o reino de fogo e um dos nove mundos dessa mitologia, e será responsável por um dos desastres naturais narrados no Ragnarok colocando fogo em todo o mundo e matando Freya, que é a deusa do amor na mitologia nórdica. Com essa curta e imprecisa explicação acho que dá para entender o conceito da da já elogiada capa.
Ainda não tive tempo de me acostumar com outros álbuns da banda. Estou escutando aos pouco outros dois: With Oden on Our Side (2006) e Twilight of the Thunder Gold (2008). Posso dizer que Surtur Rising é, pelo menos nas primeiras impressões, mais melódico que os outros. Para quem vai fazer a transição do metal tradicional/melódico para esse viking metal (outra classificação encontrada por aí) acredito que esse registro do Amon Amarth seja o mais indicado. Talvez aqueles com mais propriedade no assunto possa nos ajudar com comentários mais embasados.
Para finalizar não poderia de listar os componentes do Amon Amarth que é composto por Johan Hegg no vocal, Ted Lundström no baixo, Olavi Mikkonen e Johan Söderberg nas guitarras e Fredrik Andersson na bateria. Ouçam esse álbum ou qualquer um dos dois que citei acima. Para quem não é habituado, como eu, ao estilo vai ser um processo um pouco demorado para absorver as músicas, mas depois de um pouco de insistência tenho certeza que todos gostarão.
Ahhh…continuo não gostando de Napalm Death, Death, Obituary, Deicide…



6 Comentarios

  1. ouça tambem uma banda sueca chamada THYRFING tão boa ou até melhor que o amon, principalmente os discos urkraft e vansinnesvisor.

  2. Sofro do mesmo mal: tem música/banda extrema que eu gosto, mas em geral sou fraco pra isso. Exemplo: Gosto de "Your Treachery Will Die With You", do Dying Fetus. Não posso falar exatamente o mesmo do resto do álbum (Descend into Depravity), mesmo tendo recebido críticas positivas nos sites especializados.

    p.s.: Nunca vi esse blog falar de Manilla Road. Apresente aí aos leitores numa discografia comentada; essa banda é cult apesar de pouco conhecida. É excelente, eu garanto!

  3. fernandobueno disse:

    Não conheço o Manilla Road o suficiente para uma discografia comentada, mas tem um álbum q está na minha lista de resenha faz tempo…

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