Higher – Higher [2014]

27 de julho, 2015 | por André Kaminski
Resenha de Álbum
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Por André Kaminski

Nesses tempos em que está cada vez mais difícil gravar um disco no Brasil, tenho ficado surpreso que continue a surgir bandas ano a ano tentando entrar no complicado meio no heavy metal. Mas fico feliz em saber que a vontade de fazer música autoral ainda permanece no imaginário de muita gente, independente se a fama chegue ou não.

O Higher surgiu e lançou seu primeiro álbum auto-intitulado no ano passado, em que surgiu da união entre o vocalista Cezar Girardi e o guitarrista Gustavo Scaranelo que se conhecem há muito tempo, desde a banda Second Heaven em meados de 1995 e que acabou dois anos depois. Após passarem anos estudando música e se tornarem músicos de jazz, estes retomaram o contato com a ideia de criarem uma banda que retomasse o gosto pelo heavy metal que ambos sempre possuíram. Uniram-se o baixista chileno Andrés Zúniga e o baterista Pedro Rezende para gravarem este debut.

O curioso desta banda são as influências jazzísticas que os dois membros fundadores possuem que deram uma temperada diferente neste disco. O baixo é bem aparente como se espera do jazz e a banda faz algumas manobras instrumentais diferenciadas que não soam deslocadas ou fora de contexto com o que o projeto se propõe. A primeira faixa “Lie” é bastante agressiva e mais direta enquanto a sequência em “Illusion” já surge com alguns pequenos solos instrumentais bem legais, demonstrando bem as influências já ditas por aqui. “Keep Me High” me lembrou algumas músicas mais agressivas do Evergrey enquanto “Climb the Hill” já me lembrou alguma coisa próxima dos brasileiros do Mindflow, banda que também gosto bastante. Apesar da estrutura heavy tradicional que a banda utiliza, percebo alguma coisinha de metal progressivo mais direto, como da linha do Circus Maximus ou mesmo do Noturnall nas partes mais velozes. Não é de se surpreender, visto o disco ter sido produzido por Thiago Bianchi da própria, então as guitarras soam bem próximas da timbragem do Noturnall.

Segue o disco com “Like the Wind”, em que se destacam os longos solos de guitarra e “Break the Wall”, mais lenta e quase como uma balada com peso, que é a melhor definição para a música. O baixo aparece ainda mais na sétima canção “Time to Change” em que o instrumental é muito bem trabalhado, mas que identifiquei algo que não curti muito no disco que são as vozes de fundo ao estilo coro épico, muito usadas em bandas de power metal. Irei falar mais sobre isso em outro parágrafo.

Higher

Gustavo Scaranelo (guitarras), Andrés Zúñiga (baixo), Cezar Girardi (vocais) e Pedro Rezende (bateria)

“Make It Worth” é bem variada; usando peso, velocidade, calmaria, vocais limpos e agressivos tudo em uma mesma canção que se muitos estranham, achei que ficou bem interessante. O disco finaliza com “The Sign” que foi a música que mais gostei, uma mistura mais do metal progressivo com tradicional e que Cezar Girardi finaliza com um drive vocal insano.

O disco com 41 minutos finaliza no momento certo. Destaco as performances individuais de Andrés no baixo, Gustavo na guitarra e Cezar no vocal, este último fazendo uma boa mescla do vocal mais agressivo usado na maior parte do disco e do vocal limpo em algumas partes, sem exagerar nos agudos e nos drives. Um ponto positivo do disco é o conteúdo lírico: as letras são bastante positivas e eles utilizam estes temas reflexivos passando uma mensagem clara e sem enrolações filosóficas, erro que muitas bandas cometem em colocar frases que não fazem sentido para ninguém, exceto para os próprios membros.

Como ponto negativo como eu havia falado, não gostei dos vocais de apoio e das vozes em coro que as vezes aparecem em algumas músicas. Não me pareceram se encaixar muito na ideia do disco, pois passa um certo ar de “epicidade” que as bandas de power metal usam e que não parece ser o caso aqui. Em um segundo álbum, eu iria preferir que esses vocais dobrados ficassem de fora. Independente disso, o disco foi ótimo de se ouvir e ficará legal na minha coleção em que será ouvido mais vezes.

Lineup

Cezar Girardi (vocais)

Gustavo Scaranelo (guitarras)

Andrés Zúñiga (baixo)

Pedro Rezende (bateria)

Track List

  1. Lie
  2. Illusion
  3. Keep me High
  4. Climb the Hill
  5. Like the Wind
  6. Break the Wall
  7. Time to Change
  8. Make it Worth
  9. The Sign



2 Comentarios

  1. Marlos disse:

    Fernando me falou dessa banda ontem. Fui ouvir sem pretensão alguma e é um som fodido de bom. Show de bola. Tá no repeat desde então.

    • André Kaminski disse:

      Esses projetos sem muita pretensão inicial parecem ser sempre os melhores para se soltar a criatividade e o som sair melhor. Espero que a banda continue nessa pegada.

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