Test Drive: David Gilmour – Rattle That Lock [2015]

28 de setembro, 2015 | por André Kaminski
Test Drive
5

Front

Por André Kaminski

Com Bruno Marise, Mairon Machado, Marco Gaspari e Ulisses Macedo

Mais um aguardo álbum em 2015 passou pelo crivo de alguns de nossos consultores, dessa feira o quarto disco de estúdio do guitarrista David Gilmour, Rattle That Lock, o qual está prestes a pisar em solo brasileiro pela primeira vez. Confira abaixo as impressões inicias sobre o álbum.


André Kaminski: David Gilmour é o meu guitarrista favorito de todos os tempos, conforme coloquei na minha lista de melhores guitarristas do site. Há uma sensibilidade incomum em cada nota que ele toca nos seus áureos tempos de Pink Floyd. Porém, o próprio Gilmour já admitiu em entrevista que ele é bastante preguiçoso para compor e que por esse motivo, deixou Waters assumir as rédeas de composição no Pink Floyd que já conhecemos. Resumindo, ele sempre gostou muito mais de tocar do que de criar. Devido a isso, sua produção é esparsa, sendo praticamente um disco de inéditas por década (exceto os anos 80 com um solo e um disco do floyd). Independente de tudo isso, eu havia escutado “Rattle That Lock” ao qual havia sido liberada antes do disco ser lançado e minhas expectativas estavam altíssimas. Primeira e segunda faixas, tudo OK, um disco que prometia lindos solos de guitarra, introspecção, reflexão, ânimo e belos trabalhos vocais. Porém, as músicas foram passando… passando… e agora o disco vai engrenar com “Today” e… praticamente acabou. Não acreditei e escutei de novo no outro dia. Mesma sensação. Muito teclado, muito piano, muitas participações diferentes, muitos instrumentos, algumas orquestrações e… Guy Pratt rouba a cena com um baixo simplesmente magnífico em “Today” e na faixa título, as duas únicas em que participa e sendo o melhor instrumentista do disco disparado. Não gostei de “The Girl in Yellow Dress”, um jazzinho tão quadrado como um britânico costuma ser. Mesmo os solos de guitarra, sua marca conhecida, parecem acanhados perto do piano como em “A Boat Lies Waiting”. Todavia, preciso destacar que sua voz sempre é prazerosa de se ouvir. Como acredito ser o último álbum da vida de Gilmour considerando seu histórico de composição, apenas chego a conclusão que o britânico sempre precisou mesmo de um Wright, de um Mason e mesmo de um Waters para brilhar. Eu esperava mais… muito mais… definitivamente mais…


Bruno Marise: Nunca fui fã de Pink Floyd, mas respeito e admiro muito o talento de David Gilmour, apesar de gostar mais do Roger Waters como compositor. Ouvi Rattle That Locke sem conhecer nada da carreira solo do cara, e era aquilo que eu esperava: Canções viajantes e contemplativas, com o timbre límpido e único do guitarrista. Não achei nada de espetacular mas é um bom álbum para ouvir num dia chuvoso ou de madrugada, para relaxar. Mais digno que o Gilmour siga lançando discos como esse através da carreira solo do que continuar usando o nome de Pink Floyd indevidamente. Não é das coisas que eu mais amo no mundo, mas os fãs vão adorar.


Mairon: Se no ano passado tivemos a surpresa de The Endless River, o álbum de Gilmour já era bastante aguardado, pois estava sendo anunciado desde 2013, e o que está registrado é de ótima qualidade. Há várias surpresas, como o folk de “Faces of Stone”, o blues-jazz arrepiante de “The Girl in the Yellow Dress”, pitadas de jazz moderno na faixa-título, e até um certo ar-Fab Four em “Dancing Right in Front of Me”, e o melhor fica para os ótimos momentos instrumentais quando a guitarra de Gilmour predomina soberanamente nas caixas de som, seja nas instrumentais “And Then …” e “Beauty”, na baladaça “5 A. M.”, ou na linda “In Any Tongue”, para mim a melhor do disco. “A Boat Lies Waiting” e “Today” acabam sendo desnecessárias, mas não tiram os méritos de classificar Rattle That Locke como um ótimo disco, que muitos vão dizer que dá sono, mas para esses, um singelo “vão catar coquinho” é minha frase.


Marco Gaspari: A guitarra de Gilmour sempre afiada. Temos até um improvável e bem-vindo jazz aqui e ali. Mas nenhuma grande surpresa. É um disco cômodo: uma espécie de ônibus que pegamos para trabalhar todos os dias e que a gente sabe o itinerário de cor. Saudade de quando ele pilotava a guitarra do Pink Floyd para lugares onde nenhum outro jamais esteve. Aquela audácia ele pouco repetiu em sua carreira solo. Ou neste Rattle That Lock. Mas ouço o disco com gratidão e condescendência, pois não deixa de ser um privilégio ter um de seus guitar heroes tentando salvar ouvidos presos nos trilhos da mediocridade que ressoa por aí.


Ulisses Macedo: O novo disco solo do mestre David Gilmour surge quase uma década após o predecessor On an Island (2006), mas suas raízes musicais parecem fincadas no trabalho floydiano dos anos 80 e 90 – assim atesta, por exemplo, a linda “A Boat Lies Waiting”, cuja introdução de piano foi gravada originalmente há 18 anos. O conhecido estilo limpo e deliberado de Gilmour continua em voga, trazendo como destaques “Dancing Right in Front of Me” e “In Any Tongue”, esta última com a deixa para Gilmour solar daquele jeito sensacional que a gente gosta. A surpresa fica para o caso da roqueira faixa-título; só “Today”, lá no fim do disco, chega perto de sua animação. Com canções que vão desde a melancólica “Faces of Stone” até a jazzística “The Girl in the Yellow Dress”, vê-se que Rattle That Lock tem uma boa variação, do tipo “tem pra todo mundo”, feito para agradar tanto quem já é fã do guitarrista como quem quer deseja conhecê-lo. Suficiente para o meu selo de aprovação aqui no Test Drive.



5 Comentarios

  1. André Kaminski disse:

    Marco disse uma coisa perfeita sobre Gilmour: falta audácia em sua carreira solo, coisa que sobrava nele no Pink Floyd.

    Não sei se concorda comigo Marco, mas eu sempre acreditei que essa ousadia de Gilmour no Pink Floyd se devesse muito aos outros integrantes. Ele é um guitarrista espetacular, o meu favorito. Mas isso desconsiderando seus discos solos (considero On An Island superior a este disco).

    • Marco Gaspari disse:

      Eu achei o disco acomodado e de uma preguiça imensa. Mas relevo porque o Gilmour foi um monstro, importante demais na minha vida de fã. Vai ver foi até ousadia ele arriscar um jazz, hehe…

      • André Kaminski disse:

        Eu também sou fã demais desse sujeito. Não sei se sou eu pedindo muito, mas se tivesse sei lá mais umas duas faixas na mesma pegada de “Rattle That Lock” e “Today” e o Pratt tocasse no disco inteiro… é bem provável que eu estivesse aqui rasgando seda.

  2. No Pink Floyd ele tinha o feitor Roger Waters para estimulá-lo. Ouvi duas vezes o disco e gostei do geral, mesmo tendo a impressao que este é apenas uma continuação do seu disco anterior…
    Esperando ansiosamente pelo show…

  3. Tiago disse:

    Concordo com a maioria dos consultores… este disco captura bem o que Gilmour faz em 2015: descansar sobre os louros. Tem algumas coisas legais, não é um disco ruim, mas não é um trabalho surpreendente. Sinceramente, eu já não esperava grandes coisas.

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