Primator – Involution [2015]

10 de outubro, 2015 | por André Kaminski
Resenha de Álbum
9

Capa-Primator-Involution

Por André Kaminski

O Primator é uma banda que iniciou suas atividades em 2009, provenientes da capital paulistana. Nesses anos de estrada, a banda já tem um certo conhecimento da cena local de São Paulo, visto que já tocaram em vários bares conhecidos da região por abrigar shows de rock tais como o Manifesto, Blackmore e similares.

Após alguns anos tocando covers junto a algumas canções de autoria própria, a banda decidiu colocar o seu primeiro disco próprio no mercado que é justamente este Involution. Contendo material inspirado em “A Origem das Espécies” de Charles Darwin, a proposta dos caras é fazer um heavy metal tradicional, porém, com produção mais moderna e que se afaste um tanto da cena oitentista. Com Rodrigo Sinopoli (vocal) compondo as letras e todo o restante da banda compondo o instrumental formado por Márcio Dassié (guitarra), Diego Lima (guitarra), André dos Anjos (baixo) e Alexandre Birão (bateria), a banda apresenta um bom catálogo de canções para aqueles que buscam um heavy metal mais moderno e sem muitas firulas, trazendo peso e ótimos riffs para quem curte banguear sem muito compromisso.

Logo na abertura com “Primator” já aparece uma grande parede de guitarras e baixo, com muitos agudos de Sinopoli e bons solos de guitarra de Márcio Dassié. A trinca de guitarra base-baixo-bateria é bem consistente e mantém uma boa pegada durante toda a canção. “Deadland” começa com mais agudos de Sinopoli em uma canção um pouco mais cadenciada e que gostei de ver boas variações do baixo de André Anjos. A terceira música chamada “Flames of Hades” foi bem no ponto, tem um refrão forte e bacana, os vocais de apoio de Dassié e Birão deram um jeitão de épico na canção. A próxima canção engana quem pensa que seria uma balada. “Caroline” é uma canção que retrata uma bruxa. Tem um jeito mais ponderado, mas com uma letra ácida. Parece bem o tipo de canção que seria composta por Jon Schaffer do Iced Earth.

“Black Tormentor” segue a cartilha do heavy metal mais moderno, com mais velocidade e bateria acertando muito os pratos. “Let Me Live Again” lembra muito as músicas mais atuais do Iron Maiden, com introdução calma e até mesmo Sinopoli cantando de maneira similar a Dickinson. Porém, achei que a canção não beneficiou muito o desempenho do vocalista. “Face the Death” e “Erase the Rainbow” são músicas que lembram mais o Iced Earth noventista, por sinal, a banda em que o instrumental mais me pareceu se assemelhar. Uma introdução de baixo, ótimos riffs e uma fritada de guitarra iniciam “Praying for Nothing”, a faixa que mais gostei no disco. Os riffs são curtos e bem construídos e há um interessante solo de bateria na metade final dela. A mais bem trabalhada ficou para o fechamento: “Involution” traz uma mensagem até bem pessimista em sua letra sobre a “involução” ao qual passamos em termos de guerra e crueldade. Parece se encaixar bem com a atual situação que muitas pessoas tem passado com as atrocidades que o Estado Islâmico vem causando no Oriente Médio.

Primator_2015Low

Márcio Dassié (guitarra), Rodrigo Sinopoli (vocal), André dos Anjos (baixo), Alexandre Birão (bateria) e Diego Lima (guitarra)

De um ponto de vista geral, a banda se saiu bem neste primeiro trabalho. O instrumental é simples, mas bastante sólido e competente e os riffs em sua maioria bem feitos. As letras também foram boas e trouxe grande variedade de temas diferentes, embora o pessimismo e a crítica social seja recorrente em todo o disco. Infelizmente, o Primator me parece sofrer do mesmo mal de várias outras bandas brasileiras do mesmo estilo que é apresentar vocais cheios de agudos e notas esticadas. Sinopoli faz uma mistura de Rob Halford com Geoff Tate (inclusive na aparência) em praticamente todo o disco. Não tem como falar do poder vocal do cara, é imenso. Mas acaba afastando muito a quem tem aversão a esse tipo de voz o que acaba limitando bastante o público que venha a se interessar por eles. Seria melhor se desse uma maneirada nesses agudos.

Pelo que pude acompanhar dos caras, estão trabalhando duro e botando a cara na estrada, divulgando bastante o seu trabalho e sem esperar muito em troca. Isso é bom porque a tendência é ser esquecido caso não chamem a atenção para si. Desejo sorte a eles e o cd estará bem guardado aqui na minha coleção.

Tracklist

  1. Primator
  2. Deadland
  3. Flames of Hades
  4. Caroline
  5. Black Tormentor
  6. Let Me Live Again
  7. Face the Death
  8. Erase the Rainbow
  9. Praying for Nothing
  10. Involution



9 Comentarios

  1. Marckus disse:

    Ouvi a “Face the Death” e achei muito legal, parece promissora. Só achei a capa e a logo meio genéricas, mas ainda assim é um bom trabalho.

    • Erick Cordeiro disse:

      De pleno acordo.Realmente eles poderiam dar uma melhorada no logo e,principalmente,deveriam ter feito uma capa menos ‘normal’.Em relação ao som do Primator,eu achei legalzinho,Rodrigo Sinopoli tem um alcance vocal interessante.No mais é um boa banda para quem curte Metal.Lembrando que eu não gosto deste tipo de metal,prefiro o Metal progressivo e OLHE LÁ!,então..é isso.

      • André Kaminski disse:

        A capa é bem daquelas produções mais “pouco orçamento” dos anos 80, mas a sonoridade deles é bem atual. Eles tem ainda um longo caminho a percorrer, mas torço pelos caras e pelo metal nacional em si. Abraços!

  2. Marco Gaspari disse:

    Vi alguns videos disponíveis no youtube. Face the death é muito legal. Mas não sei o por que da implicância com a voz do Sinapoli. Imagino que achar um cantor por aqui com esse alcance vocal não é tarefa fácil. E convenhamos, ficar ruminando e grunhindo as palavras como uma pá de cantores de seiláoquê metal é um porre de pinga vagabunda.

    • André Kaminski disse:

      Então Marco, o problema que eu vejo é a parte do exagero. Não que a voz do Sinopoli seja um defeito, longe disso, é um poder vocal incrível. O problema maior que vejo é na forma de cantar que pode fazer com que muitos se afastem, o que eu lamentaria muito se ocorresse.

      • Marckus disse:

        Eu curto vocais agudos, King Diamond não me deixa mentir. Nunca achei vocais agudos um problema, mas uma grande parte do pessoal que curte metal tem dificuldade de assimilar esse tipo vocal. É aquele negócio, ou você ama ou odeia.

    • Erick Cordeiro disse:

      De fato.O alcance vocal de Sinopoli é raro nesse país.Tem uns caras aí que grita igual uma galinha sendo abduzida por ets do Hawaii e isso é extremamente chato!Graças ao Grande Arquiteto do Universo existe vocais interessantes AINDA neste Brasil!!O vocal de Sinopoli não é nenhum néctar dos Deuses do cume do Olimpo,mas,como eu disse anteriormente,é deveras interessante!Bom,só para dar uma acrescentadinha básica,eu indico o álbum a seguir para quem quer se deliciar com vozes deliciosas – e melodias emblemáticas -,vá no link! —-https://youtu.be/L54EhlzOXNQ—-

  3. Fernando Bueno disse:

    O problema que achei da voz e que em alguns casos eles desafina ou sai do tom da música…

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