Tesla – Simplicity [2014]

8 de junho, 2016 | por maironmachado
Resenha de Álbum
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Por Mairon Machado

Com o passar do tempo, nosso gosto musical vai sendo adaptado a partir da maturidade que vamos adquirindo, assim como os conhecimentos de bandas e artistas de diversos estilos. Particularmente, no final da década de 80 e início de 90, quando se falava de nomes que eu gostava no hard rock da época, cinco nomes sempre estavam presentes: Guns N’ Roses, Skid Row, Firehouse, W. A. S. P. e Tesla.

Enquanto os dois primeiros eram gigantes da cena hard mundial, o Firehouse ainda mantinha uma linha mais farofa (assim como o Poison, por exemplo) onde o vinil de estreia do grupo, de 1990, rolava solto no toca-discos do meu pai (Micael, tu ainda tens ele?). O W. A. S. P. era uma banda mais pesada, com pitadas “satânicas”, que divergia bastante de outras bandas do estilo, e o Tesla era uma bandinha mais comum, com um clipe que rolava direto na MTV (“Love Song”) e que eu curtia bastante a imagem da banda, mais ligada ao Southern Rock, apesar de conhecer poucas músicas da mesma.

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Jeff Keith, Brian Wheat, Tommy Skeoch, Troy Luccketta e Frank Hannon em 1991, a formação clássica do Tesla

O grupo fez sucesso entre 1986 e 1991, com o lançamento de três belos discos pouco citados pelos admiradores do estilo, a saber Mechanical Resonance (1986), The Great Radio Controversy (1989) e o aclamadíssimo Psychotic Supper (1991), levados pela voz de Jeff Keith e as guitarras de Tommy Skeoch e Frank Hannon. Depois de Bust a Nut (1994), talvez o melhor disco da banda, Skeoch abandonou o grupo para tratar-se de seu vício com drogas, e o Tesla acabou durante um período de seis anos, até reunirem-se em 2000, e com o lançamento de Replugged Live (2001), definir um retorno aos estúdios, com o trio acima e mais outros dois membros importantes no quinteto, Brian Wheat (baixo) e Troy Luccketta (bateria), os quais fizeram parte do auge da carreira da banda.

Desde então, o Tesla vem vez por outra trazendo um novo lançamento, com Into the Now (2004), último com Skeoch, e Forever More (2008), além dos ótimos discos de covers Real to Reel Vol. 1 e Vol. 2, ambos de 2007 e  já com Dave Rude no lugar de Skeoch.

Essa nova formação demorou seis anos para registrar o oitavo álbum, Simplicity, o qual chegou às lojas em 10 de junho de 2014, vendendo mais de quinze mil cópias em apenas uma semana nos Estados Unidos, mostrando como os fãs estavam ávidos e saudosos das linhas bluesy e das baladas certeiras que o grupo criou nos seus quase trinta anos de carreira.

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Dave Rude, Troy Luccketta, Jeff Keith, Brian Wheat e Frank Hannon

Esses fãs irão adorar a sensacional “Cross My Heart”, onde o piano de Hannon chama a atenção em uma canção alegre com grandes pitadas de blues, e que irá atiçar os ouvidos, piano esse que também está presente na balada “Life is a River”, a canção mais Aerosmith que o Aerosmith nunca gravou. E esse é o grande mérito de Simplicity: a capacidade de alternar entre momentos pesados e leves com naturalidade, a começar com a importante criação para os saudosistas e que abre o disco, trazendo uma homenagem ao vinil com o som da agulha apresentando a paulada “MP3”, uma canção pesada, para botar o pescoço para quebrar sem piedade, e com a voz marcante de Keith rasgando as caixas de som e cantando uma letra muito boa, que prima por valorizar o velho LP e a realidade do que a simplicidade do MP3 e da vida virtual. O baixão de Wheat introduz “Sympathy”, paulada perfeita com o wah-wah despejado sem piedade no solo final, e também “Rise and Fall”, outra com a presença marcante de Keith e ainda com uma interessante passagem de guitarras gêmeas.

Simplicity então segue massageando os ouvidos, desde os hards oitentistas como “Ricochet”, com belos solos de guitarra que irão alegrar aos fãs de Skid Row e Guns N’ Roses, a grungeana “Time Bomb”, trazendo distorção em excesso no riff central, e baladaças espetaculares em “So Divine …”, faixa com um bom andamento acústico em seu início, mas transformando-se em um hard moderno inimaginável para uma banda tão experiente, com mais um belo solo de guitarra, o bonito dedilhado em “Burnout to Fade”, a singela “Other Than Me” e principalmente “Honestly”, candidata a hit e que virou um dos símbolos de como criar uma balada grudenta a la anos 80 durante o século XXI.

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Jeff Keith, Frank Hannon, Brian Wheat, Dave Rude e Troy Luccketta em 2014

Destaca-se ainda o estilo southern dos violões na pegada “Flip Side!”, sonzeira com um riff pesado, refrão grudento e viajantes solos de slide, a ótima “Break of Dawn”,  onde a guitarra de Rude mostra que apesar de ser um ícone, Skeoch não está fazendo falta para o Tesla, e “‘Till the Day”, mais uma balada, levada dessa vez pelo violão, percussão e o vocal rasgado de Keith, além de pitadas de piano e um delicado solo de slide guitar, que encerra um disco para ser ouvido e reouvido diversas vezes na semana.

Simplicity mostra a simplicidade de uma banda longeva, sendo um belo disco que foge dos padrões atuais do hard, e que resgata o prazer de ouvir música sem ser nostálgico. Apesar de não ser dos estilos que mais ouço hoje em dia, é muito bom ouvir algo tão bom de um dos principais nomes da cena hardeira dos anos 80, e que diferente dos outros gigantes citados lá no início, mostram que mesmo longe da mídia souberam manter-se em cena com muito talento e capacidade de renovar-se a si mesmo.

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Contra capa do álbum

Track list

  1. M. P. 3.
  2. Ricochet
  3. Rise and Fall
  4. So Divine …
  5. Cross My Heart
  6. Honestly
  7. Flip Side!
  8. Other Than Me
  9. Break of Dawn
  10. Burnout to Fade
  11. Life is a River
  12. Sympathy
  13. Time Bomb
  14. ‘Til that Day



5 Comentarios

  1. Tiago Bittencourt França disse:

    Apesar de ser um bom disco, achei muito fraco se comparado à fase clássica da banda. Mais fraco inclusive que os dois anteriores, Into the Now e Forever More. As faixas pesadas são empolgantes, mas as baladas aparecem em abundância tirando muito da potência do disco. Eu sei que o Tesla é famoso pelas baladas bem feitas mas não precisava tanto. Comprei assim que saiu pois sou fã, mas infelizmente não se tornou álbum de cabeceira, ouvi umas duas ou três vezes e já foi pra estante.

  2. maironmachado disse:

    Obrigado pelo comentário Tiago. Eu curti muito o Simplicity, e não coloco ele no mesmo balaio que o Into the Now e o Forver More. Claro que nunca será um Bust a Nut ou um Psychotic, mas consigo ouvir ele com muito mais frequência que os outros discos da banda.

    Abraços

    • Tiago Bittencourt França disse:

      De nada Mairon. Meu preferido deles é o Mechanical Ressonance. Me lembro que na época o Tesla corria meio que na contramão das outras bandas Hard/ Glam (embora eu curta muito essas bandas). Eles possuiam um visual mais sóbrio sem maquiagens e cabelos armados e o som tinha uma pegada bem southern mesclado com hardão 70 e metal. Quanto ao Simplicity, não consegui curtir tanto quanto você meu amigo, te confesso que tentei, mas minha expectativa era muito alta, e somado àquele velho papo de que o som seria mais voltado para o hard clássico dos álbuns antigos, mas não foi de fato o que aconteceu na minha opinião, faltou peso. Bom é isso, parabéns pela resenha. Abraço!

  3. Francisco Leite disse:

    Com certeza é um disco excelente, mesmo tendo muitas baladas. Tesla é uma banda que nunca decepciona.

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