Entrevista Exclusiva: Felipe Andreoli

26 de julho, 2016 | por Thiago Reis
Entrevistas
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Por Thiago Reis

* Fotos do facebook oficial do músico

Nosso entrevistado desse mês é o superbaixista Felipe Andreoli. Famoso pelos seus trabalhos com o Angra, Felipe conta um pouco sobre suas experiências com o grupo, bem como o andamento de seus projetos paralelos, como workshops e shows com o Tributo a Yngwie Malmsteen.


1) Thiago Reis (TR): Em primeiro lugar gostaria de saber o feedback do público diante da turnê em comemoração dos 20 anos do Holy Land. Imagino que seja emocionante tocar esse disco na íntegra pela sua historia, musicalidade, clima, etc.

Felipe Andreolli (FA) : Tem sido muito legal, pois adoro esse disco, pessoalmente acho um dos melhores da banda e o público tem um carinho especial por esse álbum. E a gente tem tido bons momentos executando esse disco na íntegra. E é um disco difícil de executar, pois é um disco com muitas partes, muitas texturas e tem momentos que parece que o show dá uma “amornada”, tanto que antes executávamos o disco inteiro no começo do show e sentimos que se tivéssemos algumas músicas fortes no início do show e depois entrássemos com o Holy Land, daria um balanço melhor para o show. E aí vamos encontrando a melhor maneira de executar esse disco na íntegra, sem perder a força do show. Mas as musicas são incríveis e estamos bem contentes com a turnê.

Com o Angra, em um show recente em BH

Com o Angra, em um show recente em BH

2) TR: Falando ainda sobre a nova Tour, em breve o Angra embarcará para o Velho Continente, para uma série de shows bem interessante com 14 apresentações confirmadas, sendo sete na Alemanha, três na Itália e quatro na Espanha. Como está a expectativa da banda para esses shows, já que serão os primeiros do Marcelo Barbosa fora do Brasil com a banda? Além disso, nas apresentações na Alemanha, vocês dividirão o palco com a cantora Tarja Turunen. Existe a possibilidade de uma participação dela nos shows do Angra? Teremos shows da banda na Ásia, já que o Japão é um grande mercado para a banda?

FA: Bom, não é o primeiro show do Barbosa com o Angra fora do Brasil, ele já fez a Indonésia com a gente. E na Europa faremos quatro datas na Espanha, uma ou duas na França, sete na Alemanha e três na Itália. Na Alemanha, como você disse, dividiremos o palco com a Tarja, que vai ser um lance muito legal, já que a gente não vai há muitos anos na Alemanha em turnê. Estivemos no Wacken 2015, mas a ultima turnê por lá acredito que tenha sido em 2007. E a Tarja tem um público excelente na Alemanha e teremos a chance de tocar para um grande público por lá. A ultima turnê na Europa foi com o Aqua, onde fizemos por volta de 15 datas, mas eu acho que agora será uma turnê mais forte, pela forma como tudo vem sendo montado, temos também um disco mais forte nas mãos, acho que estamos em uma posição melhor para fazer essa turnê e estamos bem animados.

3) TR: Passado o lançamento do disco Secret Garden, quais são as suas conclusões acerca de todo o processo de composição, gravação, mixagem etc? Pretendem gravar o próximo álbum fora do país também?

FA: A minha impressão do disco hoje é a melhor possível, acho que acertamos em cheio nas composições, quanto na escolha dos produtores, tenho muita vontade de trabalhar com Jen Brugen novamente, acredito que ele captou muito bem a essência do som da banda e o trabalho dele realmente foi impecável e se tivermos a chance, pelo menos por mim, gravaríamos novamente com ele.

4) TR: Dentro de sua discografia junto ao Angra, onde se colocaria o álbum Secret Garden? Talvez o mais maduro da banda em termos de composição?

FA: Difícil de dizer se é o mais maduro, com certeza nós somos músicos mais maduros, a cada ano que passa, mas por exemplo quando escuto Temple of Shadows (2004), acho um disco super maduro, quando escuto o Holy Land (1996) também acho um disco muito maduro também. Isso tem a ver também com a época mais do que com a maturidade, porque às vezes você tem essa maturidade, mas não está em um bom momento ou não está no máximo, de repente a banda está passando por problemas que afetam todo esse processo. E nem sempre a maturidade é boa para a composição de um disco. Às vezes você pega discos de quando os caras eram muito jovens e você percebe que aquela vontade, aquela garra, que é típica do jovem que não é tão maduro assim se transfere para o disco de uma maneira muito forte. Então se é o mais maduro da banda eu não sei, mas com certeza a banda estava muito mais madura no Secret Garden em todos os aspectos, não só nas composições, mas também no relacionamento e em tudo que envolve a banda.

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5) TR: Um sonho antigo do Angra é gravar um álbum acústico e possivelmente isso aconteça esse ano. Se você pudesse escolher um convidado especial e uma música que não pode de jeito nenhum ficar de fora do set list quais seriam as suas escolhas?

FA: Não sei sobre o acústico, esse é um plano que estava alinhado, mas ele ainda não é uma realidade, ele depende muitos fatores para acontecer. Talvez não seja o melhor momento, a gente ainda está vendo como fazer. Se for para sonhar alto, eu convidaria o Sting e uma música que não poderia ficar de fora é a Late Redemption.

6) TR: Falando um pouco de seus projetos fora do Angra, temos o 4 Action e o tributo a Malmsteen. Você poderia apresentar aos nossos leitores um resumo de cada um desses projetos?

FA: Eu tenho alguns projetos fora do Angra, além do projeto solo do Kiko, que está meio engavetado agora por causa do Megadeth. Tem ainda o 4 Action, que atualmente é o meu principal projeto fora do Angra, um trabalho instrumental que conta com Alexandre Aposan (bateria), Roger Franco (guitarra) e Sidney Carvalho (guitarra) e já gravamos um DVD em San Fransisco na California no ano de 2013 e gravaremos mais um DVD esse ano no Brasil, provavelmente em Belo Horizonte. O Tributo ao Malmsteen, que conta com Edu Ardanuy (guitarra), Bruno Sutter (vocal) e Alexandre Aposan (bateria), e é o que está mais corrente, nós faremos o primeiro show no Manifesto em São Paulo agora em Julho e estamos super empolgados e a procura por esse projeto tem sido incrível, nós não imaginávamos que as pessoas iriam se interessar tanto para levar esse projeto para vários cantos do Brasil. Fora isso, estou em uma banda chamada One Arm Away, que vai lançar vídeo clipe e um disco e conta com Antônio Araujo, Edu Garcia e Rodrigo Fantoni. Além disso, estou em uma banda que toca grandes sucessos dos anos 80 e 90 que se chama Heavy Pop e conta com Marcelo Barbosa (guitarra), Bruno Valverde (bateria) e Alírio Netto (vocal). E fora tudo isso já mencionado, estou compondo meu disco solo, que eu espero que saia entre o final desse ano e começo do ano que vem.

7) Você também participa do Bittencourt Project, projeto solo do guitarrista Rafael Bittencourt. Em seu ponto de vista, quais seriam as principais diferenças entre trabalhar com ele no Angra e no Bittencourt Project?

FA: Bom, eu não sou mais o baixista do Bittencourt Project , agora quem toca no Bittencourt Project é o Fernando Nunes, um grande baixista e que praticamente dividiu as gravações do Brainworms I comigo na época. O Rafael é igual no Angra e no Bittencourt Project, aquele jeito bem criativo dele, com idéias malucas. No Bittencourt Project ele consegue dar mais vazão a essas idéias do que no Angra, pela pressão que o Angra sofre, de manter um estilo. Mas eu gosto muito muito do som o Bittencourt Project e de vez em quando faço uma participação especial, quando o Fernando está impossibilitado.

8) TR: Além de baixista do Angra e dos projetos já citados, você ministra diversos workshops Brasil afora. Quais são as principais diferenças em termos de preparação e concentração para se apresentar com uma banda e em um workshop, onde você tem que falar, explicar, tocar alguma coisa que o público pede etc?

FA: O workshop é bem diferente, porque você fica numa lupa, tudo o que você faz fica bem mais em evidência, até por uma questão de mixagem. Quando toco em um workshop, eu coloco o volume do playback muito menor do que seria uma banda, então o baixo fica muito mais em evidência, e isso é muito legal, pois as pessoas conseguem escutar os arranjos realmente como são, que por vezes ficam escondidos no show ou na mixagem final de um disco. E tenho a oportunidade também de explicar qual é o meu approach de composição, como é o meu som, meu equipamento, como é viajar, fazer turnê, o que fazer para ser um bom profissional, e por esses motivos adoro fazer workshops.

Em um ensaio com o Tributo à Yngwie Malmsteen

Em um ensaio com o Tributo à Yngwie Malmsteen

9) TR: Quais são os maiores anseios profissionais de Felipe Andreoli? O que você ainda não conquistou e que ainda sonha em conseguir?

FA: Muita coisa! O céu é o limite, tenho vontade de tocar em muitos lugares ainda, com muitas pessoas. E especialmente tenho vontade de alavancar a minha carreira solo, que não queira tocar nos meus outros projetos e no Angra, mas é que tem um lado musical meu que ainda não foi explorado, então acho que tenho muito a mostrar, um som meu, que não apareceu no Angra, nem no 4 Action, em nenhum projeto que já fiz parte. E é nisso que estou trabalhando no momento. E também estou trabalhando em uma maneira de conciliar o lance didático com as turnês. Esse é um grande problema quando estou em turnê, não consigo uma consistência de datas para dar aula, então estou trabalhando nisso também.

10) TR: Lhe agradeço o tempo concedido e peço que mande um recado a nossos leitores.

FA:  Galera, muito obrigado por terem lido, por participar e a gente se encontra em um show por aí. Se quiserem saber mais sobre a minha carreira, acessem: http://felipeandreoli.com/. Também estou no facebook , também estou no instagram e no twitter, e se quiserem saber sobre as próximas datas do Angra, acessem nosso site oficial. Gostaria de agradecer também aos meus patrocinadores, pessoal que me apóia, que é fundamental para mim, são eles: Ibanez, D’Addario, Epifani, NIG, BOSS, Darkglass Eletronics, GruVGear, Pedal Train, Seymour Duncan, Eventide, Capcase, Xtreme Ears e Guitargrip.



4 Comentarios

  1. André Kaminski disse:

    Me interessei por esse novo projeto dele One Arm Away. Alírio Neto é um dos melhores vocalistas do Brasil.

    Quanto Andreoli, infelizmente eu o acho muito apagado no Angra e prejudicado pelas produções dos álbuns. Acho que ele apareceu melhor na época do Almah e nos discos que tocou com o Kiko Loureiro (que é curioso por ser um disco de guitarrista).

    E para variar, mais uma entrevista do sujeito mais bem relacionado do nosso site. Grande Thiago!

    • Thiago Reis disse:

      Muito obrigado, André! Eu pessoalmente gosto muito dos trabalhos do Felipe no Temple of Shadows e Hunters and Prey. Quanto a ser bem relacionado, quem sabe um dia né rsrsr. abração!!

  2. Marco Gaspari disse:

    Muito legal, Thiago.

  3. Eudes Baima disse:

    Mais uma vez, parabéns, Thiago. Ótima entrevista.

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