War Room: Ulysses Siren – Above the Ashes [2003]

15 de agosto, 2016 | por Ulisses Macedo
War Room
7

R-3411875-1339083072-1280.jpeg

Por Ulisses Macedo

Participação especial de Mairon Machado e Ronaldo Rodrigues

Mais um War Room e, pela primeira vez, indico um disco para esta seção. O Ulysses Siren é uma banda de thrash da Bay Area formada em 1983 por Steve Pickering (guitarra) e Manuel “Manny” Lopez (vocal), pouco depois que estes terminaram o ensino médio. Steve Heuser (bateria), J.R. Clegg (guitarra, baixo), Jon Torres (guitarra, baixo) e Joe Jimenez (baixo) completavam o time e deixaram registradas as demos Terrorist Attack (1985) e Demo ’87 (1987), que em 2003 foram compiladas pela Relentless Records neste Above the Ashes. Apesar de ter indicado o disco, até o momento do War Room eu também não o havia ouvido. Havia “guardado-o” para ouvir depois após me interessar pelo nome da banda e pelas boas indicações. O momento oportuno do War Room revelou uma audição recompensadora!


95150

A demo de Terrorist Attack


1. Terrorist Attack

Mairon: Porra Ulisses, tu ouvindo Slayer dos bons tempos? Surpreendente

Ronaldo: Senti caças voando sobre a minha cabeça

Mairon: Hauauhauhaua. Cara, muito bom. Que ano é isso?

Ronaldo: Quando entram quebras de ritmo tudo soa tão melhor, mas o som de serrote no liquidificador tem predominado nessa faixa

Ulisses: Lembrando que isso é uma compilação lançada em 2003, composta por duas demos: Terrorist Attack de 1985 e Demo ’87 de 1987.

Ronaldo: A distorção das guitarras é fantástica, muito poderosa, e o vocal, ainda que não seja a minha predileção, cai bem pro som, bem agressivo

Mairon: Cara, é o auge do Thrash Metal. Os caras são da bay area. Como se fazia som bom nessa época. Esse tipo de vocal, sem ser gutural, me agrada bastante

Ulisses: Até agora isso tem sido bem menos cansativo do que o speed/thrash metal costuma ser, pelo menos para mim.

Ronaldo: Ainda que seja muito rápido, tem bastante groove, algo que acho positivo e 90% das bandas de metal não tem

Mairon: Percebe-se um grande trabalho nas guitarras.

Ulisses: Olha a pontezinha riffada dando início a uma seção de quebradeira. Adorei.

Mairon: Os melhores momentos de Possessed e Slayer estão nessa faixa. Que coisa linda e sensacional Ulisses. A banda que criaram em seu nome é muito boa (pelo menos essa primeira faixa)

Ronaldo: A base do solo dessa canção é muito bem bolada, mas realmente esse ritmo de rolo compressor é duro de encarar…. rs


2. The Reich

Mairon: E segue a pancadaria

Ronaldo: A bateria parece que faz uma marcha mega acelerada…baterista violento e insano, na linha do Dave Lombardo

Mairon: Que baita trabalho das guitarras cara, estou impressionado. Slayer certamente era a inspiração para esses seres.

Ulisses: As guitarras e o andamento me lembram a fase thrash do Manilla Road, em especial The Deluge (1986).

Mairon: É um quarteto né?

Ulisses: Parece que sim, Mairon.

Ronaldo: Pra mim o grande pecado dessa banda é tocar tudo muito rápido. Repleto de boas ideias, mas o pé vai muito fundo no acelerador

Mairon: Cara, que sonzeira. Melhor que 80% do que tem aparecido nas listas de Melhores de Todos os Tempos na ala metálica. Muito bom Ulisses, muito bom.

Ulisses: Hum, segundo o discogs acho que é quinteto mesmo. No total, 3 guitarristas participaram das músicas gravadas.

Mairon: Estranho, por que não mostra quem são os guitarristas de A1 – A3. Eu gosto dessa velocidade, já que é feita com identificação de cada instrumento. O brabo é quando a coisa não dá para diferenciar nada

Ulisses: Guitar – J.R. Clegg, Jon Torres (tracks: B1 to B2), Steve Pickering (2) (tracks: B1 to B4). No discogs tá assim.

Mairon: Pois é, eu vi.

Ronaldo: Convenção fantástica entre a bateria e guitarras…o baixo se destaca nessa faixa

Ulisses: Baixo audível é uma coisa linda mesmo.


3, Lake of Fire

Mairon: Cara, é Slayer puro isso cara. Sensacional

Ronaldo: Pela introdução, até achei que fosse gostar mais dessa música, mas aí tudo vira um pasmaceira ultra veloz, que começa a me cansar. A distorção das guitarras me excita nessa banda, mas o conjunto já está se mostrando muito previsível, ainda que tenha ótimas ideias.

Ulisses: Até agora eu estou me divertindo. E olha que não sou tão chegado em thrash.

Mairon: Eu também. Desse tipo de Thrash eu curto. Só me encuca a questão da composição da banda. Eu ainda acho que é um quarteto. Muito boa essa faixa, gostei pacas.

Ronaldo: Agora veio uma ótima ponte…uma passagem realmente interessante…mas novamente, deixada de lado para dar lugar a mais um exercício de bpm e campeonato de palhetadas

Mairon: AHUHUUHUHUAHUAHUAHUA

Ronaldo: Solo de guitarra muito bom, alternado entre as duas guitarras

Mairon: Achei, é um quinteto mesmo. Ulysses Siren – Encyclopaedia Metallum: The Metal Archives metal-archives.com

Ulisses: Olha a página das demos no no Metal Archives, Mairon, parece ser um quinteto mesmo. http://www.metal-archives.com/bands/Ulysses_Siren/9079.

Mairon: Porra Ulisses, estamos com transmissão de pensamento, ahauhaua. Tenho impresão que a coisa muda com a outra demo.

R-7936999-1452009830-4761.jpeg

Contra-capa do CD


95147

A demo de 1987

4. Leviathan

Mairon: Bah, taí, esperava algo bem diferente, e aí vem, peso pacas e menos velocidade

Ronaldo: Ótimo começo, uma levada bem interessante! É como se fosse um boogie extremamente pesado, com uma ótima dobra de guitarras

Ulisses: Essa faixa tem menos de 2 minutos. É só uma riffagem mais lenta.

Mairon: Bom, só para insistir na formação. A primeira demo é um quinteto, mas com duas guitarras, e cara, que sonzeira


5. Above the Ashes

Mairon: Porra, é o Tom Araya.

Ulisses: Já começou com aquele tipo de grito que eu adoro

Ronaldo: Entrou até um trechinho de violão que ia dar um tremendo tempero…mas já foi atropelado pelas guitarras, coitado.

Mairon: Na segunda também temos um quinteto, novamente com três guitarras.

Ronaldo: Bem, as fórmulas das primeiras músicas voltam.

Mairon: Manuel Lopez é apenas vocalista.

Ulisses: Ótima faixa pra bater cabeça, com intervenções legais da guitarra solo.

Mairon: Quanto a canção em si, voltou a primeira demo, mas acho que agora ficou mais trabalhada a parte instrumental.

Ronaldo: É algo que me parece que só funciona pra aficcionados. Não julgo quem seja, eu tenho as minhas aficções, mas não são com esse tipo de som.

Mairon: Cara, esses solos de guitarra são muito bons. E Ronaldo, quando é bem feito, nessa linha, curto pacas

Ulisses: Sim, é tão bom quanto as duas guitarras se diferenciam, uma complementa a outra.

Mairon: É o que chamamos aqui no Sul de “Música de Macho”

Ulisses: Outro agudo, caralho!

Mairon: Que guitarrista bem bom cara.


6. The Resurrection

Ulisses: Solinho de baixo antes de entrar na pancada :v

Mairon: Olha o baixo aí. Pelo que li, os dois guitarristas revezam-se no baixo

Ronaldo: Uma bela introdução, mas novamente…todas as partes vocais são basicamente iguais, tanto na forma de cantar, como nas levadas que conduzem a voz, com uma ou outra exceção.

Mairon: Essa faixa eu não curti tanto, mas não dá para rejeitar esse trabalho instrumental, e novamente, as influências fortíssimas do Slayer de Hell Awaits.

Ronaldo: Agora, é de se louvar – poucas bandas de metal tem baixistas que se destacam, ou ao menos um som de baixo dignamente presente.

Ulisses: O baixo e a bateria estão bem legais nessa faixa. Bumbo duplo tremendo.

Mairon: Lembrando, Ronaldo, que o baixo é tocado pelos guitarristas.

Ronaldo: A banda é muito boa, todos muito técnicos, mas poderiam variar mais a forma de fazer música. Dá pra ser pesado sem se repetir tanto, e pois é, Mairon…os caras cumprem muito bem esse papel!

Mairon: Raramente um guitarrista consegue se sair tão bem no baixo né? O contrário é mais comum

Ronaldo: Conheço poucos casos assim pra dizer.

Mairon: Tem umas passagens bem intricadas nessa música que fazem a faixa valer a pena.

Ronaldo: Com certeza.


7. No Trace of Shame

Ulisses: Já estamos na última faixa.

Ronaldo: Aliás, a banda sabe fazer boas introduções e bons finais de música. Gostei de quase todas. No miolo das músicas é que se ficam dando voltas em círculos

Mairon: Fantástica a introdução dessa faixa. Caralho, parei o mundo aqui nessa introdução. Que sensacional

Ronaldo: Essa é rápida, mas se diferencia das demais. Muito mais trabalhada. Melhor faixa até agora.

Mairon: Concordo Ronaldo.

Ulisses: Eles deixaram o melhor pro final, mesmo.

Ronaldo: Aliás, já que é a última, melhor dentre as que escutei.

Ulisses: Olha essa ponte, EITA PORRA!

Ronaldo: Bela mudança de padrão rítmico…wow!

Mairon: Sonzeira disgramada nessa ponte. Muito bem trabalhada. Por que será que não saíram da bay area?? Agudão do caralho

Ulisses: O mundo é injusto pacas

Ronaldo: Os caras tem uma musicalidade muito inteligente. Poderiam ser tão famosos quanto o Metallica.

Mairon: Pois é.

Ronaldo: Ou tocar pra plateias ensandecidas nas noites metal do RiR

Ulisses: Mas eles estão lutando ainda. Lançaram um EP ano passado, depois que terminar aqui vou pegar para ouvir.

Mairon: Caraca, essa segunda virada matou a pau

Ronaldo: Que convenção fantástica entre bateria e baixo…nossa…parecia coisa do Rush.

Ulisses: Esse disco podia se chamar “1001 Maneiras de Bater Cabeça”.

Mairon: AHuahuahauhauahuah

Ronaldo: hahahaha

Ulisses: Cabou, molecada. Muito bom.

Ronaldo: Metal the law is


9079_photo

Comentário finais

Ulisses: Seguinte: Nem lembro como fiquei sabendo desse álbum e banda. Só sei que meu narcisismo me levou a baixar um disco duma banda com o mesmo nome que o meu. E valeu a pena. Thrash bem tocado para os fãs de Slayer, Vio-lence e similares.

Mairon: Disco sensacional. A Bay Area produziu muitas bandas boas de Thrash Metal, e essa é uma das que estão em um nível ainda acima de muitas conhecidas, em termos de qualidade. Fortes inspirações no Slayer da primeira fase, dois guitarristas monstruosos e uma quebradeira de pescoço que fará Fernando Bueno buscar as demos nos confins do e-bay.

Ronaldo: Bem amigos, acho o War Room legal justamente por nos expor a sons que dificilmente ouviríamos voluntariamente. Nunca passaria ou iria atrás de um disco assim, mas a audição foi valiosa. A banda me parece acima da média de outros trabalhos de thrash metal (conheço poucos), com muita musicalidade, ainda que tenha os dois pés firmes em todos os clichês do estilo. Poderia buscar mais diferenciais no som. Mas se é isso que o público realmente quer, eles oferecem. Uma pena esse material tratar-se de uma demo tape, tem uma qualidade pobre de gravação, mas a música é poderosa.

Ulisses: Na verdade, Ronaldo, parece que nesta compilação o som sofreu uma remasterização. Então as demos soavam piores ainda, uahauha.

Mairon: Então imagina como são as demos, hehehe

Ronaldo: Pois é, mas masterização não salva material gravado com poucos recursos, infelizmente. Valeriam ser regravadas essas músicas

Mairon: Valeu pela indicação Ulisses:

Ronaldo: Abraços pessoal.

Ulisses: É isso aí pessoal.



7 Comentarios

  1. maironmachado disse:

    Bela indicação Ulisses. Colecionadores como o Fernando Bueno, se não conhecem esse discaço, devem ir atrás

  2. Ronaldo disse:

    Realmente, galera que gosta do heavy metal oitentista deve procurar esse disco. É ótimo pro estilo.

  3. Marcel disse:

    Nunca tinha ouvido falar, mas já achei um dos melhores sons do Thrash oitentista. Parabéns pela matéria e pela ótima recomendação.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *