Poison – Seven Days Live (1993/2006):

29 de agosto, 2016 | por davipascale
Resenha de DVD
9

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Por Davi Pascale

Seven Days Live ainda é meu vídeo preferido do Poison. Ele não foi gravado no auge do sucesso. E, sim, no auge da banda enquanto banda. Richie Kotzen trouxe uma nova vibe para os músicos que acabou interferindo não apenas no álbum que realizaram juntos, mas também nas apresentações.

Comecei a me ligar no Poison ainda criança. Ouvi Look What The Cat Dragged In, Open Up… And Say Ahhh! e Flesh And Blood pela primeira vez em vinil. Não por status ou por querer parecer cool, mas porque era o formato do momento. Simples assim… A entrada de Richie Kotzen deu uma nova cara para o grupo de L.A. Conhecido por serem uma banda de glam-metal festiva, os músicos começaram a embarcar em um hard rock mais pesado com fortes influencias de blues, funk e soul.

O novo direcionamento tinha algumas razões de ser. Primeiro, a mudança do guitarrista. Saía o sempre animado C.C. Deville para a entrada de Kotzen, um musico com mais técnica, que explorava mais o feeling. Outra razão de ser é a época em que o rock atravessava. Aquela sonoridade hair metal, que o pessoal no Brasil gostava de tirar sarro chamando de rock farofa, estava saindo de cena. O mercado agora estava voltado para o som do rock alternativo que naquela época era conhecido como grunge. Havia uma necessidade de se reinventar, caso quisessem continuar na mídia.

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Capa do VHS da época

Vários artistas que apostavam no hard rock modificaram o seu som na época. Winger, Bon Jovi, The Cult, Warrant… Todos eles, em determinado momento, tentaram vir com nova proposta de som e, algumas vezes, de imagem. Toda mudança é marcada por um recomeço e com essa galera não foi diferente. Tirando Van Halen e Bon Jovi, todos os demais grupos de hard rock abandonaram as arenas e estádios e voltaram a tocar em casas menores. Inclusive o Poison…

Seven Days Live foi gravado no Hammersmith Apollo, na época com o nome de Labatt´s Apollo, uma casa respeitada, onde vários álbuns ao vivo foram gravados, mas longe de ter espaço para um enorme público. A capacidade da casa é próxima de 4.000 pessoas. Uma espécie de HSBC da Inglaterra. O video foi lançado no Brasil, na época do VHS. Mas sua versão em DVD, que chegou ao mercado em 2006, somente edição importada mesmo.

O show mostrava um cenário de transição. Os músicos mantinham alguns elementos de seu velho show (roupa de oncinha, algumas coreografias, etc), ao mesmo tempo em que vinham com novos elementos. Um cenário mais simples, sem rampas, raio lasers, e um pouco mais de improviso. Cenário onde o novo integrante liderava.

Richie Kotzen, ainda um garoto, já chamava a atenção por sua técnica apurada e seu lado showman. O rapaz estava um degrau acima dos demais músicos do conjunto. Demonstrava enorme segurança e inspiração em sua performance. Kotzen deu uma cara sua para as velhas canções, introduzindo novos solos e mantendo sua palhetada característica.

Bret Michaels sempre foi competente, mas bem limitado em termos de alcance. Embora seu trabalho vocal não comprometa, acaba chamando mais a atenção por sua energia no palco e seu lado showman. Rikki Rockett, por outro lado, demonstrava que havia estudado um pouco e se mostrava mais seguro, com menos acrobacias. Além de ter realizado um solo de bateria respeitável.

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Músicos em ação

O repertório mesclava músicas de seu até então recém-lançado álbum, (o ótimo) Native Tongue, com musicas de sua antiga fase. Aquelas que são consideradas essenciais. Dentre essas, vale destacar “Good Love”, com direito à um bom solo de gaita de Bret, além das sempre enérgicas e divertidas “Look What The Cat Dragged In”, “Ride The Wind”, “Uskinny Bop” e “Nothin´ But a Good Time”. Outros ótimos momentos ficam por conta de “Body Talk”, “Seven Days Over You” e “Until Your Suffer Some (Fire & Ice)”.

Bret continuava com seu velho estilo. Correndo de um lado para o outro, dando alguns pulos e tocando a mão da galera que se espremia na frente do palco. Rikki Rockett continuava com seu jeito alegre, girando baqueta, usando boné em algumas musicas e seu velho quepe em outras. Em alguns aspectos, ainda eram o velho Poison de sempre. Poderiam não estar mais com a mesma atenção que tinham, mas a energia continuava intacta.

O Poison continuava realizando um show alegre, enérgico, só que agora mais profissional. Estavam em seu melhor momento enquanto instrumentistas. Tudo parecia apontar para o começo de uma nova fase, mas infelizmente, a parceria com Kotzen duraria pouco e o (bom) músico Blues Saraceno assumiria sua posição (se apresentando, inclusive, com a banda aqui no Brasil como parte do cast do festival Hollywood Rock em 1994). Crack a Smile tentava manter o caminho trilhado em Native Tongue, mas sem o mesmo sucesso. Foi somente depois que o amalucado C.C. Deville retornou ao grupo que a banda voltou a encher arenas e estádios, vindo a registrar, inclusive, um novo DVD ao vivo, mas isso é papo para outro post…

Faixas:

  • The Scream
  • Strike Up The Band
  • Ride The Wind
  • Good Love
  • Body Talk
  • Something to Believe In
  • Stand
  • Fallen Angel
  • Look What The Cat Dragged In
  • Until You Suffer Some (Fire & Ice)
  • 7 Days Over You
  • Uskinny Bop
  • Talk Dirty To Me
  • Every Rose Has It´s Thorn
  • Nothin´ But a Good Time



9 Comentarios

  1. Tiago Bittencourt França disse:

    Ótimo texto. Este Seven Days Live também é o meu vídeo preferido do Poison. As guitarras de CC Deville são eficientes nos álbuns de estúdio, mas ao vivo frequentemente deixam a desejar, inclusive, o solo de mais de dez minutos no álbum ao vivo Swallow This Live chega a ser irritante. Native Tongue é um excelente disco, Richie Kotzen sempre muito técnico e competente elevou a banda a um novo patamar que pode ser claramente evidenciado neste show. Recomendo aos fãs do Hard Rock de qualidade.

    • Davi Pascale disse:

      Obrigado, Tiago. Gostaria de ter escutado mais um álbum dessa parceria, mas infelizmente Kotzen ferrou com tudo ao roubar a mulher do Rikki Rockett hehehe. Gosto do CC Deville, mas concordo que ao vivo deixa a desejar.

      • Tiago Bittencourt França disse:

        É verdade Davi, mas acho que de qualquer forma o Kotzen não duraria para mais um disco com a banda, o nível dele era muito superior aos demais. Gosto muito do Crack a Smile com o Blues Saraceno, já o Hollyweird foi uma decepção pra mim. Abração!!!!

        • Davi Pascale disse:

          Realmente… Também esperava muito mais do Hollyweird. Duas musicas que acho realmente boas (“Devil Woman” e “Rock Star”). O disco, como um todo, realmente era bem fraquinho. O Crack a Smile eu também gosto.

  2. Acho que nunc vi um DVD do Poison. Lembro-me de ter gravado a apresentação citada do Hollywood Rock e assistir com frequencia. Acho Native Tongue o melhor disco do Poison, mesmo sabendo que os anteriores podem até ser mais importantes. Legal Davi!!!

    • Davi Pascale disse:

      Legal Fernando. Cheguei a assistir eles no Hollywood Rock, no Estádio do Morumbi. A apresentação em SP achei mais ou menos. No dia, quem me impressionou mesmo foi o Aerosmith. Estavam em uma puta fase, lançando o Get a Grip e Steven Tyler cantando pra kct. Do Poison, o disco que mais gosto é o Flesh & Blood, mas nos palcos acho essa a melhor fase. Mais entrosados…

  3. Marco Gaspari disse:

    Belo texto, mas com todo o respeito aos fãs do Poison essa fase do Kotzen pode ser definida como “motor de Ferrari em um fusquinha”.

    • Davi Pascale disse:

      kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Gosto do Poison, mas é verdade. Richie Kotzen tem um nível muito acima dos demais. E obrigado pelo ‘belo texto’.

    • Tiago Bittencourt França disse:

      kkkk Melhor definição. Sou fã do Poison, mas sempre achei que a banda original funciona como um todo, os quatro integrantes juntos, pois nenhum deles se destaca individualmente em seus instrumentos.

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