Discografias Comentadas: Lou Reed – Parte I

4 de setembro, 2016 | por Alisson Caetano
Discografias Comentadas
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Reed, em seu figurino mais característico, durante a turnê do disco Transformer.

Reed, em seu figurino mais característico, durante a turnê do disco Transformer.

Por Alisson Caetano

Poucos artistas polarizam opiniões como Lou Reed. Dono de uma imagem marcante, voz alienante, gênio difícil e habilidade com as palavras como poucos, mexeu com o status quo da música em duas épocas distintas e de maneiras tão emblemáticas quanto.

Seu período no Velvet Underground revelaria ao mundo um artista completamente deslocado dos padrões artísticos que perduravam durante os anos 60. Reed era quase um terrorista de idéias perigosas, perto dos temas pacíficos e lisérgicos das bandas britânicas. Sexo, drogas pesadas, prostituição, homossexualismo e qualquer coisa considerada errada foram tratados de maneira crua e com uma profundidade dramática dignos de alguém que tinha como a habilidade poética um atributo tão importante quanto a habilidade musical.

Quando estourou mundialmente com o sucesso comercial de seus discos de glam rock, Reed não apenas apresentou a cartilha básica da androginia e do rock flamboyant, mas também mostrou ao mundo toda uma nova perspectiva para o rock nos anos 70. Cantando para uma geração que clamava pela liberdade de expressão sexual e por hábitos de transgressão, Lou, junto com Mark Bolan e David Bowie, se tornou a referência estética e visual para aquele período.

Em uma carreira com quase 30 lançamentos oficiais, é fácil presumir que boa parte deles ou são ruins ou ficaram abaixo daquilo que de melhor ele compôs em seu auge. Entretanto, quase todos têm algo de relevante ou diferente a dizer a seu público. Sejam suas letras sempre inspiradas, sua voz atípica ou até mesmo sua distinta habilidade com a guitarra.

Meu trabalho durante as próximas semanas é dar mais visão a seus discos, fazendo justiça a grandes peças relegadas pelo grande público, além de apresentar todo este vasto universo à pessoas que nunca sequer deram alguma chance à sua música. Nesta primeira parte, já entramos de cara em seu período áureo, aquele onde Lou alcançou suas habilidades máximas como compositor.


MI0001795376Lou Reed [1972]

A estreia solo de Reed acabou não agradando ninguém. Nem os executivos, que acharam o material nada digno da capacidade de Lou junto ao Velvet Underground, muito menos o próprio Reed, que criticou duramente a produção do disco, considerando-a “metálica e sem alma”. O disco acabou passando desapercebido e vendeu muito pouco na época de seu lançamento, deixando Lou em uma situação pouco confortável quanto ao seu futuro como músico. Se analisarmos quem registrou este disco, pode parecer um absurdo que ele tenha passado batido. Dividindo as guitarras com Lou, estava Steve Howe, que você deve conhecer dos tempos de Yes. Nos teclados, Rick Wakeman, também do Yes. Como nem só de bons músicos é feito um bom disco, esse pequeno detalhe acaba ficando apenas nisto: como um pequeno detalhe. Mas sendo sincero, Lou Reed não é um desastre e está longe de ser um disco descartável. Ele é resultado de uma época onde Reed buscava incessantemente se tornar um rockstar aos moldes de Mick Jagger. Tanto é verdade que em muitos momentos Reed praticamente copia os estilos, trejeitos e até os estilos de composição do mesmo. “Walk and Talk It”, por exemplo, seria uma ótima faixa dos Rolling Stones se cantada por Mick Jagger, enquanto “I Love You” é um country rock muito semelhante à composições feitas naquele mesmo período. Lou Reed não é nem de perto um destaque dentro de sua discografia. Um disco onde as melhores composições são basicamente canções “copiadas” de artistas que Reed pretendia se tornar. De qualquer forma, vale a pena conferi-lo para compreender os períodos iniciais da carreira do músico.


259de20dTransformer [1972]

Existem muitos motivos para que Transformer seja considerado o ponto máximo na carreira solo de Reed, assim como também ser considerado um clássico atemporal do rock – como ele realmente o é. Reed sempre foi um sujeito atípico que teve suas melhores ideias quando trabalhava em conjunto com alguém que o entendesse como artista e como pessoa. Os discos que compôs no Velvet Unterground funcionam perfeitamente pela química única que desenvolveu junto de John Cale. Em Transformer, Reed usou o máximo que pode da parceria com David Bowie. Bowie já havia declarado abertamente que as músicas do VU lhe inspiraram profundamente, e enxergou como uma oportunidade artística interessante produzir o segundo passo de Lou em sua – no momento – titubeante carreira solo. O resultado não poderia ser menos magistral. Reed tomou para si a ideia de uma figura performática e andrógina, à semelhança de Bowie. O resultado foi o que ficou conhecido à época como o Animal Rock n’ Roll. Semblante pálido e postado nos shows com sua guitarra semi-acústica, mais parecendo um fantasma de voz sem alma, deu vida a uma coletânea de faixas que resumem da melhor forma o auge do glam nos anos 70. Toda o fervor daquela época, somada às tendências de liberação sexual e temática LGBT estão condensadas em suas músicas mais acessíveis, bem executadas e bem produzidas – sempre enfatizando o ótimo trabalho de produção de Bowie. Elevar a magnitude de canções do quilate de “Walk on the Wild Side”, “Vicious” e “Andy’s Chest” é uma tarefa quase obrigatória na atualidade. O disco tornou-se o primeiro sucesso de Reed e realizava o sonho pessoal do mesmo: o de se tornar um rockstar. Infelizmente, Reed tinha um ímpeto pessoal: o de destruir relacionamentos e amizades que conquistava. O processo criativo deixou Bowie em um estado psicológico lamentável. Lou, uma figura dominadora e quase psicótica, influenciava no psicológico de Bowie de uma maneira absurda. Ambos se separaram logo após a produção do disco e referenciavam-se com trocas de farpas pela imprensa, encerrando de maneira prematura uma das parcerias mais certeiras da história da música.


1775177Berlin [1973]

Para alguém de fora, pensar que Lou Reed ficou insatisfeito com Transformer pode parecer algo impensável ou uma mentira absurda. Mas esta foi a realidade. Apesar de muito fã de sua trajetória, uma coisa eu não posso negar: Lou Reed foi, na melhor das hipóteses, uma pessoa completamente detestável, manipuladora e psicologicamente instável. Nunca esteve plenamente satisfeito com suas conquistas, por maiores que elas fossem, e constantemente acabou se auto sabotando por puro ciume. Sem exageros, Berlin é um produto direto da vida insana que vivia. Seu casamento com Bettye Kronstadt ia de mal a pior (duraria apenas um ano). Não raro, Reed espancava sua mulher e declarava publicamente seu desprezo por ela, como neste trecho de entrevista concedida por ele em 1973:

“Minha esposa era um verdadeiro pé no saco. Mas eu precisava de uma mulher pé no saco para me fortalecer; precisava de uma sicofanta que pudesse rebater de lá para cá, e ela se encaixava no perfil… E ela chamava isso de ‘amor’, há!”

Fora esse pequeno detalhe matrimonial, Reed começava a afundar cada vez mais em seu vício em anfetamina. Lou não admitiu esse vício a princípio. Tanto que simulava injetar anfetamina em alguns de seus shows usando uma seringa falsa e fazendo torniquete com o cabo do microfone.

LouReedShootingUp-1974

Reed faria essa encenação em vários shows de sua turnê de ’74, algo que chocava muitos e levava seus fãs ao êxtase.

David Bowie, peça fundamental para o sucesso de Transformer, havia sido cortado dos planos de Lou logo no começo da produção de Berlin, para o desespero dos executivos da RCA, que queriam a volta de Bowie para repetir o sucesso comercial do disco anterior. Logo após o outono de 1972, Reed e Bowie foram se distanciando, não demorando tanto para que ambos trocassem farpas publicamente. Bowie acusou Reed de usurpar toda sua indumentária e posição glitter, enquanto que Reed retribuía as acusações com ofensas verbais das mais diversas.

Berlin, o produto final, representa exatamente essa época de exageros, loucura e desesperança com toda a cena glam rock que ele próprio ajudou a consagrar. Liricamente, o disco conta os passos de um casal de viciados norte-americanos vivendo seus piores tempos na capital alemã. O nível de excelência poética contido aqui só seria igualado muitos anos depois em um disco que também geraria muita polêmica. A forma obscura e cínica com que Lou conta a história é de um sentimentalismo capaz de levar pessoas mais sensíveis às lágrimas. O corpo instrumental que acompanha Reed em sua jornada de depressão poética vira as costas quase completamente para o passado glam e investe em arranjos sofisticados, passagens sombrias e uso mais farto de influências de jazz e música clássica.  Os músicos envolvidos na gravação deste disco são dos mais competentes com quem Reed trabalharia. Bob Ezrin, Jack Bruce, Tony Levin e Steve Winwood estão entre alguns dos que tiveram participação aqui. Quando lançado, Berlin foi um completo fracasso comercial, não agradou os fãs de sua fase glam e muito menos os executivos da RCA, que esperavam, no mínimo, um desempenho comercial similar ao de Transformer. O tempo tratou de elevar Berlin ao patamar de clássico, fazendo de canções como “Lady Day”, “Caroline Says” e “The Kids”  — se você conseguir ouvir essa música sem chorar, pode-se considerar uma pessoa sem alma — algumas das peças mais sofridas e bem interpretadas da história da música.


1280x1280Sally Can’t Dance [1974]

Reed sempre foi extremamente crítico com muitos de seus trabalhos. Chegou a encarar Sally Can’t Dance como um projeto medíocre, mal produzido e que o compôs apenas para cumprir com a cota de discos “comercialmente viáveis” para a RCA. As críticas contra a produção são realmente justificáveis. Extremamente metálica, ríspida e enaltecendo além da conta os naipes de metais e sopros usados nas canções, tiram muito corpo e alma de músicas com potencial evidente. Mas levando em conta que Reed sempre foi um sujeito excêntrico — para não dizer maluco –, as duras críticas pessoais a este disco são desmedidas. Comercialmente, Sally Can’t Dance é até a data um de seus maiores êxitos. Isso foi um fato que acabou desagradando Reed, que mostrou-se descontente com a aceitação de sua fase Animal Rock n’ Roll, já que o mesmo alegava que aquele não era realmente a representação de suas intensões artísticas e que só continuou naquela faceta para que o material do VU fosse lançado de maneira digna. Liricamente, o disco carrega consigo algumas de suas letras mais intimistas, como a incisiva “Kill Your Sons”, onde Reed relata seu sofrimento nos tempos de adolescência, quando sofria sessões semanais de eletrochoque em uma tentativa desesperada de seus pais controlarem seus comportamentos homossexuais. Outros momentos marcantes são constatados na ótima faixa título, grudenta e com melhor do apelo pop que Reed podia oferecer em seu auge, “Baby Face”, um rock n’ roll simples e sutil,  mas memorável, e “N.Y. Stars”, outro momento stoniano de sua primeira fase. Este é um de seus materiais mais acessíveis e o indico àqueles que querem mais amostras do glam rock sedutor de Transformer. Tirando o fator da produção extremamente aguda, um ótimo registro com bons momentos pops e canções bem estruturadas.


Metal_machine_musicMetal Machine Music [1975]

Fuja dessa atrocidade. Com a intensão de sacanear a RCA por conta de obrigações contratuais com mais um disco, Reed teve a não-brilhante ideia de registrar 65 minutos de uma guitarra ressoando entre amplificadores, onde tinha apenas o trabalho de comandar a guitarra por pedais de distorção. O resultado é uma tortura. Você certamente vai achar por aí gente doida o suficiente para chamar isso de música vanguardista ou coisas semelhantes. Eu chamo isso de uma coisa só: lixo. As vendas relativamente expressivas do disco vinham da incredulidade das pessoas. Ninguém conseguia acreditar que alguém poderia ter ouvido “o pior disco já gravado”. Quem comprou a versão em vinil da época e teve bagos suficientes para chegar até o lado B teve a péssima surpresa em descobrir que o disco possuía uma abertura em um dos sulcos do vinil que faziam com a agulha não se erguesse, tocando o disco infinitamente. Sua fama prevalece ainda hoje como um dos discos mais curiosos de todos os tempos. Aconselho que fique apenas nisso: na curiosidade, e nada mais. Como pequeno complemento, deixo um trecho do livro Transformer: A História Completa de Lou Reed, escrito pelo biógrafo Victor Bockris, onde o mesmo relata um trecho do que foi o planejamento de Metal Machine Music:

A única coisa que os executivos da RCA sabiam sobre Lou era que seus três últimos álbuns — Sally Can’t DanceRock n’ Roll AnimalLou Reed — haviam sido sucessos comerciais. A companhia tinha grandes esperanças de que ele entregasse mais um. Como resultado, em uma série de reuniões sobre Metal Machine Music, deixaram Lou assumir o comando. Após convencer a equipe da RCA a apresentar esse produto extremamente incomum, Lou disse a amigos que precisou correr ao banheiro para explodir em risos adolescentes: “Eu disse a eles que o disco era um ‘violento assalto contra os sentidos'”, continuou o executivo da RCA. “Jesus Cristo, era música de tortura, porra! Havia algumas cadências interessantes, mas ele estava preparado para interpretar à sua maneira tudo que eu dissesse. Eu o fiz acreditar que não era um trabalho tão ruim, porque eu não podia me comprometer. Disse: ‘Vou lançá-lo no selo Red Seal*’, e então o presenteei com vários álbuns de música erudita com esperanças de que ele escrevesse algo melhor da próxima vez.”

Todos na empresa ficaram horrorizados com a nova esquisitice de Lou Reed. Frank O’Donnell, um executivo de marketing , lembrou: “Cerca de vinte de nós estávamos sentados em volta de uma mesa de conferências de mogno para uma reunião mensal de novos lançamentos. O representante da A&R na reunião tocou a fita e a sala foi preenchida por um ruído bizarro. Todos estavam se entreolhando; as pessoas diziam: ‘Que diabos é isso?!’. Alguém expressou essa indagação e recebeu como resposta: ‘É o novo álbum de Lou Reed, Metal Machine Music. Seu contrato determina que temos de lançá-lo'”.


Depois de seu ataque anti-comercial, Lou Reed foi, de certa forma, obrigado a entregar um material que fosse realmente considerado minimamente comercial para a RCA. No mesmo ano de ’74, Reed começava a preparar as composições para aquele que viria a ser um de seus discos mais aclamados. Esta parte da história, e seus desdobramentos, serão detalhados na segunda parte desta matéria.

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Lou junto das duas pessoas que mais influenciaram Reed no início de sua carreira: Mick Jagger e David Bowie.



37 Comentarios

  1. maironmachado disse:

    Só a introdução desse texto já é uma motivação especial para podermos ler essas DCs. Parabéns Alisson, lerei com atenção cada um dos discos que surgirem por aqui.

  2. Marco Gaspari disse:

    Vou escolher carisma, mas poderia ser talento, sex appeal ou até mesmo fantasia, como o responsável pela atração que Lou Reed exercia sobre as pessoas que lhe estenderam a mão. Primeiro Andy Wahrol e depois Bowie. Quando Reed se mudou para Londres o fez acreditando que encontraria melhores músicos e técnicos, melhores estúdios, melhores executivos de gravadoras e, consequentemente, poderia fazer discos melhores do que em Nova Iorque. Sua primeira decepção foram os músicos escalados para seu lp de estreia: Rick Wakeman, Steve Howie (dois que, apesar de estrelas, ainda não tinham o status que ganhariam pouco tempo depois) e músicos da banda de Elton John e Humble Pie. Lou não se empolgou muito com essa banda, talvez porque fossem profissionais de conduta e comprometimento diferentes daqueles de sua tchurma intoxicada americana. E ele também decepcionou quando resolveu dispensar um produtor de ofício em prol de si próprio, além de tocar todo o processo de gravação com certa auto-confiança que beirava o desleixo. Em 30 dias o disco já estava pronto para ir às ruas. Apesar de sua megalomania, era muito pouco caso para com o disco que o reapresentaria ao público após o fim do Velvet Underground. Hoje temos novos ouvidos para Lou Reed (o disco), mas na época a expectativa era muito maior. Outro lp que é preciso novo julgamento auditivo é o MMM: não foi apenas uma questão de cumprir o contrato com a gravadora, mas também o fato de que na época Lou Reed se achava. E se achava tanto que se considerava capaz de fazer a gravadora engolir qualquer merda, mesmo que fosse para fazer alguma desfeita ao cumprimento de um contrato. Basta ler o encarte do disco para saber que Reed acreditava realmente que havia gravado algo realmente sério. Hoje tem quem goste (nosso outro MMM – Mairon Melo Machado – por exemplo) e muita gente envolvida depois com o rock industrial pode dar uma nova dimensão a esse trabalho. Parabéns, Alysson, faz tempo que não saboreava uma discografia comentada com tanto apetite.

    • Marco Gaspari disse:

      Não sei de onde surgiu esse y no seu nome, mas agora foi.

    • Alisson Caetano disse:

      O MMM foi um misto de grandiosidade e sacanagem por parte do Lou. Na época do registro dele, que se deu após o fim da turnê do Sally Can’t Dance, que foi um sucesso absurdo perante o público, diga-se de passagem, ele se sentiu cansado de toda aquela cena glam. Como a gravadora queria imitar o sucesso do Transformer e evitar a todo custo o experimentalismo do Berlin, que já tinha vendido pouco e não foi bem recebido pela crítica à época (e que o próprio gravou com intensão de revelar ao mundo o que ele meio que considerava sua verdadeira faceta como músico).

      Eu não vejo ainda o MMM com bons olhos exatamente pq ele não tem uma profundidade artística que muitos ficam procurando, é mais uma sacanagem tipo os discos que o Neil Young gravou durante os anos 80.

      Ah, e sobre a atração sobre o Lou Reed nos anos 70, deve ser carisma e sex appeal mesmo, até porque sempre faltou beleza ali.

      • maironmachado disse:

        Com um breve diferencial, os discos do Neil Young são terríveis (não sei qual o pior, se o Landing on Water ou o Old Ways

        • Alisson Caetano disse:

          Landing, o Old Ways é caricato, mas as primeiras faixas são aproveitáveis.

          • maironmachado disse:

            Disco chato bagarai

          • Eudes Baima disse:

            Acho Trans chatérrimo também.

          • José Leonardo G. Aronna disse:

            Da fase Geffen Records acho que o menos pior é o LIfe. Quando ouvi Trans na época achei detestável, hoje já não acho tanto. Old Ways é meia boca e aquele de rockabilly acho meio chatinho tb! Já Landing não consigo curtir até hoje…

        • José Leonardo G. Aronna disse:

          Landing, claro!

        • Eudes Baima disse:

          Engraçado que nessa conversa sobre MMM, o disco não o Boss, ao lembrar dos famosos discos de Neil Young feitos para afrontar a gravadora, não se tenha mencionado Arc, talvez o equivalente youngano do álbum noise de Reed.

          • José Leonardo G. Aronna disse:

            Acho que nada supera MMM… Acredito que Arc seja mais audível!

    • Alisson Caetano disse:

      Ah, e sobre a escalação dos músicos: ele sempre preferiu músicos que acompanhassem os ataques mais primitivos dele na guitarra. Ele nunca foi um guitarrista exímio, ele sempre se definiu como um “guitarrista estúpido tocando rock n’ roll simples”, mas sempre teve muita personalidade com o instrumento. Era de se esperar que apenas técnica não fosse suficiente para conseguir acompanhar o gênio dele nos estúdios e nos palcos. O seleto grupo de músicos que funcionaram com ele, inclusive, nunca estiveram entre os guitarristas mais lembrados e virtuosos do mundo: Sterling Morrison e Rob Quine, por exemplo. A única exceção foi o Mick Ronson, que eu me lembre.

      • António Marcos disse:

        Parabéns pela matéria ficou excelente com o único porém do MMM que é uma obra prima, um dos primeiros experimentos com noise que se tem notícia. Por não ser um virtuose da guitarra Lou teve algumas tretas com Zappa. Fico ansioso pelo restante da matéria que ainda tem New York e Magic and Loss como clássicos de Lou

        • maironmachado disse:

          Levou nos beiços, Alisson

        • Alisson Caetano disse:

          Já tinha experimento com noise anteriores ao MMM, nem nisso ele leva pioneirismo, cara. Malz aí.

          • Antonio Marcos disse:

            Olá, não falei em pioneirismo, mas sim um dos primeiros grandes artistas a enveredar pelo noise. Arthur G. Couto Duarte da extinta Bizz postou na revista essa informação, e na própria Wikipédia, quando busca-se noise, MMM é citado como uma das primeiras obras de noise. Mas reconheço que não é fácil de apreciá-lo.

          • maironmachado disse:

            Com certeza ele não foi pioneiro. Froese, Cromagnon, John & Yoko e Zappa fizeram muitos trabalhos anteriores de noise, mas a diferença é que aqui temos uma qualidade inovadora. Se não fosse assim, não teríamos Sunn O))) ou Swans, por exemplo

    • maironmachado disse:

      Obrigado pela citação ao meu nome Marco. Um forte abraço!

    • Eudes Baima disse:

      Pode ser que haja quem goste de MMM, mas não creio que alguém tem ouvido a obra duas vezes. Nem o nosso MMM…

  3. Eudes Baima disse:

    Transformer é um disco realmente acima da média. Acho que as faixas são um pouco desequilibradas, com momentos deixados para a eternidade, como as que o articulista destaca e mais New York Telephone Conversation e algumas canções menos expressivas. Mas, no todo, é um clássico mesmo.

    Já Berlin está sem dúvida no meu Top 10 de todos os tempos. Curioso, se fosse pra escolher, Wakeman caberia bem mais neste disco do que no debut de Reed (por falar nisso, acho que o problema do primeiro disco é a falta de identidade entre os ótimos músicos e a estética que Lou defendia, avessa ao virtuosismo).

    Tá certo que a produção do exagerado Bob Ezrin é meio esquisita para as pequenas peças de canto-falado de Lou, mas a estranheza acabou fazendo parte da estética do álbum, que acaba por nos lembrar um pouquinho da sonoridade de Alice Cooper na época, não por acaso produzido por Ezrin também.

    Berlin é uma obra imortal do baixo astral!

    • Alisson Caetano disse:

      Pior que lembra um pouco, mas acredito que isso era mera acaso da produção. Pois desde o incio da carreira solo, o Lou sempre destacou o quanto odiava Alice Cooper. Pode ser inveja, mas que é curioso, isso é.

  4. Ronaldo disse:

    Belo texto, Alisson. Mandou muito bem, apesar de eu ter meu nariz torcido para o Lou Reed e sua voz de pato.
    Abraço,

  5. José Leonardo G. Aronna disse:

    Parabéns! Uma das melhores DC que pintaram por aqui! Excelente leitura! Não vejo a hora de ler a segunda parte. E, obviamente, nunca consegui ouvir inteiro o MMM!!

  6. José Leonardo G. Aronna disse:

    Gostaria que tb fossem dissecados os discos ao vivo: Rock’n’Roll Animal, Lou Reed Live, Take No Prisoners, Live In Italy, etc… Obrigado

    • Marco Gaspari disse:

      E se puder aproveitar e comentar também todos os singles e EPs, agradeço.

      • José Leonardo G. Aronna disse:

        Não exagera, Siri!!! kkk

      • José Leonardo G. Aronna disse:

        E não se esqueça dos bootlegs!

      • Eudes Baima disse:

        Ansioso para ler as análises dos discos da viranda dos anos 80 p/ os 90: NY, Songs for Drela e Magic and Loss, lindos registros.

        Aliás, foram bons anos para os ainda jovens dinossauros: Neil Young soltou, entre outros, os ótimos This note’s for You e Fredom; Dylan fez o lindo Oh Mercy; Brian Wilson lançou sua celestial estreia solo e Paul lançou o bom Flowers in the Dirty, depois de uma longa entresafra.

    • Alisson Caetano disse:

      Seria uma boa, mano, mas nem vai rolar, muito trabalho kkkk

      Mas posso adiantar que o The Creation of the Universe eu reservei algumas palavras. Talvez eu dê uma comentada geral em todos eles de forma sucinta, mas comentar cada um tá fora de questão.

  7. Anônimo de volta disse:

    Lou Reed nunca tocou nada. O sujeito se limitava a tocar só três acordes. Mas não que isso seja ruim, o punk rock tem três acordes mas a música do cara era muito, mas muito ruim demais. E Lou Reed foi responsável por ter “ajudado” o Metallica a gravar o pior disco da carreira da banda, o “Lulu”(Isso é nome pra se batizar um disco??). Ele não fará falta nenhuma para o rock. Só mais um medíocre superestimado por críticos indies que só se preocupam com as letras que “questionam a sociedade racista”.

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