Plebe Rude – Nação Daltônica [2014]

25 de março, 2017 | por micaelmachado
Resenha de Álbum
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Por Micael Machado

Depois de oito anos sem apresentar um registro de inéditas, a Plebe Rude lançou em 2014 seu sexto disco, Nação Daltônica, uma mostra da relevância e da importância do quarteto originado em Brasília para o rock nacional. Os fundadores Philippe Seabra (guitarra e vocais) e André X (baixo e vocais) se fizeram acompanhar pelo guitarrista e vocalista Clemente Nascimento (também membro dos Inocentes, na banda desde 2004) e pelo estreante baterista Marcelo Capucci (que se uniu ao grupo em 2011), e gravaram um disco que reafirma a essência do som da Plebe.

Considerada uma das primeiras formações punk do país (ao lado do Aborto Elétrico), a música do quarteto sempre foi mais do que o estilo delimita, incorporando elementos do pós-punk, do pop rock e do folk ao longo de sua trajetória. Nação Daltônica traz um pouco de tudo isso em suas dez faixas (que perfazem pouco menos de trinta e seis minutos), mostrando a integridade de Philippe, o principal compositor da banda. Até mesmo a capa, que intencionalmente remete a Nunca Fomos Tão Brasileiros (segundo disco do grupo, de 1987), parece querer reafirmar que, mesmo passados tantos anos, a Plebe ainda é a mesma, desde o som até a temática contestadora das letras, como se percebe em “Anos de Luta“, que critica a apatia da atual geração de “roqueiros” do país, onde a música não é o mais importante, mas sim a fama e o sucesso instantâneo, ainda que para isso seja preciso aceitar as “regras do jogo” impostas pela TV e pelas rádios, e onde tudo vira apenas “entretenimento no final” (em uma mensagem parecida com a de “Minha Renda”, do EP de estreia do grupo).

A Plebe Rude atual: Clemente Nascimento, André X, Philippe Seabra e Marcelo Capucci

Com o baixo guiando a melodia, a agitada “Que Te Fez Você” é um dos destaques do track list, ao lado de “Mais Um Ano Você” (versão em português para “Will You Stay Tonight?”, da banda inglesa de The Comsat Angels, e que, ao expurgar os chatos teclados eletrônicos da versão original, acabou ficando bem mais interessante do que esta), da legitimamente pós-punk “Rude Resiliência” e de “Tudo Que Poderia Ser”, composição que traz em seu arranjo todas as características típicas da Plebe Rude, e que ganha aqui sua versão “oficial” de estúdio, visto já ter aparecido antes no ao vivo Rachando Concreto, de 2011.

Se a semi-balada “(Go Ahead) Without Me” (com letras em inglês) teve todos os instrumentos tocados exclusivamente por Philippe, a linda “Sua História” contou com a participação da Orquestra Filarmônica de Praga, enriquecendo ainda mais o arranjo de uma das melhores faixas do disco. “Retaliação”, a faixa de abertura, tem um ritmo mais cadenciado, quase marcial, enquanto “Quem Pode Culpá-lo?” lembra algumas bandas da cena “alternativa” atual (e poderia facilmente marcar presença nas rádios, caso estas se interessassem em tocar música de qualidade em sua programação) e “Três Passos”, que fecha o trabalho, é a única deste registro a contar com os vocais de Clemente em dueto com Seabra.

Contracapa de Nação Daltônica

Nação Daltônica nos faz lembrar de um tempo onde o rock brasileiro era contestador, instigante e relevante, e não dominado por aglomerações “indie” com tendências “modernosas” e sonoridade derivativa e enfadonha! Que saudades!

Track List:

01. Retaliação
02. Anos de Luta
03. Mais Um Ano Você
04. Que Te Fez Você
05. Sua História
06. Rude Resiliência
07. Quem Pode Culpá-lo?
08. Tudo Que Poderia Ser
09. (Go Ahead) Without Me
10. Três Passos



18 Comentarios

  1. António Marcos disse:

    Excelente resenha MM. A Plebe Rude resiste aos modismos e consegue manter sua relevância musical. Parabéns. O disco solo do Clemente lancado ha poucos meses também merece atenção.

    • Micael Machado disse:

      Valeu, Antônio! Eu fiquei sabendo deste disco do Clemente, mas ainda não consegui lhe dar atenção, embora tenha lido críticas bastante positivas sobre ele!

  2. Anônimo de volta disse:

    Sempre achei as bandas de brasília dos anos 80 uma tremenda bosta. A Legião Urbana sem dúvida foi a banda mais chata e insuportável que já existiu no Brasil. O Capital Inicial sempre foi uma banda medíocre e desprezível. Já esses bundengos da Plebe Rude sempre fizeram um som descarnado e fraco. Posavam de punk mas a maioria deles lá de brasília dessa época eram filhinhos de papai criados a leite com pera posando de “revolucionáros anti-burgueses”. Além do mais punk rock sempre foi um estilo musical descartável e medíocre. Foi graças a esse estilo que se criou a falsa idéia de que “não é preciso saber tocar direito para ser músico”. Em suma fuja dessa aberração musical chamada punk rock.

    • Alex disse:

      Faça um som melhor então seu merda, fica aí criticando o trabalho dos outros

      • Anônimo de volta disse:

        No mínimo algum integrante da Plebe com nome fake para vir me atacar. hehehe Não fica nervoso não meu caro! Faz mal para a saúde.

  3. Anônimo de volta disse:

    Agora as bandas paulistas são amigas dos boyzinhos metidos a punk lá de brasília. Mas no início dos anos 80 os “punks” de boutique brasilienses eram alvos de deboche e comentários hilários dos punks legítimos porém arrogantes e estúpidos de SP. Por exemplo, ficou famosa uma frase proferida por uma figura importante do punk paulistano: “Toca mais rápido filho de diplomata!”. E o Clemente na banda não fez diferença nenhuma já que a banda dele nunca foi grande coisa. Mas o que eu estou falando? Eu sempre repudiei punk. Para mim, banda punk não representa nada.

  4. Anônimo de volta disse:

    Obrigado à todos da Consultoria do Rock pela liberdade de opressão, digo de expressão.

  5. Anônimo de volta disse:

    Se não fossem pelos Raimundos, Brasília hoje seria uma capital irrelevante musicalmente. Legião Urbana, Capital e Plebe nunca foram rock de verdade. Plebe Rude é uma das bandas mais insossas de todos os tempos do pop rock nacional.

    • Alex disse:

      Cara, vc é ridículo e se expõe ao ridículo, esses seus comentários são ridículos

      • Anônimo de volta disse:

        Ridículo é quem vive a ilusão de que Plebe Rude é “rock”. É minha opinião Alex, e você não tem nada que ver com isso. Fica na sua aí! E repito, as bandas de Brasília dos anos 80 eram uma porcaria. Pronto!

  6. Diego Camargo disse:

    Cara, R Ao Contrário e Nação Daltônica são discos que salvam a geração. Discaços!

  7. Marco disse:

    Ué, já acabou a treta entre a plebe e o rude?

  8. Davi Pascale disse:

    Bela resenha, Micael. Gosto muito da Plebe Rude. E a formação nova está ótima. Já tive a oportunidade de assistir um show deles e os caras estão mandando muito bem. Quanto ao disco, está bem legal. Em outras épocas, “Anos de Luta” apareceria nas rádios com força.

    • micaelmachado disse:

      Valeu, Davi! Realmente, a banda está mandando muito bem ao vivo, pena que venham tão pouco aqui para o sul do país!

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