Na Caverna da Consultoria: Tiago Bittencourt França

27 de março, 2017 | por maironmachado
Entrevistas
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Por Mairon Machado

A Caverna da Consultoria abre mais um espaço em seu recinto. Além dos consultores e donos de sites e blogs, a Consultoria veio atender o pedido de diversos colecionadores do país que acompanham nosso site e desejam mostrar suas coleções ao mundo. Assim, hoje deixamos o tapete vermelho para nosso primeiro leitor, direto da cidade do aço, Tiago Bittencourt França, que irá contar nas linhas abaixo um pouco sobre sua paixão pela música. E se você quiser participar dessa seção, basta enviar um e-mail para nós que entraremos em contato, assim como fez Tiago (consultoriadorock@gmail.com).


Vista da coleção

1 – Meu caro Tiago, nosso primeiro leitor entrevistado aqui na no caverna. Seja bem vindo. Este espaço a partir de agora é seu. Conte-nos um pouco de sua história pessoal,quem é, onde trabalha, quantos anos, hobbies e outras características iniciais do além música.

Saudações amigos colecionadores e amantes da boa música. Primeiramente gostaria de agradecer a oportunidade de poder apresentar minha coleção e discorrer sobre esse assunto que eu mais amo na vida. Meu nome é Tiago Bittencourt França, tenho 35 anos e moro em Volta Redonda RJ. Sou casado há dois anos, formado em Ciências Biológicas, trabalho atualmente como Técnico em Segurança do Trabalho em um hospital da minha cidade e estou cursando Gestão Ambiental. Posso dizer também que sou uma espécie de baixista de final de semana, ou nem isso, rs. Não diria que sou frustrado, pois nunca tive pretensão de ser de fato um músico profissional, no máximo toquei com uma galera para alguns gatos pingados por aí. Hoje me reúno de vez em quando com uns amigos para levarmos um som numa boa. Além de música, ainda tiro um tempo para praticar atividades físicas que é uma verdadeira terapia para mim, onde consigo me concentrar em uma meta que, quando atingida, ali mesmo naquele momento, me proporciona imenso prazer e sensação de bem estar e dever cumprido.

2 – Como você conheceu a Consultoria do Rock?

Não me lembro exatamente quando, mas conheci a Consultoria buscando sites e blogs sobre coleções de discos. Àquela altura já havia devorado todas as entrevistas com colecionadores da Collectors Room, e uma coisa acabou levando a outra. Lembro-me também que, quando acessei pela primeira vez a Consultoria, me deparei com tantas matérias e seções interessantes que só fui começar, de fato, a ler as entrevistas de colecionadores depois de um bom tempo explorando todo o site.

3 – Acompanhando o site, quais as seções e matérias que vc mais curte na Consultoria?

Além das entrevistas com colecionadores, curto muito a seção Melhores de Todos os Tempos, que é separada por ano. Muitos álbuns ali eu concordo plenamente e acho que merecem estarem na lista final, enquanto outros, considero um verdadeiro absurdo figurarem na lista. Sem falar nos comentários hilários no final. Gosto também dos Cinco Discos para Conhecer e dos Discos que Parece que Só Eu Gosto. Nesta seção, conseguiria facilmente incluir uma infinidade de títulos. Já os textos que, na minha opinião, se destacam bastante são os do consultor Marco Gaspari, devido ao alto nível do conteúdo das informações transmitidas, e que na grande maioria, me surpreendem apresentando histórias e bandas que até então não conhecia e que obviamente corro atrás depois de ler a matéria. Enfim, já li tudo no site e muita coisa mais de uma vez até.

A essência do som na casa do Tiago e algumas revistas

4 – Além da Consultoria, quais as outras formas que você encontra para acompanhar e atualizar sua paixão por música?

Além da Consultoria e outros sites e blogs sobre música, acompanho alguns canais no Youtube, já que existem alguns, tanto nacionais quanto estrangeiros, bem interessantes. Procuro também adquirir algumas revistas como a Poeirazine, Roadie Crew (esta só quando tem alguma matéria que me interesse muito), e a gringa Classic Rock, que sempre vem com um CD além de ser uma publicação caprichada.

5 – O nosso site surgiu ainda como blog, sem ter na época nenhum jornalista profissional. Hoje em dia, existem inúmeros outros blogs com as mesmas características. Você acha que a formação de jornalismo em música é essencial para que a credibilidade das informações passadas realmente tenha evidência?

Não acho que a formação de jornalismo em música seja essencial, embora deva ajudar muito na hora de filtrar as informações e focar no conteúdo que realmente deve ser transmitido de acordo com o tema abordado. Portanto acredito que, com a prática, aliada à paixão e vontade de conhecer a fundo sobre seus artistas preferidos, qualquer fã de música que leia bastante a respeito tem a capacidade de passar as informações com clareza e fidedignidade, além de expor seu ponto de vista, sendo ele um profissional graduado na área ou não. Existem muitos sites e blogs, nacionais e internacionais, com informações de qualidade sobre música, além obviamente de outros um tanto quanto tendenciosos, capazes de fazerem um moleque de onze anos, que está iniciando no rock, acreditar que uma determinada banda é ruim só porque seus integrantes posam nas capas dos seus discos usando maquiagem e cabelos espetados com laquê.

6 – Você tem experiência como escritor de blog ou site, não necessariamente ligado a música. Caso negativo, já chegou a pensar nisso alguma vez?

Vou lhes contar o mais próximo que cheguei de ser um escritor de música até hoje. Há mais de dez anos, por volta de 2004, eu e meu grande amigo musical Marcelo Mansoldo, nos arriscamos a fazer uma espécie de “biodiscografia” do Black Oak Arkansas, que é uma de nossas bandas de coração, para enviarmos ao Bento Araújo com intuito de ser publicada na Poeirazine, o problema era que toda essa empreitada abrangia a carreira da banda desde 1967, quando ainda se chamavam The Knowbody Else, até o início da década de 80, quando apenas o vocalista Jim Dandy permanecia como integrante original. Isso daria mais ou menos uns 16 discos, e falávamos detalhadamente do período em que os discos foram gravados, de cada música de cada disco, e nosso diferencial era que, para o bem ou para o mal, tudo soava muito amador. Embora as informações fossem todas verídicas, estava mais para aquela coisa de fãs super empolgados mesmo. Então, assim que terminamos nosso espetacular texto de sabe-se lá quantas páginas de algum conteúdo relevante e muita excitação juvenil, contatamos o Bento, que nos retornou dizendo que, assim que saísse uma matéria sobre o BOA na revista, tentaria aproveitar algo daquilo. Não tenho todas as edições da revista, mas a que eu tenho com uma matéria sobre a banda não possui uma vírgula do que escrevemos, rs. Mas valeu a experiência. Agora, com uns anos passados e alguma bagagem adquirida, tenho vontade de me arriscar novamente a escrever algo, até por ler muito e entender melhor como funciona este universo. Quem sabe?

DVDs

7 – No geral, o que você caracteriza como principal característica da Consultoria, que a torna um diferencial nos demais sites de música?

Na minha opinião, o grande diferencial da Consultoria é a interação entre os consultores e os leitores do site, não havendo a menor diferença entre quem participa ativamente contribuindo com os textos, e os leitores que comentam ao final de cada um deles, tudo é considerado. É como sentar em uma grande mesa de bar e bater um papo com os amigos, todos unidos pelo interesse em comum no mesmo assunto, expondo sua opiniões, concordando e discordando das dos demais. Outro diferencial para mim é a originalidade das seções. Em que outro site encontramos matérias com temas tão diversificados e ao mesmo tempo interessantes e prazerosos de ler? Não conheço. O fato de podermos interagir, contribuir com informações nos comentários finais, e de obtermos o retorno do autor do texto comentando sobre o que escrevemos, mostra a humildade dos consultores e comprova que somos todos igualmente apaixonados por música e interessados em aprender e adquirir cada vez mais conhecimento, enriquecendo assim o conteúdo do site.

8 – Falando agora um pouco sobre a parte pessoal, quais as suas primeiras lembranças sobre ouvir música, o que o levou a virar um colecionador?

As minhas primeiras lembranças de ouvir música prestando realmente atenção no que estava ouvindo (LPs do Bozo e Trem da Alegria não contam), foram bem no início dos anos 90, com os lançamentos das trilhas internacionais de novelas. Me lembro que nas chamadas para o lançamento na TV, sempre tinha umas duas ou três músicas, de rock ou pop, que de cara eu adorava e queria ouvir a música inteira e ter na minha casa, assim eu saía com meus pais pelos camelôs da minha cidade atrás das fitas K7 dessas trilhas, e acabava comprando um monte delas. Lembro-me também que em 91, meus pais compraram um micro system novo em folha com cd e fita K7, e foi lá que passei a ouvir à exaustão essas fitinhas. Mas ainda não foi exatamente assim que eu me tornei um colecionador. Primeiramente, o que me despertou para começar a curtir rock foi quando, por volta de 1994, com 13 anos, passando um belo dia em frente a casa de um vizinho, ouvi o som de uma música saindo pela janela que me fez parar na mesma hora, essa música iniciava com uma introdução de teclado tão marcante que eu me lembrava de já ter escutado em algum lugar e de ter gostado, mas não fazia ideia do que era. No final das contas descobri que era de uma banda chamada Dire Straits, e que a música se chamava “Walk of Life”, e o álbum em questão era o ao vivo On the Night. No mesmo dia pedi à minha mãe para alugar, em uma locadora de CDs, este com as antenas na capa e ouvi durante um longo período, sem parar, só aquilo.

LPs e livros diversos

9 – Como você compartilha o seu tempo para organização, garimpo, audição e ainda demais tarefas que todo colecionador necessita para ter um belo museu em sua casa?

Em termos de organização, procuro separar os CDs apenas por décadas, ou seja, uma parte da estante é destinada aos discos dos anos 60, outra, maior, aos anos 70, e outra, maior ainda, aos anos 80. Os anos 90 e 2000 ficam juntos, pois estão em menor número na coleção. A última parte da estante é destinada aos CDs de conjuntos nacionais de todas as épocas. Já os vinis, como estão em bem menor quantidade, e não tenho nenhuma coleção completa neste formato, fica tudo misturado mesmo, até porque quando vou escutá-los, gosto de puxar um e colocar o que eu peguei de surpresa, às vezes funciona, mas nem sempre, rs. Quanto ao garimpo, a cidade que eu moro não proporciona muitas opções de estabelecimentos para comprar música, são exatamente duas lojas de CDs e uma de LPs. As de CDs, tem uma grande do tipo loja de shopping que só tem coletâneas vagabundas ou no máximo um ou outro disco de carreira, lançamento ou o mais famoso da banda. A outra é um sebo onde consigo, muitas vezes, encontrar algo interessante por um preço injusto até para a qualidade do álbum. Como exemplo, vocês verão nas fotos alguns discos do Richie Kotzen que peguei por menos de dez reais cada. Inclusive todos eles eram do nosso amigo e meu conterrâneo Thiago Reis. Já o sebo de vinis sempre tem coisas interessantes, mas o vendedor perde a noção quando cobra 80 reais em um LP usado, nacional, sem encarte, e muitas vezes com a capa rabiscada e amassada. Em relação à audição que, convenhamos, é a melhor parte, simplesmente escuto música literalmente o tempo todo que estiver em casa, aos finais de semana, por exemplo, desde a hora que acordo até altas horas da noite. Durante a semana, chego em casa do trabalho e escuto ao menos um álbum todos os dias. E claro, estou sempre tirando a poeira preta da CSN que impregna nos meus tão preciosos disquinhos.

10 – Quais os principais formatos que você tem em sua coleção? Quantos itens de cada formato?

O principal é o CD, pois foi o primeiro formato que comecei a colecionar lá em 1995. Quando iniciei minha coleção de LPs, já possuía uma coleção imensa de CDs e decidi que não teria coleções completas em LPs, pegaria apenas os que mais gosto de cada banda e outros que não possuo em CD. Tenho atualmente em torno de 1600 CDs, 300 DVDs, 180 LPs, além de alguns livros e revistas especializadas em Rock e música em geral.

Tiago, esposa e seus discos favoritos

11 – Como seus familiares e amigos percebem sua coleção?

No início, quando ainda morava com meus pais, eles achavam um exagero e não acreditavam que eu ouvia aquilo tudo, eu costumava dizer a eles para pegarem qualquer CD da minha coleção e colocar para tocar que eu saberia cantarolar qualquer música de cada um deles. Depois que me mudei para o Rio de Janeiro pra fazer faculdade, minha coleção cresceu consideravelmente, virei amigo de todos os lojistas das principais lojas de discos de Rock na cidade. Hoje em dia meus pais olham com admiração por entenderem o valor que eu dou àquilo tudo e o quanto a música é importante na minha vida. Já minha esposa Giovana, esta é melhor parceira que todo fã de Rock n Roll gostaria de ter na vida. Só pra constar, todos os CDs do Iron Maiden e Pearl Jam da coleção são dela. Uma verdadeira fã de rock assim como eu. Não tenho tantos amigos colecionadores, na verdade apenas um, mas todos os outros que vêm aqui em casa acham demais, principalmente os LPs. Ao menos é o que eles me dizem, rs.

12 – Hoje em dia, vivemos um retorno do vinil com grande força, apesar dos números exorbitantes que os lojistas têm cobrado principalmente no Brasil. O que você pensa sobre isso, e ainda, aquela famosa pergunta: CD ou LP?

Acho extremamente válido e empolgante este revival que o vinil vem sofrendo nos últimos anos. É um resgate da paixão e valorização da obra do artista, da forma que ela foi concebida originalmente, como foi feita para ser ouvida e apreciada, mesmo que seja para um grupo restrito de consumidores, pois nunca será como antes. Infelizmente os preços cobrados desanimam qualquer um a iniciar uma coleção de LPs, pois alguns discos lacrados, desses de 180gr, são encontrados por nada menos que 400 reais em algumas lojas. Não acredito que o custo de fabricação de um LP justifique um valor final desses em cima do produto. Isso tem mais a ver com quererem faturar ao máximo em cima desta tendência antes que o vinil volte para a obscuridade das estantes dos sebos e colecionadores. Felizmente, com um pouco de paciência e garimpo, ainda conseguimos adquirir discos em boas condições por preços justos de 20, 30 reais. Com relação aos formatos, os dois têm o seu charme, o LP pelo lance das capas enormes, com os encartes, onde podemos analisar cada detalhe minucioso sem ter que forçar a vista, rs. Além daquele ritual instigante de levantar a tampa de acrílico do seu toca discos, retirar o vinil do plástico, colocar a agulha e sentir o som gordo do LP saindo das caixas, simplesmente maravilhoso. Já o CD tem toda a praticidade, a facilidade para guardar e encontrar o que se quer ouvir naquele momento, fora as inúmeras edições especiais remasterizadas com bônus, unreleased tracks, demo versions, etc. Enfim, tem pra todos os gostos, e o meu gosto é esse mesmo, todos.

Mais LPs

13 – Outro grande problema que os caçadores de raridades tem enfrentado ultimamente é o fechamento/proibição de vários sites tradicionais de downloads, como o kickass por exemplo. Você acha que realmente, baixar música é uma forma de prejudicar o artista?

De forma alguma, pelo contrário, na minha opinião é uma forma de apresentar um novo trabalho aos fãs. O consumidor ocasional de música não compra CDs de forma alguma mesmo, ou seja, se não tiver disponível de graça para baixar, ele irá ouvir o que toca na rádio e estará de bom tamanho. Nós, consumidores que apoiamos nossos artistas e bandas favoritas comprando os discos e indo aos shows, vamos baixar o CD novo para conhecer e vamos dar um jeito de ter a mídia física, seja numa loja próxima de casa, ou importando da Europa, Japão ou EUA. Quando comecei a me aprofundar em bandas de Hard Rock mais undergrounds, por volta de 99, estava viciado em Hard e Glam dos anos 80, na época chamado de farofa ou poser, conheci muitas bandas através do Napster e Audiogalaxy. Nomes como Tigertailz, Pretty Boy Floyd, Bang Tango e Dangerous Toys, que tomava conhecimento em notas de rodapé das revistas Metal Head e Rock Brigade, eram completamente impossíveis de se encontrar nas lojas daqui de VR, e até mesmo do Rio. Portanto, a única forma de escutá-las era através dessas ferramentas de downloads gratuitos. Neste período me lembro que tinha dezenas de CDRs gravados com músicas de todas essas bandas e muitas outras do estilo, até finalmente conseguir encontrar tudo original para comprar.

14 – O que é que mais lhe chama atenção em uma música que a faz sentir aquele arrepio nas costa e dizer: “ putz, preciso ter isso na minha casa”? O mesmo vale para o processo contrário.

Sem sombra de dúvidas a melodia. Eu sempre tive uma queda pelos grupos dos anos 60 e amo o power pop do Badfinger, Big Star, Cheap Trick dentre outras. Então, pra mim, a música não precisa ter peso, basta ter uma melodia bonita, cativante, simples porém eficiente, que já me chama atenção de cara. No contrário, não suporto vocais guturais, na minha coleção vocês não encontrarão nada de Venom, Sepultura, Kreator, Slayer e derivados de Thrash, Death e Black Metal. O máximo que consigo apreciar nesse estilo é o Metallica, Megadeth, Pantera e o Type O Negative, que já curto desde moleque mesmo. Ah, e tem também o Power Metal espadinha do Hammerfall, Blind Guardian e Gamma Ray dentre outros, que não desce.

CDs diversos

15 – Você tem experiência em shows? Se sim, quantos já foi e quais os mais marcantes?

Já fui em muitos shows quando mais novo, não saberia precisar quantos, mas pode botar uma média de uns cinco a seis shows internacionais por ano. Hoje em dia se for em dois por ano é muito. A gente vai ficando velho e perde muito da disposição de antes, só de pensar no deslocamento pra outra cidade, às vezes durante a semana, tendo que trabalhar no dia seguinte, fora os perrengues da muvuca e desconforto se for show muito grande. Festivais então batem uma preguiça danada, se passar em algum canal, é só descer aqui no mercadinho, comprar umas cervas, uns petiscos e pronto, rs. Mas posso citar como marcantes o primeiro show de todos que foi a edição carioca do Monsters of Rock de 96 no Metropolitan, com Skid Row, Motorhead e Iron Maiden, me lembro de não acreditar na energia do Sebastian Bach no palco, do Motorhead lembro de muito barulho, e o Iron achei meio monótono com aquela performance “avassaladora” do Blaze Bayley. Tem também o Rock in Rio 3 em 2001 que, se hoje em dia, ocorrendo quase todo ano, qualquer garoto de 19 anos fica louco pra ir, imagina naquela época. E por fim outro que me marcou muito foi o show do Michael Monroe, vocalista do Hanoi Rocks, solo. Curto Hanoi há anos e tenho todos os álbuns solo do Monroe, nem acreditei quando o show foi anunciado. Esse show ocorreu no Inferno Club, em São Paulo em 2012, local pequeno, fiquei colado no palco, uma porrada atrás da outra. Enfim, um dos melhores que eu já tive o prazer de assistir ao vivo.

16 – Com quantos anos você comprou seu primeiro disco e qual foi? Você ainda tem ele?

Então, o álbum que me fez começar a me interessar por rock especificamente, foi o ao vivo On the Night, do Dire Straits. Mas a situação que me levou de fato a ir até uma loja e comprar o meu primeiro CD, aconteceu alguns meses depois. Estava eu, no início de 1995, com uns 13 anos, batendo um papo com um vizinho amigo em frente a minha casa, quando aparece um primo dele com uma camiseta que estampava uma foto no mínimo curiosa. Tratava-se de um bebê mergulhado no que parecia ser uma piscina, nadando em direção a uma nota de um dólar presa a um anzol. Na mesma hora perguntei do que se tratava a foto da camisa e ele me contou que era a capa de um álbum de uma banda chamada Nirvana e que ele havia acabado de comprar esse CD e estava ali mesmo na mochila. Lá fomos nó três pra casa do meu amigo escutar o tal disco da capa do neném, e após aqueles primeiros acordes da primeira faixa, entra uma guitarreira tão absurda que eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo, no refrão então, berrado pelo tal Kurt Cobain, fiquei louco. Eu sei que naquele mesmo dia, à tarde, fui até a Mesbla, que ficava no único shopping da cidade, e comprei o tal disco do bebê, o Nevermind. Não preciso dizer que ouvi aquilo por semanas a fio, até pegar emprestado um tal Use Your Illusion 2, e meu gosto musical rumar totalmente para a década anterior àquela dominada pelo Nirvana. Mergulhei fundo nos álbuns do Guns n’Roses, Skid Row, The Cult, Def Leppard, Poison e Mötley Crüe.

Muito mais diversidade. De Aerosmith a Kiss, passando por Bowie, Marley, Suzi Quatro e outros

17 – Quais os artistas/estilos que predominam na sua prateleira?

O estilo que predomina na minha coleção é o Hard Rock, tanto dos anos 70 quanto 80. Tive um período longo que só comprava CDs de Hard e Sleaze oitentão, depois parti pra fase setentão e enchi o quarto de CDs do Grand Funk, Aerosmith, Thin Lizzy, Kiss, Alice Cooper, tudo fase 70. Depois entrei numa onda Southern e comecei a pegar os Allman Brothers, Lynyrd, Black Oak Arkansas, e daí por diante com outros estilos. Mas o que predomina definitivamente é o Hard Rock.

18 – Quais os álbuns mais raros que vc tem?

Hoje em dia, com o Ebay e lojas como a Amazon, que você acha de tudo, fica difícil dizer que um ítem ou outro é raro. Mas tenho alguns CDs solos e de projetos paralelos do Michael Monroe, como Demolition 23 e Jerusalem Slim, este último com o guitarrista Steve Stevens, que não são tão fáceis de encontrar por aí, e no próprio Ebay, quando aparece, os valores assustam um pouco. Outro é um CD duplo ao vivo do Dan Reed Network chamado Live at Last, esse CD foi produzido e comercializado apenas pelos integrantes da banda com tiragem limitada e desde então não aparece em lugar nenhum pra vender. Consegui encontrá-lo no ML de um vendedor de Porto Alegre e peguei na hora. Tenho também um Box lançado em 2005 pela Deadline Records chamado Holywood Rocks, que contém quatro CDs com faixas demos e unreleased tracks de grande parte das bandas de Hard e Sleaze que dominaram LA de 1980 até 1992, são 80 músicas no total de nomes dos primórdios como Hollywood Rose, Mickey Ratt, Dokken, WASP, Quiet Riot, até nomes que chegaram tarde na festa como Electric Angels e Saigon Saloon. Este box saiu com tiragem limitada e ainda possui um livreto com breve história das bandas, um botton e um backstage pass.

Boxes

19 – Você tem algum álbum que seus amigos vêem na coleção e dizem: “ Que isso está fazendo aqui”? Ao mesmo tempo, qual é aquele disco que quando alguém chega em casa para ver sua coleção você faz questão de mostrar?

Sim, tenho um LP chamado Pirlim Pim Pim, que foi lançado na década de 80 como trilha sonora do especial infantil dedicado ao Monteiro Lobato e produzido pela Rede Globo. Este LP eu achei por 2 reais e comprei puramente por uma questão de nostalgia, mas tem várias participações interessantes no disco como Baby Consuelo e Guilherme Arantes dentre outros, e a temática do disco é toda baseada no Sítio do Pica Pau Amarelo e é até legalzinho, mas ninguém entende nada. Um LP que faço questão de mostrar é o First Base, primeiro trabalho da banda de Hard Rock inglesa Babe Ruth lançado em 1972. Este disco eu achei aqui em VR muito barato com a capa totalmente destruída, podre, toda esfarelada, mas o disco estava intacto, pesadão, da época, dava pra ver que era coisa boa, nem pensei duas vezes e levei. Quando cheguei em casa e coloquei pra rolar, que som meus amigos, alto, limpo, cada instrumento no seu lugar do jeito que deve ser. O sorriso foi até a orelha, rs.

20 – Na década de 90, muita gente se desfez do vinil e foi em busca de cd. Você acompanhou a onda ou pelo contrário, arrebatou peças que são consideradas raridades?

Na década de 90, o primeiro formato que me foi apresentado assim que comecei a consumir música, foi o CD, pelo fato de ser uma novidade na época e a grande maioria estar fazendo a transição do LP para o CD. Portanto, permaneci por muito tempo colecionando só CDs e fui iniciar minha coleção de LPs há uns dois anos apenas, infelizmente.

Preciosidades (acima); First Base, disco que Tiago faz questão de mostrar aos amigos, e Pirlim Pim Pim, álbum que os mesmos amigos estranham ao vê-lo

21 – Musicalmente, o que todo mundo gosta e você não consegue gostar? O que só você gosta?

R – Existem duas bandas que muita gente gosta e ninguém consegue entender como eu não gosto em meio a tantos artistas diferente na coleção: U2 e Legião Urbana, que na minha opinião são dois casos de bandas superestimadas. O U2 pra mim não fede nem cheira, simplesmente não me desperta nada quando escuto, o único álbum deles na coleção é o primeiro e mesmo assim é da minha esposa. E olha que eu gosto daquele movimento gótico pós punk inglês do início dos anos 80, mas U2 não dá. Já a Legião é o tipo de banda que você pode comprar o CD, dar pra alguém e ficar só com o encarte, pois têm algumas letras muito boas. Mas as músicas e aquele vocal deprê sem graça, de quem brigou com a mãe e puxou o cabelo da irmã quando criança e depois se arrependeu? Tô fora, rs. Agora do que só eu gosto, o próprio Black Oak Arkansas, que eu amo, é uma banda difícil de digerir por causa do vocal arranhado de “lixa” do Jim Dandy. Costumo dizer que é o tipo de banda que não dá pra gostar mais ou menos, ou você ama ou odeia. Eu tenho muitos discos de bandas underground aqui, coisas como Blackwater Park, Hurdy Gurdy, The Blues Magoos, Pato, Blackboard Jungle, Jellyfish, mas são bandas que as pessoas não gostam simplesmente porque não conhecem, não tem acesso.

22 – Você já teve a oportunidade de comprar um álbum que estava procurando há algum tempo, e desistiu por causa do preço, mas depois se arrependeu?

Sim, com certeza, vários. Mas o que me tranquiliza nestes casos, é que eu deixei de comprá-los para comprar outros que eram prioridade naquele dia. Então, o arrependimento seria maior ainda se tivesse optado por eles. Mas o que acontece com freqüência, é deixar de comprar um álbum que eu quero muito, mas é relativamente fácil de achar, para comprar uma mosca branca que nem estava em minha lista, mas que aparece como o cometa Halley, a cada 75 anos, rs.

Rock nacional

23 – O que você gostaria de ter, musicalmente falando, mas nunca encontrou o mesmo para venda por um preço justo?

Um item que procuro incessantemente e que talvez não encontre nesta vida, é o DVD Live at Last do Dan Reed Network, que saiu junto com o CD duplo que eu falei anteriormente. Este DVD, que também só foi vendido pela banda, é ainda mais difícil de achar, e já procurei em todas as lojas virtuais possíveis, Ebay e comunidade da banda no Facebook, onde até conheci pessoas que possuem esse DVD lá na Europa. Mas infelizmente tem fãs que gostam de ter só pra eles, tipo algo exclusivo que só eles têm, ao invés de compartilharem. Baita babaquice, rsrs.

24 – Qual o máximo de itens que você já adquiriu de uma vez, e qual a maior fortuna que você já desembolsou para comprar um único álbum?

O máximo de itens que adquiri com certeza foi na minha primeira vez na Galeria do Rock em São Paulo. Já tinha guardado uma grana boa sabendo o que me aguardava, cheguei num sábado de manhã e saí no final da tarde com nada menos que 18 CDs, 11 DVDS e o Action Figures Box Set do Mötley Crüe. Me lembro que cheguei a pagar 120,00 contos em um único CD (Bezerk do Tigertailz), há uns 15 anos atrás, importado da Europa de um cara que só descolava as raridades que ninguém conseguia na época. Se hoje ainda é muita grana para dar em um CD, imagine naqueles tempos.

Clássicos dos anos 70

25 – Dentro da coleção, você possui apenas uma única versão de um determinado álbum ou busca diversas versões?

Geralmente eu me contento com uma única versão mesmo. O que me faz comprar outras versões do mesmo álbum são as edições remasterizadas com bônus. Mas são poucos os que possuo mais de uma versão. Acredito que o álbum que possuo mais versões é o Mötley 94. Tenho a primeira edição europeia, a edição japonesa com uma faixa bônus e a edição remasterizada com três bônus.

26 – O que você realmente valoriza dentro de uma coleção de discos?

Valorizo principalmente a diversidade de estilos. Houve uma época, quando mais novo, que eu comecei a me desfazer de vários CDs de outros estilos que não fossem Hard Rock, pois só queria saber de ouvir isso e me desfiz de coleções inteiras do Metallica, Pantera, Nirvana, Red Hot Chili Peppers, Marilyn Manson, Type O Negative, Janes Addiction, dentre outros, por puro radicalismo besta de adolescente. Mas enfim, alguns eu comprei novamente e outros ainda estão na lista, mas hoje nunca me imaginaria ouvindo um único estilo de Rock mesmo se tivesse uma enorme coleção desse estilo. Pra concluir, preferiria mil vezes, hoje em dia, ter 200 álbuns de estilos variados do que ter 2000 de apenas um.


27 – Com OBI ou sem OBI?

Se for japonês com, senão, sem, rs. O primeiro CD japonês que eu comprei na vida que veio com OBI, foi o Motley Crue – Generation Swine, quando comecei a garimpar as lojas de CDs usados no Rio. E pra ser sincero eu quase joguei aquele bendito papelzinho no lixo, pois achava feio aquilo no CD. O que fiz, pra minha futura felicidade, foi guardá-lo na gaveta. Depois que fui me dar conta do quanto exclusivo é você ter um CD edição japonesa com OBI, ainda mais comprado em uma loja de usados. Hoje ele está lá lindo dentro da capinha assim como todos os outros nesse formato.

28 – Capa dupla ou tripla?

Até quádrupla se possível. Para nós colecionadores, quanto mais mimos melhor.

29 – Ao vivo ou coletânea?

Ao vivo sempre, e de preferência sem overdubs e truques de estúdio, pois se trata do registro fiel de como a banda soa realmente, daquele som cru. Só assim você consegue descobrir se sua banda favorita que gravou aquele clássico absoluto da sua coleção é aquilo tudo mesmo. Na loja Sempre Música, no Rio, eu costumava ser conhecido como o cara que comprava os DVDs bootlegs toscos, de shows antigos dos anos 60 e 70 com qualidade péssima de som e imagem, enquanto a maioria levava os shows super produzidos, filmados de vários ângulos, cheio de iluminação e som 5.1 e sei lá mais o que. Mas era exatamente daquele jeito que eu queria, cru, sem super produção, pra sentir a banda dando tudo de si no palco sem nenhum truque que pudesse mascarar a performance original. Aos fãs de Alice Cooper que estão acostumados com os shows da década de 90 e os mais recentes, assistam a qualquer registro da Alice Cooper Band de 72,73. Depois vocês me falam.

30 – Encartes apenas com imagens ou encartes com letras, imagens, informações e telefones das groupies?

Tudo que tiver direito. Quanto mais informação pra ficar lendo e explorando no encarte enquanto escuto pela primeira vez o álbum, melhor.

31 – Quais as principais lojas que abastecem sua coleção, assim como sites, e que você pode indicar para os nossos leitores?

Lojas físicas, hoje em dia, morando em Volta Redonda, infelizmente são poucas, mas quando vou ao Rio costumo passar na Sempre Música , em Ipanema, e nas lojas Headbanger e Scheherazade, na tijuca. Já as lojas virtuais, posso indicar a Paranoid Records, que possui um bom acervo e que nunca tive problemas. No Mercado Livre tem o vendedor CD Seller que sempre recebe lançamentos e raridades em geral no catálogo por um preço diferenciado, e a Amazon onde compro a grande maioria dos meus discos importados. Embora em algumas ocasiões tenha que esperar uns três meses para receber os itens, nunca aconteceu de extraviar nada. Mas receber os discos pelo correio não dá, nem de perto, a mesma sensação de entrar em uma loja e sair garimpando em busca do que você deseja e no percurso achar várias outras coisas interessantes

32 – Quais os dez melhores discos da década de 60?

Caramba, sempre que lia as respostas de colecionadores pra essas perguntas, pensava o quanto seria difícil respondê-las. Mas vamos lá. Não há ordem de preferência e obviamente não existem dez melhores de época nenhuma pra mim, nem mesmo cinqüenta melhores. Serão dez que eu gosto muito. Se permitirem, irei incluir como bônus, uma décima primeira indicação destacando um álbum nacional.

1 – The Beatles – Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band
2 –The Zombies – Odyssey and Oracle
3 – The Allman Brothers Band – Idewild South
4 – Captain Beefheart and His Magic Band – Safe as Milk
5 – The Beach Boys – Pet Sounds
6 – The Rolling Stones – Let it Bleed
7 – Love – Forever Changes
8 – Derek and the Dominoes – Layla and Other Assorted Love Songs
9- The Jimi Hendrix Experience – Are you experienced?
10- Big Brother and the Holding Company – Cheap Thrills
* Novos Baianos – Ferro na Boneca

33 – Quais os dez melhores discos da década de 70?

1 – Black Oak Arkansas – X Rated
2 – Thin Lizzy – Bad Reputation
3 – Alice Cooper – Billion Dollar Babies
4 – David Bowie – Diamond Dogs
5 – Grand Funk Railroad – E Pluribus Funk
6 – Led Zeppelin – Physical Graffiti
7 – Slade – Whatever Happened To Slade
8 – Cheap Trick – In Color
9 – Lynyrd Skynyrd – Street Survivors
10 – Kiss – Rock n Roll Over
*Rita Lee e Tutti Frutti – Fruto Proibido

34 – Quais os dez melhores discos da década de 80?

1 – Hanoi Rocks – Self Destruction Blues
2 – Gene Loves Jezebel – Discover
3 – Mötley Crüe – Too Fast For Love
4 – The Cult – Love
5 – Guns n Roses – Appetite For Destruction
6 – Roxy Music – Avalon
7 – Def Leppard – Pyromania
8 – Dan Reed Network – Slam
9 – Sea Hags – Sea Hags
10 – Talking Heads – Speaking In Tongues
*Barão Vermelho – Barão Vermelho

35 – Quais os dez melhores discos da década de 90?

1 – Nirvana – Nevermind
2 – The Wildhearts – The World vs The Wildhearts
3 – Raging Slab – Dynamite Monster Boogie Concert
4 – Blind Melon – Blind Melon
5 – Skid Row – Slave To The Grind
6 – Jellyfish – Spilt Milk
7 – Enuff Z Nuff – Strenght
8 – Type O Negative – Bloody Kisses
9 – Circus of Power – Magic And Madness
10 – Days Of The New – Green Album
*Engenheiros do Hawaii – GLM

36 – Quais os dez melhores discos dos anos 2000 (de 2001 até agora)?

1 – The Hellacopters – By The Grace Of God
2 – Alberta Cross – Broken Side Of Time
3 – Blackberry Smoke – Little Piece Of Dixie
4 – Crash Kelly – Penny Pills
5 – Rival Sons – Pressure And Time
6 – Danko Jones – Born a Lion
7 – Black Stone Cherry – Black Stone Cherry
8 – Michael Monroe – Sensory Overdrive
9 – Vain – Enough Rope
10 – Zebra – IV
*Exxótica – III

37 – Cite dez discos que você levaria para uma ilha deserta?

Neste caso vou citar dez que, quando escuto, me transportam para uma ilha deserta ou pra qualquer lugar inóspito e isolado parecido.

1 – The Allman Brothers Band – The Fillmore East
2 – George Harrison – All Things Must Pass
3 – Black Oak Arkansas – Early Times
4 – Grateful Dead – The Arista Years
5 – David Bowie – Low
6 – Pink Floyd – Dark Side Of The Moon
7 – Fleetwood Mac – Live
8 – The Blues Magoos – Kaleidescopic Compendium
9 – Ten Years After – A Space In Time
10 – Hurdy Gurdy – Hurdy Gurdy

38 – Cite dez itens que deveria ter nessa ilha deserta para completar o prazer de estar com esses dez discos?

Citarei dez coisas que sempre têm na ilha deserta que sou transportado quando ouço algum álbum da lista anterior:

1 – Minha cama
2 – Meu travesseiro
3 – Meu ventilador de teto
4 – A janela do meu quarto com vista para o céu e algumas montanhas
5 – Minha caneca com cerveja estupidamente gelada
6 – Meu pratinho com petiscos
7 – Meu banheiro a cinco passos de distância
8 – Minha geladeira a nove passos de distância
9 – Meu celular desligado ou sem sinal
10 – Minha esposa curtindo a viagem comigo

39 – Conte-nos alguma história engraçada/ curiosa envolvendo a compra de um álbum, uma visita a uma loja, um encontro com determinado artista, enfim, algo envolvendo a música.

Tenho uma história que aconteceu na viagem que fiz com meu amigo Marcelo para o show do Vince Neil no Carioca Clube em São Paulo em 2010. A viagem de ida e o show em si deram tudo certo, foi tudo conforme planejado. O show foi ótimo, porém bem burocrático com a banda no piloto automático tocando o repertório batido de sempre, embora muito competente. Mas como era a primeira vez de um integrante do Motley Crue no Brasil, todo mundo adorou e achou tudo maravilhoso. Enfim, ao final da apresentação, saímos de dentro do local, compramos uma cerveja de um ambulante e ficamos encostados próximos a porta lateral por onde a banda sairia em direção a van que os levaria de volta ao hotel. Nem precisa dizer que o entorno desta porta estava abarrotado de fãs de todas as formas e tamanhos portando capas de discos, máquinas fotográficas e canetas, todos contidos por seguranças que abriam caminho para o momento que a banda decidisse sair. Não tínhamos intenção alguma de pegar autógrafo ou tirar foto, apenas observávamos a movimentação a uma distância segura. No momento em que os integrantes começaram a sair de dentro do local, houve aquela histeria, gritos, empurra empurra, seguranças dando cotoveladas pra tudo que é lado, e a banda passando pelo corredor humano muito rápido e sem nem olhar para os lados, com a equipe carregando vários cabides com roupas que acredito terem sido usadas no show, e mais duas loiras monumentais a tira colo. No meio de toda aquela confusão, todos já dentro da van fechando as portas e prontos para arrancar, consegui observar um cabide escorregando lá de dentro e caindo próximo ao meio fio assim que as portas se fecharam. Eu achei que alguém na mesma hora fosse voar em cima daquilo, mas não, aparentemente ninguém notou. Alguns segundos se passaram e fui calmamente até a beira da calçada pegar o cabide e dei logo um grito: “Aqui Marcelo, o cabide do Vince Neil caiu de dentro da van!”. Na mesma hora, um monte de gente olhou e logo depois vieram três garotas lindas puxar papo com a gente perguntando do cabide, se eu não queria vendê-lo, doá-lo, trocá-lo, que fariam de tudo pra ter aquilo, paparicando mesmo. E nós lá, nos sentindo rock stars por tabela, cheios de groupies em volta, tudo graças a uma porcaria de um cabide. Seria hilário se não fosse trágico. Logo depois disso fomos os cinco para um bar ali perto pra depois darmos uma “esticada” com as garotas para o hotel. Ao chegarmos no bar e começarmos a beber, me lembro apenas de acordar no quarto do hotel no dia seguinte com uma ressaca terrível, sem cabide, sem carteira, sem dinheiro, sem documentos, e sem passagem para voltar pra minha cidade. Bem feito, rsrs. É isso que acontece quando dois “rednecks” do interior se metem a besta com groupies do rock rodadas, loucas pelo cabide que pendurou as calças de couro do seu maior ídolo. Histórias do Rock n Roll.

40 – Alguma coisa mais que gostaria de passar para nossos leitores?

Gostaria de agradecer, mais uma vez, a Consultoria pela oportunidade de conceber esta entrevista e apresentar minha coleção. Espero que cada um que a leia e veja as fotos, se divirta e se empolgue tanto quanto eu ao ler e conhecer as demais coleções apresentadas aqui no site. Grande abraço a todos e muito som pra todo mundo, sempre.



46 Comentarios

  1. Thiago Reis disse:

    Parabéns pela belíssima coleção, xará! E bateu uma saudade bem grande desses meus cds do Richie Kotzen!! A gente se encontrando lá no sebo que você citou na entrevista foi também um fato bem marcante. Grande abraço e até a próxima.

    • Tiago Bittencourt França disse:

      Valeu meu amigo conterrâneo. Os cds do Kotzen são demais. Quando quiser se desfazer de outros cds de hard pode falar diretamente comigo que a gente toma umas cervas escuta um som e negocia. Grande abraço!

  2. Gibran disse:

    Eh muito vicio hein. Parabéns pela entrevista. Ficou show!

  3. Giovana disse:

    Parabéns meu amor!! Entrevista marcante..!! Viciado… Rsrs!!! Te amo!!

  4. Agenor disse:

    Que coleção foda !
    O cara conhece todas as vertentes do sagrado Rock n Roll !
    Eh essa paixão pela música e pela vida que contagia e faz bem
    Parabéns aos envolvidos ! Rock on

    • Tiago Bittencourt França disse:

      Valeu meu amigo. Rock n Roll é isso aí. Estilo de vida mesmo. Grande abraço!!!

  5. Caique Fernandes disse:

    Parabéns Tiago!
    Muito foda cara!
    Fico muito feliz por você cara, principalmente por ser seu amigo cara.
    Parabéns!

  6. Hahahahahaha…
    O história do cabide é ótima!!!
    Imagino que tenha sido UMA MERDA no dia seguinte, mas pelo menos a história que ficou é boa.
    Legal Tiago. Curti sua coleção e me identifiquei com várias coisas.
    Vi o Slade no 10 melhores dos anos 70 e fiquei me perguntando pq nunca consegui gostar da banda…

    Abraços

    • Tiago Bittencourt França disse:

      Valeu Fernando. Cara, o dia seguinte daria o dobro do tamanho dessa história. Rs. Só de ter que ir na DP explicar que fui assaltado e não tinha um puto pra voltar pra minha cidade tu pode imaginar. Quanto ao Slade, procure evitar as coletâneas com os hits manjados de sempre, procure pelos álbuns de carreira que tu pode mudar de ideia. Começa com este citado na lista que é garantido. Abraço meu caro.

  7. André Kaminski disse:

    Bacana, o Tiago está direto em nosso site, fico feliz em conhecer um pouco dos nossos leitores.

    E essa coleção de hard dos anos 80 é recheada de pérolas que adoraria comprar. Pena que meu orçamento anda limitadíssimo.

    Agradeço pela disposição em nos mostrá-la Tiago, abraços!

    • Tiago Bittencourt França disse:

      Fala André. Sou frequentador assíduo do site meu amigo. Posso dizer que o hard oitenta é um de meus estilos preferidos no rock e durante um bom tempo quando mais novo só comprava isso. Muito obrigado pelo comentário. Grande abraço.

  8. Marcel disse:

    Bela coleção, parabéns!

  9. Dimas Marques disse:

    que edições são essas do Lobão? Parecem digipack.

    • Tiago Bittencourt França disse:

      Olá Dimas. Esses cds do Lobão são personalizados convertidos do LP para CD. Não é original. Um grande camarada do ML que vende de tudo que é banda nacional dos anos 70 e 80 que nem saíram em cd. Qualidade impecável. Um cd desses do Lobão original não sai por menos de 300 pratas. Abraço!

      • maironmachado disse:

        Lobão, coxinha-mor

        • Tiago Bittencourt França disse:

          Independente da postura política gosto dos álbuns dele, principalmente dos anos 80 e início dos 90. O último ainda não ouvi mas já li resenhas elogiando bastante.

          • maironmachado disse:

            To tentando vender meu vinil dele, o Ao Vivo, mas ninguém quer … Se tiver interesse, aceito propostas

          • Tiago Bittencourt França disse:

            Este eu tenho em cd Mairon, senão pegava.

          • Fernando Bueno disse:

            Eu ouvi esse último disco dele. Como não julgo a música dele pelas preferências políticas dele eu posso dizer que gostei do instrumental, mas a voz me incomodou um pouco, como sempre.

          • Tiago Bittencourt França disse:

            Vou ver se acho para ouvir no YouTube.

          • maironmachado disse:

            Blz. Se souber de alguém que queira, é só avisar

          • Ronaldo disse:

            Eu gostei do último álbum do Lobão.

  10. Ronaldo disse:

    Entrevista bem legal, bela coleção! papo reto…abraço!

  11. Igor Maxwel disse:

    Mais um dos meus chegados! Valeu Thiago!

    • Tiago Bittencourt França disse:

      Fala Igor. Obrigado por curtir a entrevista e comentar. Abração meu velho.

      • Igor Maxwel disse:

        De nada, um abração pra você também.
        E não sou velho, viu? Tenho só 27 anos!

        • Tiago Bittencourt França disse:

          Kkkkkk. Se passar dos 27 vive até os 90 tranquilo.

          • Igor Maxwel disse:

            Não sei, prefiro viver até os 10.000 anos (como dizia Raul Seixas em uma de suas mais célebres canções). Com isso, já posso me sentir mais realizado.

  12. André oliveira disse:

    Thiago me apresentou muita coisa boa, sua paixão é contagiante, abc!!!

  13. sergio luiz disse:

    show a entrevista, to correndo atras de hard 80/90 pro meu acervo ja tem um tempo, parabens amigo .

  14. maironmachado disse:

    O legal dessa entrevista com o Tiago, dentre outras coisas, foi a citação aos textos do Marco. O que comprova que nosso Mestre Siri realmente é um grande guru.

    • maironmachado disse:

      Além disso, o cara é de uma simpatia e bom humor raros, bem como desenvolveu super bem todas as perguntas. Parabéns meu caro!

      • Tiago Bittencourt França disse:

        Valeu mesmo Mairon. Foi um grande prazer e uma honra pra mim responder todas as perguntas. Citei o Marco no texto mas aprendo muito com todas as matérias dos consultores. É cada som que eu descubro aqui fora de série.

  15. maironmachado disse:

    Tiago, se quiser mandar esse texto do Black Oak para nós, será bem-vindo.

  16. maironmachado disse:

    “o próprio Black Oak Arkansas, que eu amo, é uma banda difícil de digerir por causa do vocal arranhado de “lixa” do Jim Dandy.” Cara, eu acho esse vocal DUCA. O show deles no California Jam é sensacional! Baita banda

    • Tiago Bittencourt França disse:

      O BOA realmente é uma banda sensacional com uma sonoridade única e original, porém muito subestimada quando o assunto é southern rock. Pois se trata de uma das pioneiras do estilo, e tinha nada menos que Mr. Elvis Presley como grande fã (inclusive foi ele quem sugeriu à banda o cover da música “Jim Dandy”). Vou procurar o texto aqui e tentar dar uma “repaginada” pra enviar para vocês. Grande abraço meu amigo!

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