Review Exclusivo: Judas Priest, Black Label Society e Thin Lizzy (Las Vegas, 23 de Outubro de 2011)

Por Fernando Bueno
Quando programei com a minha esposa uma viagem para Los Angeles para esse mês de outubro, a primeira coisa que fiz foi procurar saber se haveriam shows interessantes por lá. Afinal, Los Angeles é a terra de várias bandas, sendo as mais conhecidas as psicodélicas dos anos 60 e as de hard rock do anos 80. Vi que teriam shows do Opeth, Yngwie Malmsteen, e Judas Priest. Como tinha perdido os shows que o Judas fez aqui no Brasil em setembro, logo decidi que iria nesse. Para melhorar ainda mais a banda seria acompanhada por Black Label Society e Thin Lizzy. Por questões de logística da minha viagem acabei preferindo ir ao mesmo show em Las Vegas, uma vez que os dias em que eu iria ficar em Los Angeles já estavam comprometidos com outros passeios turísticos.
Todos sabem que atualmente o Thin Lizzy é uma banda que vive de seu passado e não tem mais o seu principal integrante da época de ouro: o baixista e vocalista Phil Lynnot. Mas ninguém pode dizer que o show de hoje não vale a pena. A banda tem apenas o guitarrista Scott Gorham e o baterista Brian Downey da formação com Phil Lynnot. Sem esquecer, claro, de Darren Wharton, o tecladista, mas que não era um membro oficial na época. Completam o line up Richard Fortus, guitarra, Marco Mendoza, baixo, e Ricky Warwick, guitarra e voz.
Depois entrou o Black Label Society. Não sou profundo conhecedor da banda, mas sou fanzaço do Zakk Wylde desde que ouvi o Live & Loud (1993) do Ozzy Osbourne. Foi instalado um imenso pano cobrindo a frente do palco para os caras prepararem o palco. Não achei necessário, já que o mesmo não teve nada de diferente, porém o efeito visual com a banda entrando com tudo e o pano de frente caindo ficou bem legal. Esse mesmo efeito seria usado pelo Judas Priest logo mais tarde.
Só fui reconhecer uma música quando começaram a tocar “Bleed For Me” e já estávamos na terceira. Mas o show me incentivou a ir atrás da carreira deles como um todo. Gostei demais da banda ao vivo com os riffs de uma tonelada e energia cativante. Falar que Zakk é o dono da banda é besteira, ele sequer deixa um dos solos para o outro guitarrista fazer. Nem mesmo os nomes dos outros integrantes eu iria colocar aqui nesse texto, porque sinceramente não sabia. Mas não vou fazer como Zakk e, após uma pequena pesquisa, aqui vão os nomes: John DeServio, baixo, Chad Szeliga, bateria, e Nick Catanese – que o acompanha desde o início – na outra guitarra. Em certo ponto do show ele ficou sozinho no palco, junto de sua famosa Gibson (ele não a tinha perdido?), para fazer seu solo. E o fez. E quando todo mundo achou que tinha terminado, ele foi para o lado direito do palco e começou de novo. Aí, quando todos perceberam que ele faria o mesmo do lado esquerdo ficou uma impressão de exagero no ar. Mas hoje percebo que não me importei no fim das contas, pois quando ele veio do lado esquerdo do palco eu consegui tirar boas fotos. Falando nisso, esse costume (chato) de tirar fotos de tudo e filmar o show inteiro não é privilégio brasileiro. Pelo jeito a proliferação de celulares com boas câmeras trouxe esse malefício aos shows de rock do mundo todo. Eu ainda sou mais alto que a maioria das pessoas que vão aos shows e acabo vendo por cima, mas muita gente vai e só vê celulares e flashs na sua frente.
Eu nunca diria que K.K. Downing não fez falta em um show do Judas Priest, mas gostei muito da atuação de Richie Falkner. Parece que ele está na banda há uns 15 anos, tamanha a sua desenvoltura. Ele anda o palco todo e interage com os outros componentes como se todos fossem amigos há décadas, ou se todos, assim como ele, tivessem feito parte da banda da Lauren Harris.
Mas o mais marcante para mim foi a atuação de Rob Halford. Não preciso dizer que ele cantou demais, soltou agudos altíssimos e foi muito simpático com o público, porém o motivo de esta ser a última turnê da banda está claro: as questões físicas de seu vocalista. Ele se movimenta devagar, com uma respiração tão profunda que parecia que tentava guardar energias para qualquer momento em que isso fosse necessário. Em alguns momentos, principalmente após cantar trechos mais altos, dava a impressão que ele estava com falta de ar. Notei também que ele ia para os bastidores em todas as situações em que ele tinha algum tempo. Daí, para minha surpresa, consegui vê-lo, por entre as cortinas desses acessos à parte de trás do palco, com uma máscara de oxigênio. E as impressões que tinha tido durante todo o show foram confirmadas. Este fato nos faz pensar novamente no processo que estamos vivendo de perdas de ídolos. As bandas clássicas dos anos 70 ou já acabaram, ou estão encerrando as suas carreiras, com turnês de despedida ou, em muitos casos, já não possuíem integrantes vivos. É bem provável que em alguns anos estejamos órfãos de ídolos, portanto é bom que essas oportunidades de presenciar bandas clássicas ao vivo não sejam desperdiçadas. Mas deixo claro que o fato de ele estar sofrendo as limitações impostas pela idade, não atrapalhou sua performance em nenhum momento.
Set List Thin Lizzy
1.Are You Ready
2.Waiting For An Alibi
3.Jailbreak
4.Don’t Believe A Word
5.Emerald
6.Killer On The Loose
7.Cowboy Song
8.The Boys Are Back In Town
9.Rosalie (cover de Bob Seger)
10.Black Rose
Set List Black Label Society
1.Crazy Horse
2.Funeral Bell
3.Bleed for Me
4.Demise of Sanity
5.Overlord
6.Parade of the Dead
7.Suicide Messiah
8.Guitar Solo
9.Godspeed Hell Bound
10.Fire it Up
11.Concrete Jungle
12.Stillborn
Set List Judas Priest
1.Rapid Fire
2.Metal Gods
3.Heading Out to the Highway
4.Judas Rising
5.Starbreaker
6.Victim of Changes
7.Never Satisfied
8.Diamonds & Rust (cover de Joan Baez)
9.Prophecy
10.Night Crawler
11.Turbo Lover
12.Beyond the Realms of Death
13.The Sentinel
14.Blood Red Skies
15.The Green Manalishi (With the Two Pronged Crown) (cover de Fleetwood Mac)
16.Breaking the Law
17.Painkiller
Encore:
18.The Hellion / Electric Eye
19.Hell Bent for Leather
20.You’ve Got Another Thing Comin’
Encore 2:
21.Living After Midnight
Muito boa a resenha, Bueno! Aemoção de se sentir um "Stranger in a Strange Land" deve ficar amenizada em eventos assim, onde todos acabam formando uma imensa "família" com os mesmos gostos e objetivos.
Essa questão cultural realmente parece ser marcante, pois o Mairon também comentou isso quando assistiu ao Ozzy na França. E essa de todos os acessos estarem abertos e mesmo assim todos respeitarem o setor que compraram ao invés de ir para perto do palco… isso nunca ocorreria aqui no Brasil, o que mostra o quanto estamos atrasados mesmo…
Parabéns pelo texto, mais uma vez!