Review Exclusivo: Madonna (Porto Alegre, 09 de dezembro de 2012)

13 de dezembro, 2012 | por maironmachado
Resenha de Show
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Por Mairon Machado

O que leva uma artista como Madonna a ainda estar nos palcos? Afinal, ela já está com cinquenta e quatro anos, ganhou muito dinheiro, é mãe e seu status parece apagar-se perante os jovens. Afinal, ela é a responsável pelo surgimento de “artistas” como Britney Spears e Lady Gaga. Para que sair de sua casinha confortável, entre colchas e lareira quentinha, com uma empregada lhe servindo a toda hora, e se desgastar em cima de um palco, muitas vezes abaixo de chuva, levar críticas de uma imprensa desmoralizada, que só quer sugar a sua fama, de “roqueiros” invejosos que não admitem a importância de Madonna em suas vidas, mesmo sabendo que se não fosse por ela, talvez os videoclipes de metal das bandas mais diversas jamais existiriam na MTV. Para que?
E para que eu iria em um show da Madonna? Afinal, eu ouvia Madonna quando eu tinha entre cinco e dez anos. O auge da minha paixão infantil foi o lançamento de Like A Prayer, em 1988, e depois, tudo foi pro ralo, com uma sequência de discos que eu não entendi na época, e um amor incontrolável pelo progressivo. Gastar uma fortuna (o ingresso mais caro que eu já paguei na minha vida), deslocar-me 800 Km, sair de casa, dos braços da minha companheira, das brincadeiras com o meu enteado, da tranquilidade do meu lar, para me socar no meio de trinta mil pessoas só para ver e ouvir a Madonna. Para quê?
Eu obtive todas essas respostas no último dia 09 de dezembro, no Estádio Olímpico, em Porto Alegre.

Antes de ter a resposta, passei por vários martírios. O show, marcado para as 19:30h, certamente não iria começar no horário. Afinal, Madonna já havia se atrasado em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas em Porto Alegre foi um exagero. Quase quatro horas de atraso levaram muitos babacas da social do Estadio Olímpico a vaiar a cantora e mandar ela tomar naquele lugar.

Gigantesco palco da MDNA Tour

Esses mesmos babacas, quase que de meia em meia hora, gritavam: “Grêêêêmioooo, Grêêêêmioooo, Grêêêêmioooo”, como se o clube de futebol  Portoalegrense fosse algo mais importante do que o show que iriam assistir. Rale-se o futebol, estamos diante de um mito, e sempre esses imbecis vêm ressaltar paixão clubística só por que se acham no direito de fazer o que querem no seu estádio ou no estádio do rival (vide a vaia que os gremistas deram em Bruce Dickinson dentro do Ginásio Gigantinho, do Sport Club Internacional, em 2008).

Mas tudo bem, esse atraso de mais de três horas fez eu refletir. Afinal, eu fui levado para o show por uma paixão de vinte anos atrás. Então, o que seriam algumas horas perante tantos anos de espera?

A entrada no estádio causou um impacto ao ver o palco. Muito alto, ele ocupou metade do estádio, indo no meio da plateia. Era fácil de ver que iríamos estar observando os movimentos da Diva Pop em cada instante, pois tudo foi muito bem projetado. Com exceção da abertura …

DJ Fabrício Peçanha

Às 20 horas, o DJ Fabrício Peçanha. Não gosto de bate estaca, mas até que o guri se saiu bem, misturando Nirvana, Guns N’ Roses e Rolling Stones com música dance. Em uma hora de apresentação, estava tranquilo, e o pessoal aprovou o que ouviu. 

O problema é que na sequência veio outro DJ, no caso a dupla Felguk. Aí foi demais. Duas horas de bate-estaca ninguém aguenta. Cada vez que uma “música” terminava, era uma sonora vaia, mas, como o pessoal do Felguk tinha direito a uma hora de apresentação, ficaram lá em cima nessa uma hora. Eu me sentei e esperei passar. Não dava para aguentar tal falta de bom senso. Que colocassem qualquer banda a fazer uma música decente, seria melhor do que o que foi apresentado. 

Como Madonna nem havia chegado no estádio, segundo as informações que chegavam até nós, a mesa de som providenciou um rápido repertório, onde rolou Stones, Bowie (melhor momento de toda a abertura, com “Let’s Dance” e “Fame”), Red Hot Chili Peppers e outros. 

Bom, foram-se os DJs e, como atraso pouco é bobagem, foram-se as canções pop que tentavam animar a plateia. Impacientes, muitos mandavam a diva ao inferno, culpando ela pelo atraso. Eram 23:30h quando o gigantesco sino que estava no alto do palco começou a badalar, com monges cantando cantos gregorianos e uma belíssima visão no telão, formando a parte interna de uma igreja gótica.

Aqui, podemos ver com detalhes o principal diferencial do show de Madonna: a encenação artística e o palco. Tudo ocorre como se estivéssemos em um teatro. Dezenas de dançarinos preenchem os espaços com danças diversas, hora acompanhando Madonna, hora fazendo danças individuais. Nas escuras, nos dois cantos do palco, ficam os músicos (na esquerda teclados e guitarra, na direita bateria e baixo). 

“Gang Bang”


O centro do palco é livre, e interage com o imenso telão. Às vezes o telão abre-se no meio, trazendo dançarinos, cenários, músicos. É embasbacante! Toda a movimentação de palco cansa só de ver, mas não tem como não ficar maravilhado com o apresentado. Isso durante as quatro primeira canções. Em “Gone Girl Wild” foi a citada igreja; em “Revolver” uma cidade em guerra, com Madonna e os dançarinos empunhando armas; em “Gang Bang” um quarto de hotel, e Madonna assassinando todos os homens que desejam fazer mal à ela, e em “Papa Don’t Preach”, voltou a ser a igreja.

Uma pena que “Papa Don’t Prech”, o primeiro clássico oitentista apresentado por Madonna no show, tenha sido só a primeira parte, seguida pela versão completa de “Hung Up”, a primeira que fez o Olímpico sacudir de verdade, com Madonna sendo acorrentada pelos dançarinos, e mostrando seus dotes de atriz. 

“I don’t Give A” contou com participação especial (via telão) de Nicki Minaj cantando “Heartbeat”, e então, batidas marciais surgiram nas caixas de som do Olímpico. Dançarinas vestidas de animadoras de torcida apareceram com suas micro-saias, assim como Madonna, a líder das animadoras, enquanto no alto, os dançarinos marchavam sobre o palco, muito acima das cabeças das meninas, e lá permaneceram tocando a sua caixa e fazendo coreografias durante “Express Yourself”, canção na qual Madonna soltou-se de vez, esquecendo a carranca que carregava até então, e inclusive, desistindo do playback.

“Express Yourself”

Até “Express Yourself”, foi notável a participação dos dançarinos, do palco, da iluminação, enfim, mas Madonna estava muito pouco a vontade. Com o agito enlouquecido da plateia (homossexuais vibraram com as cenas homossexuais exibidas no telão durante a canção), Madonna foi à frente da plateia, e se entregou. Aqui eu percebi que até então, o playback comia solto, mas depois, não houve mais. E se houve, foi gravado antes, pois eu conheço as canções muito bem, e a forma como Madonna cantava correspondia com o que era apresentado nos telões, todos os movimentos, fugindo bastante das versões originais. Pode ter rolado playback depois de “Express Yourself” (antes com certeza era), mas depois, se foi, foi muito bem feito. 

Ainda em “Express Yourself”, ela cantou uma parte de “Born this Way”, mostrando a semelhança entre a canção de Lady Gaga e a sua, e depois disse um alto “She’s Not Me!”. “Give All Your Lovin'” acalmou os ânimos, e o palco se iluminou todo para “Turn Up the Radio”, virando uma boate anos 80, com Madonna fazendo as deixas de DJ, e gritando: “You can do it better!”. Uma percussiva “Open Your Heart” em nada lembrou o clássico de True Blue (1986), mas foi bom de ouvir. 

O palco no formato de igreja

Extasiada, Madonna sentou-se no centro do palco. As luzes se apagaram e ela chamou todos os dançarinos para sua volta. Diante dos 30 mil fãs, confessou: “Eu não queria estar fazendo esse show. Eu estou doente, e nada bem. Mas ter vindo aqui discutir se apresentava ou não, e feito a passagem de som diante de vocês (N. R. eram 18:30h quando Madonna subiu ao palco para passar o som, e o estádio já estava praticamente lotado), fez eu ver que ainda vale a pena estar diante de fãs, por que sei que muitos de vocês nunca me viram ao vivo, e por isso, vale a pena eu dar o melhor de mim para vocês!”.

As palavras soaram como um desabafo, e ela seguiu: “Eu sei falar três palavras em português: ‘Caralho’, ‘Gostosa’ e ‘Piriguete’.”. Todos riram muito com o sotaque da americana falando as mesmas, e concluiu: “Esse é o primeiro show que eu faço na América do Sul que não chove, obrigada meu Deus! Porto Alegro (insistiu muito nesse Alegro), Brasil, obrigada por uma noite sem chuva”. A expectativa era de que viesse “Rain”, mas Madonna apresentou o namorado aos fãs e, sentada, cantou “Masterpiece”, praticamente a capella. 

Bailarinos voadores em “Express Yourself”

Foi muito bonito o desabafo de Madonna, mostrando uma sinceridade muito grande, que poucos artistas admitem. O sorriso então invadiu a face da cantora, que apesar do tempo, ainda esbanja sensualidade. Uma versão eletrônica de “Justify My Love” desagradou bastante, fugindo da sensual versão originak, mas “Vogue” levou esse que vos escreve ao delírio, e um desfile de roupas foi improvisado sobre o palco. Vieram “Candy Shop”, “Human Nature” (e um strip-tease sem sal de Madonna), “I’m Addicted” e “I’m Sinner”, nessas com o palco virando de tudo um pouco.

“Like A Prayer” foi o ápice do espetáculo. Fiel à versão original, contou com um imenso coral, uma cantora fazendo os vocais finais sobre os demais dançarinos, e Madonna vestindo a camiseta da seleção brasileira, segurando a bandeira do Brasil e curtindo muito a agitação da plateia.

“Celebration” encerrou a celebração, colocando todos para dançar, e sem nenhum bis, apenas com um boa noite, Madonna despediu-se de todos.

Refrão de um clássico

O show em termos de produção foi espetacular. Musicalmente, é uma pena que Madonna cante com playback, e fique boa parte do tempo fora do palco (talvez trocando de roupa, talvez por causa da gripe). O imenso valor do ingresso não fez jus ao apresentado como música, mas como arte, foi muito bom, principalmente porque os dançarinos de Madonna fizeram um show à parte (teve uma sessão de contorcionismo que até agora não entendi como o cidadão conseguiu fazer o que ele fez).

E a resposta que eu queria é simples: fui ao show para ver um ídolo mundial, que está fazendo shows para ser vista por pessoas como eu, que nunca presenciaram sua divindade no palco. Talvez eu esteja errado, mas acredito que a carreira da americana não vai durar muito mais. Quem viu Madonna no auge, em 1992, viu um símbolo mundial explodindo como um vulcão. Agora, é um foguinho leve, que ainda queima, mas não arde.

Ainda bem que eu consegui ver e ouvir isso ao vivo. Se ela voltar, já tenho a resposta para não ir ao show: “Eu já vi Madonna!”

O palco como uma locomotiva

Set list

1. Girl Gone Wild

2. Revolver
3. Gang Bang
4. Papa Don’t Preach
5.  Hung Up
6. I Don’t Give A
7. Express Yourself
8. Give Me All Your Luvin’
9. Turn Up the Radio
10. Open Your Heart
11. Masterpiece
12. Justify My Love
13. Vogue
14.  Candy Shop
15. Human Nature
16. I’m Addicted
17. I’m a Sinner
18. Like a Prayer
19. Celebration 



1 Comentario

  1. paulo ricardo disse:

    como vc falou 4 hors de atraso q n verdade foram 1h15 pq o dj acabou as 22hs e o show começou as 23h15 n são nada p quem é fã a 20 ans dela … BAITA SHOW mais teatral q musical .. p mim a melhor tour dela ainda é a Confessions de 2005 ! vi cars c a camisa do IRON E QUEEN la … os roqueiros gostam e respeitam ela …. a versão feminina do MJ !

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