Tralhas do Porão: Kahvas Jute – Wide Open

17 de julho, 2015 | por Ronaldo Rodrigues
Resenha de Álbum
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Por Ronaldo Rodrigues

O Kahvas Jute foi formado a partir do grupo Mecca, encabeçado pelo guitarrista Dennis Wilson, que era um músico de estúdio do cenário de Sydney, Austrália, e já tinha rodado o circuito com vários grupos beat. Junto com Dennis, faziam parte do Mecca o baixista Bob Daisley e o baterista Robin Lewis. Em 1970, também contariam com os vocais de Clive Coulson, um cara super descolado que já tinha trabalhado como roadie dos Yardbirds, Pretty Things e Led Zeppelin. O Mecca chegou a lançar um single e excursionou pela Nova Zelândia por um ano, mas logo Coulson pulou fora, voltando a trabalhar com o Led Zeppelin em sua tour européia de 1970. Isso motivou o fim do grupo naquele mesmo ano. Wilson e Daisley começavam a trabalhar em um novo projeto.

Wilson tinha fama razoável como guitarrista e convidou os então membros do Tamam Shud (banda emergente do cenário de Sydney), o baterista Dannie Davidson e o guitarrista Tim Gaze, para a nova banda que formaria junto com Daisley. Tim era um

garoto prodígio de 17 anos que detonava como guitarrista, tendo substituido o primeiro guitarrista do Tamam Shud, Alex Zytnic. Já Dannie era membro desde o início do grupo.

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Com a banda formada, começaram a trabalhar em composições e batalhar a gravação do disco. O entrosamento da banda era impressionante e já no início eram aclamados pelas platéias que os viam. Isso atraiu a atenção do selo Festival, que estava inaugurando uma subsidiária para cuidar de grupos mais ousados, a Infinity.

Selado o contrato, partiram para os estúdios da Festival e gravaram o disco Wide Open em apenas 3 dias, mesmo contando com tempo ilimitado de estúdio. O disco foi um dos primeiros lançamentos da Infinity, que entrou no mercado em janeiro de 1971. O disco foi bem comentado na época, com a banda arrebentando ao vivo e com as boas composições. Como compacto para divulgação, foram lançadas no mesmo ano as canções “Free” e “Ascend”. Mas enquanto o LP estava sendo lançado, o jovem Tim Gaze novamente voltava a trabalhar com o Tamam Shud, para o lançamento do disco Goolutionites and the Real People, o que atrapalhou bastante a divulgação do trabalho.

A banda resolveu seguir em frente como trio. Wilson e Davidson partiram para a Inglaterra, tentando a sorte por lá, já que Wide Open passou a ser comentado entre os mais antenados na terra da Rainha. Bob Daisley inicialmente não foi, sendo substituído temporariamente por Scott Maxey. A banda, infelizmente acabou passando um tanto quanto despercebida por lá e encerrou as atividades. Existem boatos não confirmados de que David O’List, do The Nice, teria tocado guitarra com os caras do Kahvas Jute nessa estada pela Inglaterra.

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Bob Daisley acabou se dando bem na mesma Inglaterra, trabalhando com grupos como Mungo Jerry e Chicken Shack e posteriormente beliscando a fama ao tocar com Rainbow, Uriah Heep, Black Sabbath e Gary Moore. Dennis Wilson chegou a ser convidado para integrar um projeto com ex-membros do Jeff Beck Group em 73, porém o lance não se concretizou. Dennis voltou para a Austrália e reformulou o Kahvas Jute, com Davidson e Maxley, que durou até 1974, tendo como maior feito nessa época ser a banda de abertura de Bo Diddley durante sua tour australiana. Wilson formou o grupo Chariot e Davidson foi para o grupo de blues-rock Band of Light. Tim ficou com o Tamam Shud até o fim da banda, em meados de 72, e depois ficou nos bastidores, sendo um guitarrista muito respeitado em seu país.

Wide Open possui uma beleza rústica e surrada, com canções em que predominam nuances belas e um instrumental eloquente. Há também momentos pesados e lisérgicos convivendo com toques jazzistas, mas todos envoltos em uma abordagem pitoresca de um instrumental hippie-rural. Baixo e guitarra em encontros e embates trêfegos, que com certeza se graduaram na escola de improvisações do Cream.

Fora da Austrália, é bem díficil encontrar o LP. Em CD, o selo italiano Akarma o relançou nos anos 2000, numa edição em formato digipack. Em julho de 2005 o grupo se reuniu para um show em Sydney e lançou o material em vídeo, mostrando bastante vigor e qualidade nas releituras de suas canções. Além do vídeo, batizado de Then Again: Live at The Basement / The Quickening, o único disco do grupo também foi relançado pelo selo Aztec Music com algumas faixas bônus, do atual período.

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Track list

  1. Free
  2. Odyssey
  3. Up There
  4. She’s So Hard to Shake
  5. Vikings
  6. Steps of Time
  7. Twenty Three
  8. Ascend
  9. Parade of Fools

 



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