Halestorm – Into the Wild Life [2015]

4 de agosto, 2015 | por Ulisses Macedo
Resenha de Álbum
5

Into the Wild Life

por Ulisses Macedo

Acompanhar a carreira de uma banda é algo sempre legal, especialmente no caso de um grupo como o Halestorm, que tinha cara de sucesso em seu debut autointitulado. Mas no mainstream eles só acertaram o alvo há três anos, com The Strange Case Of…, que contém o single vencedor do Grammy “Love Bites (So Do I)”, responsável por lançarem-nos ao sucesso definitivo, junto à canções como “Freak Like Me” e “Here’s to Us”. Hard rock de qualidade, com uma vocalista respeitável e instrumental sólido. Não tem como dar errado, mas dá pra ficar melhor, não é?

Into the Wild Life me mostrou que sim, provando o que o quarteto afirmou quando disse que compôr o novo álbum foi libertador. A abertura com “Scream” é, admito, menos empolgante do que as aberturas dos CDs anteriores (a já citada “Love Bites” e, a minha favorita, “It’s Not You”), mas funciona bem, trazendo alguns elementos eletrônicos/industriais discretos – serve muito bem para colocar o ouvinte no clima da banda. “I Am the Fire” é um hino em que Lzzy aproveita para soltar seu vozeirão imponente; o instrumental aprimora o impacto do refrão, que é ótimo para que o público cante a plenos pulmões durante o show. Um solo de bateria inicia “Sick Individual“, típico hard’n’heavy no estilo da banda, com um gingado irreverente. “Amen” vem logo em seguida, com um groovezinho que destaca o baixo de Josh Smith e não deixa pedra sobre pedra!

Os shows são o ponto forte do Halestorm

Os shows são o ponto forte do Halestorm

Só nessa brincadeirinha, a banda nos presenteou com este quarteto inicial de faixas que estão entre as melhores do grupo, mas a parte mais interessante ainda está pra vir. “Dear Daughter” é uma das baladas mais legais já compostas pela banda; acompanhada pelo teclado, Lzzy homenageia a mãe, que sempre ajudou ela e Arejay em sua decisão de mergulhar no mundo da música. O final da faixa dá a deixa para a brisada e cativante “New Modern Love“, uma daquelas canções que ninguém esperava do Halestorm, com uma pitadinha bem colocada de country, que alguns atribuem ao tempo que a banda passou na estrada com o músico country Eric Church. Ah, esta é outra faixa que fala de amor, mas é aquele amor que saiu do armário, sabe? “Bad Girl’s World” é uma agradável surpresa também, trazendo uma vibe mais oitentista que é bem gostosa de ouvir. Josh e Arejay formam uma cozinha hipnótica, e Joe traz linhas delicadas que permeiam muito bem a faixa inteira, como uma névoa; o fim se estende num breve solo de guitarra que desliza para a safada “Gonna Get Mine”. “Mayhem” estava no meio desta muvuca aí, super mal-posicionada, apesar de ser uma das melhores e mais pesadas faixas do play – serviria muito bem para abrir o disco, e não para se intrometer entre as experimentais “New Modern Love” e “Bad Girl’s World”; este equívoco com o tracklist me deixou bem chateado, mas se isso é tudo o que eu tenho pra reclamar, então dá pra ver que a coisa tá indo bem pra caramba!

Super Hale Bros.

Super Hale Bros.

“The Reckoning” e “What Sober Couldn’t Say” são outras boas composições do lado mais lento do grupo, enquanto que “Apocalyptic“, o primeiro single do disco, remete à sonoridade icônica do Halestorm, sendo o tipo de faixa que funcionaria nos discos anteriores, mas que parece ganhar um peso a mais com a produção de Into the Wild Life. Por fim, “I Like It Heavy” é um arena rock dos bons, no melhor estilo AC/DC, e o momento final, a capella, serve bem para fechar a bolacha. Quem pegou a edição de luxo ganhou mais duas faixas: o swing rock “Jump the Gun”, que conta com a presença de teclados animados, e a radiofônica “Unapologetic“, que eu admito ter gostado, apesar de ser pop até demais.

Into the Wild Life polarizou a fanbase do Halestorm. Alguns (como eu) gostaram da coragem que o grupo teve de trazer vários elementos diferentes ao seu som, mas sem se descaracterizar. Outros, entretanto, achando que o disco é uma decepção e que a banda está comercial demais, clamam pelo retorno ao hard rock mais direto dos dois discos anteriores. Não se enganem, leitores: o disco traz uma diversificação muito bem vinda e flui muito bem. ‘Can I get an Amen?’ 😀

“If there is a church, it’s rock ‘n roll / If there’s a devil, I sold my soul”

 

Tracklist:

1. Scream

2. I Am the Fire

3. Sick Individual

4. Amen

5. Dear Daughter

6. New Modern Love

7. Mayhem

8. Bad Girl’s World

9. Gonna Get Mine

10. The Reckoning

11. Apocalyptic

12. What Sober Couldn’t Say

13. I Like It Heavy

Deluxe Edition:

14. Jump the Gun

15. Unapologetic



5 Comentarios

  1. André Kaminski disse:

    O bacana deles é que atingiram até relativamente bem um pedaço do mainstream tocando o bom e velhíssimo hard rock.

  2. Lucas Maciel disse:

    Halestorm é uma baita banda!Mas esse álbum não chega nem perto da qualidade que foi o The Strange Case of….”!Esse é o disco mais fraco deles até agora!

  3. Débora disse:

    Sou fã de Halestorm desde 2014. Por acaso o YouTube me recomendou “I Miss The Misery’ e achei o visual da Lzzy no clipe meio Hale Willians em Misery Business e decidi dar uma chance.
    Foi amor a primeira audição, sai baixando todas as musicas e passei a amar a banda. Sou uma pessoa muito crítica, é extremamente difícil eu gostar de um album completo, mas o Into The Wild Life mudou isso.
    Concordo com todas as suas palavras, parabéns pelo post (e pelo bom gosto)!

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