Metal Church – XI [2016]

20 de junho, 2016 | por Alisson Caetano
Resenha de Álbum
4

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Por Christiano Almeida

Se considerarmos os últimos lançamentos de bandas consagradas como Megadeth, Anthrax e Armored Saint, não é absurdo visualizarmos alguma coisa próxima de um revigoramento criativo dos representantes dessa geração. Se incluirmos o novo disco do Metal Church em nossa lista, teremos mais um bom motivo para acreditar nisso.

XI marca tanto a volta do Metal Church, quanto o retorno do antigo vocalista Mike Howe, que substituiu o lendário David Wayne após o lançamento do clássico The Dark. Howe gravou três álbuns com o Metal Church – Blessing in Disguise, The Human Factor e Hanging in the Balance – e, depois de uma breve e atribulada volta de David Wayne, foi substituído por Ronny Munroe.

Entre idas e vindas, os anos com Munroe foram marcados por discos medianos, o que, de certa forma, contribuiu para uma baixa expectativa quanto aos lançamentos do grupo. Paralelamente a tudo isso, o guitarrista e líder da banda, Kurdt Vanderhoof, criou um ótimo projeto, batizado de Presto Ballet, influenciado por bandas progressivas como Kansas, Styx e Rush, gravando grandes discos.

Eis que, em pleno 2015, após a saída de Munroe e mais um encerramento de atividades, o Metal Church anunciou que o antigo vocalista, Mike Howe, estava de volta, e que gravariam um novo disco. O resultado foi XI, que acabou de sair do forno, e vem sendo muito bem recebido.

De fato, XI tem muitos méritos. Dentre eles, o fato de os vocais de Howe se encaixarem muito bem na sonoridade do Metal Church, o que não era o caso de Ronny Munroe. Muitos fãs que torceram o nariz para os discos pós-The Dark tiveram tempo para reconsiderar suas opiniões, e reconhecer que Howe gravou grandes álbuns, como Blessing in Desguise e The Human Factor.

Nesse novo disco, não existe uma tentativa de soar como os clássicos de outros tempos, mas também não temos aquela necessidade de parecer moderno a qualquer custo. Os caras simplesmente quiseram registrar um grande álbum, com a cara do Metal Church, e conseguiram. Entre ótimos riffs de guitarra, bateria firme e pesada e louváveis linhas de baixo (coisa pouco comum em discos do estilo), Mike Howe simplesmente brilha. O cara parece ter vinte e poucos anos, tamanha a qualidade e energia de suas performances nas músicas. Depois de mais de duas décadas, a voz do sujeito permaneceu a mesma.

Sem título

Após lançamentos medianos, o Metal Church conseguiu gravar um disco que não possui nenhuma faixa mais ou menos, registrando 11 músicas que trazem uma banda afiada e criativa, com uma pegada revigorada. Desde a abertura com “Reset” e seu riff oitentista acompanhado de uma pancadaria promovida pelo baterista Jeff Plate (Savatage), passando por “Shadow”, que lembra algumas coisas gravadas pelo Presto Ballet, até os climas viajantes de “It Waits”, temos um dos melhores discos do ano até agora.

Para aqueles que, como eu, tinham perdido o interesse na carreira do Metal Church, esse novo disco veio para mostrar que os senhores ainda têm muita lenha pra queimar.

Tracklist:

  1. Reset
  2. Killing Your Time
  3. No Tomorrow
  4. Signal Path
  5. Sky Falls In
  6. Needle & Suture
  7. Shadow
  8. Blow Your Mind
  9. Soul Eating Machine
  10.  It Waits
  11. Suffer Fools

Lineup:

Mike Howe – vocais

Kurdt Vanderhoof – guitarra

Rick Van Zandt – guitarra

Steve Unger – baixo

Jeff Plate – bateria



4 Comentarios

  1. André Kaminski disse:

    Gosto da banda. Principalmente de Hanging in the Balance e Masterpeace, os que eu mais ouvi. Eles sempre tiveram aquela linha que varia do Tradicional ao Thrash que gosto bastante.

  2. Fernando Bueno disse:

    Eu deixei a banda de lado por muito tempo. Ouvi aqueles primeiros discos e só. Porém não é a primeira resenhapositiva que leio sobre esse disco mais recente. Vou ter que ouví-lo. Porém o mais interessante foi saber dessa banda que Kurdt montou, o Presto Ballet. Pelas referências citadas acho que vou gostar.

    • Christiano disse:

      Fernando, o Presto Ballet é muito bom. É tipo um Styx dos anos 2000, com algumas guitarras distorcidas e ótimos vocais. Recomendo o “Peace Among the Ruins”.

  3. Marco Gaspari disse:

    Ia escrever Metal Chocho, mas resolvi conferir antes. Ainda bem, porque o som não é ruim, apesar do cantor ser daquela geração que usa o cinto umas 3 casas apertado.

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