Rock Around The Clock 2 – Parte 1

3 de agosto, 2016 | por Fernando Bueno
Artigos Especiais
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Foto 1

Por Luiz Duboc

(As memórias londrinas de quem estava por lá no comecinho dos anos 70)

Across the universe, nothing is gonna change my world

And suddenly we had Yoko in bed in the studio.
(Richard Starkey)

                               That was what made us what we were. But, I’m no longer searching for anything, there is no search. There’s no way to go. There’s nothing. This it what we’ll probably carry on.
(John Lennon)

All things must pass, the image of my choice is not Beatle George. Why live in the past? Be here now, whether you like me or not, is where I am.
(George Harrison)

Rock’n’roll is all about feel, really, and sound.
(Paul McCartney)

Um quarteirão buscando o tube. Olhei pra trás. A vistavision que segue, fim de tarde plúmbea com garoa, som ambiente, um provinciano do mundo não esquece mais: aquela fine drizzle que não sabia que era aquela garoa, saindo fumaça suave do asfalto úmido até a fachadona da Dame Victoria Station, ao fundo, portões abertos só molhada a entrada. A pequena paisagem urbana três cores, preto, branco e cinza do claro ao escuro. Borrões vermelhos em movimento dos ônibus. Só a fachadona se molhando na vista, atrás da tal drizzle que deixava tudo fora de foco. Alí fiquei, aparvalhado, entorpecido, bichos. Tal qual u P’ssoa, nunca um gajo du róque, pois reacionário com’uma porta. Outrossim, o cutruca tambéim já tinha ficado a par com garoa lisboense se deixando nele a chuviscar feito peregrino a mirar pras portas da’stação das Linhas Lusitanas, lá dele, estupefacto, olhando como abeistalhado. A si perguntaire, se da vida partimos ou dela chegamos. Nunca soube, acabava de chegar ou partir, dava no mesmo. Oh, Lord! That’s London, oh yeah!

Sorte com coincidência, as bruxas do Macbeth viraram um futuro pro bem eu lá naquele momento. Ia cruzar, sem idealizá-la, com mais gente honesta vestida diferente igual a mim, despida sem grilo, e vestida tradicional moderno, despida tradicionalmente. Em casa, uma ditadura aclimatada há seis verões, vendida e consumida como revolução salva-pátria, torturava e matava, mas era a Redentora do meu Braçil.

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One for the money, two for the show, three get ready, go, men, go. Se comuna gostasse de música todos os operários tinham se unido. Música é ideologia do inconsciente. Fortalece, consola no horror da frieza do mundo mesmo perdidos nesta irracionalidade global miserável sem saída. O rock que trago comigo não me alienou, o oposto, teimou até fundir-se com livros e meu cinema os embalando legal numa trindade nada santa. Vezes sem conta hereticamente divina na canseira de quando, e se, bate a consciência de que o trabalho sacana que a vida nos impõe é de arrumar um sentido, algum, mesmo momentâneo, para ela. Bate sempre. Hoje, tenho nem a mínima ideia, não sei que o rock é. Sobra que a tal unidade da cultura musical contemporânea, membro militante da indústria cultural, é a auto-alienação completa. Coisa de velho? Ótimo. Bota pra tocar, “Carry That Weigh”, depois, “Here Comes The Sun”, depois, a utopia irresistível de “Imagine”. Aproveita, e manda ver “Hey Jude”.

Rock’n’Roll nasce feito, como vale na vida: quem ouve se gosta se incorpora feito um ser de sentimento, associa livremente, pensa e sente o que der na veneta. A música beatle e mr Dylan naquela voz de taquara rachada abriram a pop, logo, tomou o inconsciente, colonizou o consciente, não esperou o oitavo dia, já no primeiro nos virou gente, tribo, nação, deus a três por dois e o diabo a quatro improvisando com os Stones.

Em nome do amor desaparecido no palco do dia a dia em tempos sem paz, rolando aqui meu pedregulho numa razão sem adjetivo feito todo rock que se preza: se o que se viu, ficou, não se pode mentir o pensamento e o sentimento quando se escreve (voy bien, Milady Clarice?). Sacanagem conosco, ainda que a visão resto de memória venha nublada de romantismo infalível. Ainda que seja idealismo sem programa, porém, idealismo bom de atmosfera, haxixe puro com aroma do bem; e o primeiro idealismo colorido, nunca houve antes, via oral do d-lysergic acid diethylamide, depois de ver a morte na bad trip, o tal céu de diamantes pra dar vida, mas só depois. A percepção das coisas vistas, sentidas e pensadas abrem algumas portas, outras vezes fecham, outras vezes escancaram.

Ainda que venha muita baba romântica por aí, em nome de não sei que. Mesmo ali na hora não se tinha certeza mas era em nome de. Muito do sonho começava terminando, ninguém ia pensar nisto por mais 10, 15 anos. Acabávamos de nascer, todo mundo menor 10 anos de idade de rock. 46 anos depois, se sobrou é o sentido desta realidade, ou invenção? na memória. Desnecessária baba romântica? verdadeira várias vezes.

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Válida e inserida paca no contexto (dito que pegou via Pasquim pra sacanear intelectual) impossível deixar estar a realidade da caretice financeira incalculável. No banco £6,549,668, quando o processo do projeto Get Back já soava que não ia ter nenhuma volta. John grita na Disc & Music caso a Apple continuasse a jogar dinheiro fora eles faliriam em seis meses. Lennon–Ono almoçam com Allen Klein, digestão perfeita. Convence Harrison e Starkey a aceitar o rotweiller-manager (apelido carinhoso de mr Klein no mercado). Sozinho, McCartney refugia-se na família de Linda e nos escritórios de advocacia Eastman & Eastman para topar a parada legal. Escreve e compôe “You Never Give Me Your Money” não à toa, ilustrava que in the middle of negotiations you break down. Descompasso quebrando pau sem música pela frente até depois ao voltarem com música nas suas carreiras solo, encheção tecnicista-legal: sem interesse no compasso aqui.

Vale a elefantíase pop, tentaram crescer uma macieira baobá em volta da maçã de ouro. As tentativas de integrar egos, vontades, frescuras, aspirações pessoais do Fab 4 com a mecânica dos negócios comércio indústria afins fracassaram todos os arranjos. Malbarataram, dilapidaram centenas de mihares de notas antes de começar algum acorde, ainda tiveram que pagar direitos para ver como desperdiçaram quase todo ferro e fósforo da maçã, ótimo para a garganta e cordas vocais, e perdiam bastante o tom em bastantes libras.

Apple Corps Ltd. — Chegaram no blues fiscal (mais tango ou bolero) do imediatamente: todos os direitos que ganhassem poderiam imediatamente perder para sua majestade. Ou imediatamente investiam £2 milhões que já estavam na pauta, “Should five per cent appear to small / Be thankful I don’t take it all / ‘Cos I’m the Taxman”, sir Harrison. Vem a ansiedade eufórica da bela utopia. O Conceito–Apple era oferecer, repartir, e comunicar, oportunidades para o talento de quaisquer pessoas. “ … sem os caras de gravata inibirem ou cortarem o som da ideia. Queremos ajudar outras pessoas sem fazer caridade, ou parecer que somos ‘patronos da arte’. Temos sempre que chegar rastejando aos pés dos big-shots, e de joelhos, cabelo cortado, falando baixo, por favor, podemos fazer isso ou aquilo?” McCartney. “ … pessoas como a gente só querem compor, cantar ou fazer cinema.” Starkey. “O objetivo não é empilhar dentes de ouro no banco. Mais um jeito de se podemos obter liberdade artística dentro de uma estrutura de negócios. Ver se podemos criar coisas e vendê-las sem cobrar o triplo do custo.” Lennon. “Não queremos são pessoas dizendo yessir, nossir.” Harrison. Imagine sem proúncia, Imagine com pronúncia: no país que colonizou a Índia brincando de matar até que o Mahatma, óculos menores que seus olhos, barba rala sem fazer, em puro linho branco indú jogado no ombro, ponta dobrada no antebraço à la romana, e de sandálias, mostrou seus dentes quebrados e despejou seu mau hálito em sir Winston, quem mandava no mundo ao lado de um litro diário de J&B 50 anos.

Apple Electronics — Desenvolver e botar no mercado engenhocas eletrônicas. Inventou-se a graça, tal milagre de uma técnica de gravação para controlar o contrabando e defletor de radiodifusão de material ilícito dos Beatles, decaiu antes do dar-se o milagre, virou um treco sem utilidade numa ordinária maçã pequena com um rádio transistor dentro, ambos plástico ordinário, nem dentro a caixinha defletia nem fora deflacionou o caixa. Mais de outras cento e tantas patentes só requeridas, jamais registradas. Investimento constante para baixar as concepções, desenhos, plantas, muita papelada tomando banho de poeira nos arquivos e respectivas maquetes servindo de adornos nos móveis. Tudo rejeitado. Nem uma única engenhoca tentada, finalizada, posta à venda.

Apple Films Division  Limited — Limitou-se mesmo. Produziu, lançou só um filme, Magical Mistery Tour, encampado pela BBC, que salvou a distribuição. Os outros quatro únicos projetos — Walkabout, Gorgeous Accident, The Jam, Little Malcolm & his Struggle Against the Eunuchs — arrastaram-se anos, não conseguiram distribuidor.  No paralelo, mais papelada de quantos argumentos, pré-roteiros e roteiros finalizados nem discutidos, lembrados? Lidos? A matilha do rotweiller contou mais de 600 em dois anos, 1 por dia. “Yellow Submarine” e “Let It Be”, nos créditos, ‘Apple presents’, foram produzidos e comercializados pela United Artists, para cumprir contrato de três Beatles-filmes com A Hard Day’s Night.

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Apple Fashions / Apple Boutique: a beautiful place where you can get beautiful things. — Empresa ponta de lança de um império de aluguéis em direitos, franquias das confecções e de designs de objetos. eElançamento e manutenção do Apple Style nas coleções para cada estação. Uma reportagem puxasacou feio na manchete arrogante, “La Maison Dior cannot get sleep”, Mary Quant nem comentou, os franceses devem ter tido mais do que com Fernandel. £100,000 apenas para começar. Nem lançado um lápis, uma t-shirt. Estoque das roupas encalhado, tímidos pedidos de roupas e roupas sem pedido, encalhados. Todo o estoque de £30,000 dado de presente. No boca a boca e telefonemas, mais o staf indo para a rua e trazendo quem passasse para escolher e apanhar belas roupas, de graça. O slogan adivinhou. O estoque logo começou a diminuir, a multidão a aumentar e a polícia chamada para segurar a fila e a freguesia. Contudo, mão de obra e fornecedores contratados todos pagos em dia. O staf indenizado três semanas de salário.

Tudo que aconteceu é que fechamos nossas “lojas”, as quais não devíamos nem ter nos envolvido nisso. A melhor coisa foi dar de presente tudo o que se pôde dar. Coisa surpreendente é doar. Bom, a resposta é que doar as coisas é muito mais divertido” McCartney, na entrevista coletiva. Calou o gerente comercial à la tycoon da Apple de proclamar, “Na Apple só nos interessa ideias que assegurem 1 milhão de dólares por dia”. E o estratego McCartney parou de referir-se à Apple feito “Uma forma ocidental do comunismo”, e o financista McCartney de comentar na mídia que ‘trata-se de enorme complexo feitio da British Petroleum mas criativo-comercial”. Pra quê, três senhoras guitarras cansadas e uma matrona bateria sentindo-se abandonada queriam ser donas de um armarinho grandinho?

O capitão do Louis Pasteur livrou-se da Cow Girl irlandesa Mindy na 1a classe e do carioca charo de proa na 3a, em Southampton

Mindy, a gente volta a se encontrar com ela com mais tempo em Bath, passou seu endereço em Stockwell (subúrbio londrino meio jamaicano, ao menos, era) pra ficar lá. Se mandou de trem não podia perder matrícula de tal curso de História das Civilizações Ocidentais, na London University. Sei lá como é agora, mas na idade da erva curtida, bem mais haxixe, não conheci uma espécime feminina inglesa — fatiotas, cabelos e alturas de várias cores, tamanhos e feitios — da rulling à low classes que não estivesse fazendo um curso ou quase terminando algum. Pura metáfora da boa, ou como diziam as teen-ladies groupies, rivais mortíferas já no embalo ‘Never closed, secretly are always open night and day, same their legs’. Juventude fina.

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On the road polegar hitch-hiker, curriculum à mostra, cabelo no ombro, mochila amarelo kodak (ajuda a postura, se dorme andando, claro, na corcunda do travesseiro na nuca, claro); sleep-bag vermelho sangue, dentro, dois meio-edredons quentinhos, gordinhos, fofinhos, e rosinhas, uma gracinha, se soubesse que ia me dar passe inesquecível em Wight, a mochila também seria vermelha e rosinha, os dois marcas canadenses; suéter lã tecida reforço cotovelo e ombros english dark blue navy como a camisa de tela grossa azul sujo, fornecedor roupa: contrabando carioca; colete e seis botões couro de boi velho; incorrigível levis boca-de-sino; jaqueta usada USA Viet Army forrada de lã, abotoada na cintura; meias de lã verdona (o começo do passe inesquecível); botas cromo alemão marrom escuro ao calcanhar e nele pequena fivela prateada prendendo a tira em volta do tornozelo; e dois colares, um lilás, de Ogum, outro amarelão, Oxossi, presentes da crioulona mãe-de-santo pra fechar o corpo. Yo no creo en las brujas, pero que las hay, las hay. Duraram quase dois anos de roupas contra viento y marea, gente boa. Ambas, elas e as bruxas. Na sacola-bolsa, passador largo, lona impermeável grossa bege (tá viva), dois cadernos pequenos, duas lapiseiras, e, ladies first, Perto do Coração Selvagem, Dama Clarice; Ariel, Sylvia Plath; Collected Poems – Pocket, W H Auden; Borges – Antologia Pessoal; La Vuelta Al Día En Ochenta Mundos, Julio Cortázar; O Exitencialismo é um humanismo, J P Sartre; I Ching/ Richard Wilhelm; e uma pequena Bíblia corpo 9, presente da madinha; os olhos esbugalhados azuis meu polegar e quatro dedos de corpo obeso cor de cenoura, coruja presente da Velha; lanterna prateada média 2 pilhas grandes, e o segundo canivete suíço com maiores funções. Fake autêntico Dennis Hooper Easy Rider, sem moto sem chapéu sem bigode sem livros, com óculos ray-ban aviador, e não morreu no final.

Profissa, consegui papo no Pasquim, bela zona geral organizadíssima e profissionalíssima. Uma repórter gata estagiária me disse que também era de Ogum, mas sem sutiã, me mostrou seu colar roxo nas imediações. Jaguar me desencaminhou para os outros. Falei lá com quem mandava mas não pagava, com quem pagava mas não mandava. Toparam na hora: 250 pratas por festival, concerto, evento; assinamos termo trocando infos burocráticas e bancárias. Final da reunião fumei uma metade de manga-rosa com o editor de sex, rock etc. na varandinha do barato. Viajei. (E viajei). Mandei a única, puta dificuldade, olivetti sequestrada da embaixada, fita e carbono gastos, no copies, errava começava de novo, uma árvore de folhas até a coisa limpa, 2 dias 1 noite, mais outra grana envio longe e registrada. Recebi o recebido dos Correios, nem sei se publicaram, ou se estava à altura tal texto, só recebi a confirmação de que receberam, fiquei com o hábito de anotações se acumulando e a sobrevivência de qualquer tempo para arrumar qualquer sobrevivência.

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Voltando à carona pra Londres. Hippie e estrada sempre famintos, alguns, em busca de um banho ou chuva perdidos, pode assustar, mas nunca fez mal a ninguém nem pede grana, mas aceita. Três caronas depois, silêncio completo, inglês só troca figurinha, small talkie, com quem lhe é apresentado, eu quem me apresentava não vale. Então, roncava, até escutar aquela voz educada cutucando, “Sorry, that’s, my place. Good luck”. Um casal-avô a última, me espreguicei atrás com morfeu, me acordaram na Victoria Station chuviscando, granny um sorriso sincero naquele have a nice time, young gentleman. Ombro armas até um tube, (é tube, ou underground exagerando a pronúncia, para quem finge que não te entende).

Livrado o peso, em Stockwell, Cow Girl, pubinho esquina de casa, fish’n chips gordurosa na sua quente perfeição, plus black lager gordas com bigodes brancos. Me passando o primeiro londoner hash na calçada, decidiu na hora: fucking história, fucking civilizações, fucking curso, comprei pra estréia de Let It Be amanhã, acabou os Beatles, última vez que tocaram juntos, não vou, você vai, oito da noite tem que ir pra lá agora, leva teu sleep, acha que não vai ninguém? vai pra lá, agora, te invejo, indeed enjoy it, man. (A dos vips no London Pavilion, foi nas vésperas. Sem eles.)

Rápido informe comportamental Rock Around — Estamos num tempo que se fuma no cinema, restaura, bar, loja, ônibus, táxi, coisa natural, (menos no elevador, em Madrid e Barcelona, tranquilo) como nos filmes dorys day o novo pai dar charutos aos amigos no hospital e todos acenderem comemorando. So, havia tabaco e hash. Não havia polícia dentro, apenas fora na fila. Fora e dentro ainda pequena maioria careta se entendia bem com a quase maioria pop, risos antes ou depois do sinal dedo indicador e o médio no V de vitória. Se entrava, ia se acomodando, sem ser pophooligans. A vida é justa algumas vezes, não havia i.que seja para as maditas fotos, selfies o escambáu.

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Mais ou menos 19 horas depois, dos cento e poucos primeiros da fila,  sento ali pelo meio. Os casais, young ladies nos colos deles, de vários delas, pra dar espaço a outro casal, corredor completo meio sentados, ajoelhados, em pé; igual em cima mas ninguém sentado na beirada do balcão. Em menos de 10 minutos, e a fila fora não tinha cara de diminuir, os últimos diziam se acomodando em troca do informe. Bebia-se bastante água. Sem papo pipoca, mais chocolate, claro, larica a mil, (miss lioness lá, la leona costa Pacífico sul). Se prendia um cigarro, como se acendia um charo (baseado depois, back hoje em dia), se iluminava o joint hash fresco. Se passava aquele pequeno charuto alongado. O que vai por aí acendido ou outro que vinha, normal, nem vinha um atrás do outro, davam seu tempo, sem sofreguidão, espectadores rockeiros curtidores ingleses. Os charos rolavam tranquilamente. Sem fissura. Não existia aquela fissura. Quem levou acendia, quem não levou era oferecido ou solicitava com riso ou gesto de aprovacão. Pó é questão de ser ou não ser mais de gosto, metabolismo, cuca, organismo que controla pior ou melhor a ansiedade. Dr Freud tomou 9 anos, como ele dizia científicamente, sure, doc, mr Hendrix usou, como ele dizia popularmente, menos de 5 anos e. Nas sessões ninguém usou linhas ou carreiras de pó, coke, snow, white lady, dust, the white queen, não era a querida. Nem nos festivais, nunca. Ninguém cheirava, não era a nossa, só isso. Na curiosidade ativa, a de saber como é, e de procura para a cannabis, bem pouco cannabis, a erva, fumo, gererê, gerê, a contemporânea Cinderella, o som do preconceito do nome sonoro maconha que assusta, se pintava era grass, sempre grass, poucas vezes marijuana. Ácido, LSD (quem dizia as letras nunca havia tomado, para os íntimos era ácido,): sim, ocupava mais prateleiras da drogaria frequentada pela geração, o Blue-Velvet, Raibow Fly, Yellow Sunshine, Nightday Tripper (preferido das young ladies rullin’class),  Purple Rain (Cream tem música com esse título). Menores que a cafiaspirina todos comprimidos várias cores sustentáveis, as viagens insustentáveis eram rsponsabilidades dos viajantes. Alguma mescalina. Barbitúricos os de 27, 28 anos em diante. Junto com hash, mais usado mais querido. 10 vezes em 1 era hash. Fresco, puro, a procura ainda começando a ser maior do que a oferta, ainda conservando a pureza pelas facilidades de entrada na Ilha, herança colonialista da mãe pátria e geografia Paquistão etc. mais fácil que a marijuana tropical. Cerveja era água, mas só nos lugares fechados e nos festivais. E a bebida nacional, coisa apenas de músicos, dos jovens lords, e dos amigos deles que não eram  lords mas bebiam mais que lords, e dos da geração dos pais etc. Ao todo fora da tela: Nas decisões, trocas, conversas, gostos, comportamentos, girls and babys muito mais experientes do que boys and lads, respondiam usando o americano dude. Todos os sexos ninguém inocente, cabelo na história tamanho que for. Uma ou outra exceção de 14, 15 na turba, vão dos 17–20 anos em diante, as e os que assumiram a inana. Classe alta até classe média tem casa, comida e roupa lavada; de classe média para baixo sobrevivem numa estadia mais prolongada, uma dormida, comida, alguma higiene, em casas mais abastecidas socialmente (Dylan foi um agregado profissional, ainda ouvia e roubava os discos, foi ter casa, comida e roupa lavada, e banho, quando Joan Baez edipianamente o perfilhou). Um ou outro soft-dealers, só hash e ácido. Fatiotas feitio, estilo e cores da rockument Haigth Asbury, San Francisco, em coloridas versões européias com casacos mais compridos, vários até o calcanhar, os sóbrios, curtas japonas, pequenas mantas, casaquinhos de malha compridinhos até as coxas, cachecóis inúmeras voltas coloridas, botas, pouco tênis:  the girls, chicks, babys minha turma. Os brotos, as girls, em meses colarão grau para baby e phd para tornar-se rival da imagem que usava, a ainda quase maioria: mini-saia, blusa, colarzinho de pérolas, lenço infalível, cachecol leve, cardigan, malha, sapato mais de amarrar, ou de duas cores, mocassins-sapatilhas saltinho. Blazer lenço no bolsinho, suéter xadrez escocês, camisa cores suaves e calça sociais tecidos mais pesados, capas de tecidos fantasia-sóbrio até os joelhos, ‘impermeáveis’ mais compridos, poucas capas à la bogart: os caretas, the young gentleman já  deixando crescer o cabelo mais ainda não está.

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Paletós e casacos de todos os jeitos, levis, lees e wranglers, calças sociais estilizadas e jaquetas militares, camisa e sapatos esportes e mocassins, mais botas pouco tênis (Fab 4 no telhado John, George, tênis, McCartney, Starkey botas). Gozado: fossem tradicionais, pop, pop-tradicionais, sempre alguns quase cavalheiros, um pé luxado e a pata do amigo que montava também na queda dos dois, então, vinham todos os detalhes técnicos, haja saco, no bother, man, not a big deal, man (herança da paterna folha corrida de guerra aguentando a frustração de Hitler porque Inglaterra não era França). O panorama visto nas ruas. Nos festivais, concertos, o estilo em todas suas variações que consagrou a moda hippie colorida e solar. Vamos ao cinema.

(continua amanhã)



4 Comentarios

  1. Francisco disse:

    Texto frenético, mas melancólico. O sonho acabou. A frase-clichê esconde a trama: como acabou? Por que acabou? Quando acabou? Eis a força da grana que ergue e destrói coisas belas, citada por Caetano. Eis a sina dos heróis que morreram de overdose. Eis o fim da fábrica de sonhos (milagre rima com vinagre, sim, senhor!). Em cima desses escombros, o rock se refaz constantemente.

  2. Marco Gaspari disse:

    Juro que eu enfrentaria essa fila da Apple Store só com a promessa de ganhar na faixa uma jaquetinha do par de estilistas holandeses que eram na época exclusivos da loja: Simon Posthuma e Marijke Koger, mais conhecidos como o coletivo The Fool, que até discos lançou (na Inglaterra e nos EUA). Muitas capas de discos clássicos da psicodelia inglesa tiveram as roupitchas que vestiam os artistas desenhadas pela dupla (não sei se virou casal). O dia em que eu criar coragem conto a historinha deles.

    Texto para ser digerido após uma boa dose de Biotônico Fontoura, informações mil. Fiquei com duas pontas de inveja: uma foi que eu queria ter conhecido a Mindy e não vejo a hora de me encontrar novamente com ela em Bath. A outra só nos será apresentada amanhã (tenho máquina do tempo): uma lady que dividiu um charo com o Luiz dentro do cinema durante Let It Be. E, a propósito, não sei se entendi bem: você esperou 19 horas para entrar na sessão do Let it Be?

  3. Fernando Bueno disse:

    Eu também tenho máquina do tempo e digo que a segunda parte está demais!!!!

  4. Eudes Baima disse:

    Estão estabelecendo um nível literário aqui que consultores pé-duro feito eu jamais nivelarão. Textaço.

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