Test Drive: Metallica – Hardwired…To Self Destruct

21 de novembro, 2016 | por Fernando Bueno
Test Drive
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Por Fernando Bueno

Lançamentos de uma banda tão importante sempre são aguardados com muita expectativa. Grupos com muita história são sempre pressionados e acabam ficando reféns de seus clássicos. Nem sempre a comparação é justa, já que os discos clássicos foram ouvidos milhares de vezes de vezes pelos fãs e os eventuais novos discos são avaliados depois de poucas audições. Mesmo assim fazemos questão aqui na Consultoria do Rock de tentar dar uma visão geral, com várias opiniões, muitas vezes bem diferentes entres ela. Nosso Test Drive para o novo álbum do Metallica está a seguir. Fica aqui a pergunta para os leitores: qual outra banda, ou qual lançamento merece um novo Test Drive?

Junto das opiniões de nossos consultores acrescentei também a imagem das capas dos lançamentos das diversas versões que estão disponíveis para os fãs.


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Edição normal em CD duplo

Alisson Caetano: Eu não tinha comigo altas expectativas para a chegada de Hardwired… To Self Destruct. Também não vou entrar nesse papo de relevância artística, pois é algo completamente subjetivo. Basta dizer que, para minha pessoa, a banda não produz um álbum consistente desde 1996. Mas, conscientemente, minha empolgação era nula e, no mínimo, eu esperava um trabalho mediano. De fato o trabalho não passou das minhas espectativas e ficou naquele patamar de qualidade que eu imaginava. Eu poderia passar vários parágrafos apontando erros atrás de erros, mas prefiro enunciar apenas alguns, aqueles que realmente atrapalham e muito o conjunto da obra. O primeiro deles: Produção. O problema do loudness war não é exclusividade da banda. Muitos outros artistas aderiram a este “artifício”, mas parece que o Metallica tomou gosto pela coisa. Death Magnetic sofre absurdamente desse problema, e Hardwired… segue basicamente os mesmos problemas do anterior. Tudo está abusivamente alto na mixagem. As guitarras não possuem uma mixagem harmônica, é só agudos extremos martelando no seu tímpano a todo momento. A coisa é tão horrendamente mal feita que torna o som de bateria um martírio de apreciação. Algo que fica difícil de entender é a opção da banda por esse tipo de sonoridade, já que o produtor desse disco (Greg Fidelman) foi o engenheiro de som do DM, então a opção por essa produção foi consciente. O segundo problema evidente é a técnica. É normal adaptar-se ao tempo por conta da perda de habilidades, mas o que aconteceu com o Metallica só tem uma explicação: desleixo e má vontade. O que está registrado em termos de bateria beira algo colegial. Todo andamento possui alguma virada má encaixada — e extremamente previsível e porcamente executada — e batidas atrás de batidas na caixa. Os riffs são padrões, mas nenhum é exatamente empolgante, enquanto os solos de guitarra mesclam influências de hard rock com as brigas de gato e estupro do wah-wah. Por fim, e este é apenas um caso isolado, é o tempo esticado das faixas. O primeiro disco, de onde foram retirados todos os singles de divulgação, têm pelo menos 15 minutos além do que deveria realmente ter. Os 77 minutos de composição poderiam facilmente ter sido enxugados para 40 minutos sem maiores problemas. É falta de inspiração e de noção do que fazer nas composições, pois grande parte dos andamentos não dizem nada que justificassem músicas de mais de 7, 8 minutos de duração com riffs redundantes e viradas de bateria vergonhosas. O fato de o Metallica ter colocado um disco ruim nas prateleiras, entretanto, não vai acrescentar ou mudar nada no mundo. No final das contas é só apenas mais um disco ruim dentro da enorme pilha de porcarias que eu acabo ouvindo ano após ano. E estou pronto para o próximo.


Bruno Marise: E a espera acabou. Hardwired… To Self-Destruct é o melhor disco do Metallica em 25 anos. O primeiro trabalho inédito desde Death Magnetic (2008) prova definitivamente que James Hetfield é o grande gênio por trás da lendária banda californiana. O que fez o Metallica ser o gigante que é, são a qualidade das composições, e aqui temos uma boa porção delas. Com riffs inspiradíssimos de Hetfield e talvez a melhor performance vocal de sua carreira. Até o contestado e polêmico Lars faz um ótimo trabalho, deixando de lado os vícios que adquiriu e fazendo o feijão com arroz simples e bem feito, até encaixando um pedal duplo aqui e ali. A produção apesar de um pouco estourada, nem de longe lembra o exagero de altura do álbum anterior, e todos os instrumentos ficaram bem ouvíveis. Hardwired… representa um apanhado de tudo que o Metallica fez em seus mais de 30 anos de carreira, mesclando as influências iniciais de NWOBHM – evidente nas guitarras gêmeas – o ataque thrash de Kill’em All (1983), os grooves e riffs cadenciados do Black Album (1991) e os toques de hard rock de Load e Reload. A única ressalva é a duração: um disco duplo é um tanto exagerado, na metade do disco 2, a audição vai se tornando cansativa. Poderiam facilmente ter pego 2 ou 3 canções da segunda parte e juntado com as 6 do disco 1, e aí teríamos um trabalho bem mais consistente. Mas no geral, um belo trabalho dos velhinhos.


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Versão Deluxe em CD triplo

Diogo Bizotto: Comentar um álbum novo do Metallica é algo que precisa ser feito com mais cuidado que o habitual, sem dar muitos ouvidos às opiniões que vêm circulando nos últimos dias. Se por um lado há aqueles que defendem qualquer coisa que a banda venha a fazer (um número que se reduziu muito após o fiasco de St. Anger, de 2003), por outro há aqueles que desdenham quase por esporte. Em um universo muitas vezes tão uncool como o do heavy metal, espinafrar discos de bandas populares pode passar uma imagem cool. Devo admitir, no entanto, que aqueles que optaram pelo lado mais crítico têm uma grande parcela de razão desta vez. Trata-se de um álbum longo em demasia (nenhuma surpresa em se tratando de Metallica), com momentos bastante dispensáveis e pouco inspirados. “Now that We’re Dead” , “Halo on Fire” e “Am I Savage?” poderiam ser limadas em alguns minutos ou mesmo na íntegra. O ideal seria vê-las melhor trabalhadas, mas se a banda não conseguiu fazer isso após oito anos de intervalo (cinco, se contarmos Lulu), não acho que adiantaria tentar. “Murder One” é outra que não funcionou. A produção, por mais que esteja melhor que a de Death Magnetic (um desastre), segue muito abaixo daquilo que o Metallica apresentou no passado. Uma diferença bastante evidente em relação ao disco lançado em 2008 é que, enquanto Death Magnetic emula em grande parte o passado mais evidentemente thrash (com ênfase para …And Justice for All, de 1988), Hardwired mira em diferentes etapas da carreira do grupo. “Hardwired”, que abre o disco em um nível razoavelmente bom, lembra o estilo de algumas canções menos populares de Metallica (1991), como “Holier than Thou” e “Through the Never”. “Dream No More” soa como algo que poderia estar em Reload (1997) ‒ o vocal de James chega a lembrar um pouco o de “Where the Wild Things Are”. “Spit Out the Bone” é a típica faixa thrash de encerramento que o Metallica já fez algumas vezes (vide “Damage, Inc.”, “Dyers Eve” e “My Apocalypse”), e não vou negar que empolga. Inclusive, podem me chamar de saudosista e o escambau, mas o melhor momento é aquele que mais se assemelha ao Metallica de Master of Puppets (1986): falo de “Atlas, Rise!”, que soa como a banda que, inspirada em nomes como Mercyful Fate e Diamond Head, conduzia o ouvinte por canções cheias de mudanças e passagens excitantes. “Moth Into Flame” vem melhorando a cada audição e me agrada especialmente por algumas melodias vocais, assim como “Here Comes Revenge” vem ganhando terreno também. “ManUNkind” talvez seja a mais surpreendente, com seu estilo setentista ‒ faltou um pouco mais de groove pela parte de Lars ‒, mas não me seduziu. Um detalhe importante é a falta de Kirk Hammett, e não me refiro apenas à ausência de seu nome nos créditos: faltam grandes solos, daqueles que tantas vezes saíram de suas mãos e poderiam ajudar a salvar canções pouco inspiradas. Quem está lendo isso aqui e espera uma opinião final, um atestado positivo ou negativo, pode tirar o cavalinho da chuva. Isso aqui chama-se “test drive” e muitas audições serão necessárias para dar um diagnóstico mais terminativo. Por ora, é ler e entender.


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Versão em vinil duplo

Fernando Bueno: Sou um daqueles que gostou de Death Magnetic. Desse modo sou daqueles que não concordam que a banda é irrelevante há muito tempo, até porque, como mostra a Discografia Comentada do grupo que fiz aqui para o site, avalio a guinada que deram na década de 90 sem o fanatismo e preso à sonoridade da década de 80. Porém, mesmo gostando do todo em Death Magnetic não dá para esconder que ele tem passagens um pouco desnecessárias, fazendo com que as músicas ficassem um pouco longas demais. Em Hardwired…to Self Destruct, a banda soube limar essas passagens fazendo com que as músicas sejam mais diretas. E é exatamente aí que eu acredito que agradou todo mundo. Os que só gostam dos anos 80 encontram faixas rápidas que remetem ao Kill´Em All, como a faixa título, e algumas músicas mais melódicas como “Mott Into Flame” e “Halo On Fire” agradam os fãs do álbum preto. Quando vi que o disco seria um CD duplo fiquei com medo de que as músicas fossem longas como Death Magnetic, mas, apesar dos dois CDs, o tempo total daria para colocar em apenas um disco. Mas o que pode parecer apenas uma estratégia para deixar o conjunto mais caro para o ouvinte acabou servindo também para dar uma quebrada no disco fazendo o ouvinte a ter que trocar o CD, mais ou menos o que o LP fazia com a gente quando tínhamos que trocar o lado. Isso me fez prestar mais atenção ao CD2. Não sei se fui claro. A melodia vocal de “Atlas Rise”, outro destaque, lembra uma música de uma banda chamada Damien Thorne. Claro que para alguns essa referência talvez não faça sentido, mas tinha que comentar aqui. “Dream No More” nos remete ao Ride the Lightining, não musicalmente, mas pelo fato de citar Ktulu na letra. Podia citar mais coisas que gostei do disco, mas ainda quero ouvi-lo mais porém pelas impressões que tenho até agora ele já garantiu o selo de aprovação desse consultor.


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Box com vinil e CD

Mairon Machado: Disco interessante, mas muito longo. Achei o CD 1 melhor que o CD 2, mas confesso que esperava mais pelo estardalhaço que estava sendo feito. Me decepcionei bastante com o resultado geral, mas mesmo assim, é um disco digno de aparecer na estante do Metallica, ao lado de obras como Black Album, Load e Death Magnetic, mas anos de distância da era mágica da banda, durante os anos 80.


Ulisses Macedo: Talvez o disco mais aguardado do ano. O Metallica é daquelas bandas que não me diz muita coisa desde a segunda metade dos anos 90, mas confesso que, após ouvir as músicas de trabalho do registro (a saber: “Hardwired”, “Atlas, Rise!” e “Moth Into Flame”), eu não pude deixar de pensar que daria certo dessa vez, pois tratavam-se de composições memoráveis, com ótimos refrãos e uma boa pegada, no geral. Imagine minha decepção ao perceber, entretanto, que o restante do disco é longo pra cacete, arrastado, sem garra nenhuma. Uma verdadeira pegadinha do malandro. Chega a ser verdadeiramente irritante de se ouvir. No primeiro CD, a única faixa boa além das que já conhecíamos é “Now That We’re Dead” (ou seja, depois das quatros primeiras, Hardwired desce ladeira abaixo). Do segundo CD, somente a veloz “Spit Out the Bone” se salva. Por outro lado, adorei a decisão de lançar videoclipes de todas as faixas.



35 Comentarios

  1. Igor Maxwel disse:

    Por favor, façam um Test Drive com “Redeemer of Souls” novo disco do Judas Priest (edição deluxe).

    • Fernando Bueno disse:

      Igor… o Test Drive é para lançamentos bem recentes e serve como uma primeira impressão mesmo. O Redeemer of Souls já foi lançado há um tempo…

      • Igor Maxwel disse:

        Sim eu sei, foi em 2014. Mas quero saber a opinião dos Consultores sobre este disco do JP, por que da primeira vez que eu ouvi não era a edição deluxe (com mais 5 faixas bônus) e não gostei de início. Mas depois reouvi o disco todo na edição deluxe e gostei demais, de verdade. Pena que o Judas Priest (melhor banda do metal tradicional pra mim) vai encerrar a carreira logo, logo… Triste!

        • Alisson Caetano disse:

          Impressão geral: pior disco do Judas Priest. Fim.

          • Igor Maxwel disse:

            Discordo de você, Alisson. Redeemer of Souls é um trabalho 100% coeso e que faz um resumo da carreira do JP em suas 18 faixas, e os piores discos do JP pra mim são “Rocka Rolla”, “Turbo”, “Nostradamus” e os com o Tim “Ripper” Owens. Sem mais o que dizer.

        • maironmachado disse:

          Teve até resenha no site sobre esse disco, mas a UOL Host tirou do ar

        • Diogo Bizotto disse:

          Igor, eu achei “Redeemer of Souls” mediano. Não está entre os piores da banda (exagero total a opinião do Alisson), mas passa bem longe dos melhores. Ao vivo, admito que as canções soaram melhores. Certamente é um álbum mais interessante que “Nostradamus”, “Turbo” e “Ram It Down”.

          • Diogo Bizotto disse:

            E “Demolition” também!

          • Igor Maxwel disse:

            Demolition é da fase com o Ripper, muito diferente da fase clássica com Halford… Mas espere um minuto: este é um post dedicado ao Metallica e nós estamos falando sobre o Judas Priest!

          • Fernando Bueno disse:

            Concordo com o Diogo…as músicas desse disco, o Redeemer, ficaram melhores ao vivo.

  2. maironmachado disse:

    Engraçado é que eu tenho a fama de textos longos, mas fiz o comentário mais curto sobre o disco. The Times They Are A-Changin’

  3. Marco disse:

    No final de setembro saiu o último trabalho do Van der Graaf Generator e não vi conselheiro nenhum se coçando para fazer Test Drive desse ótimo lançamento. Mas só estou iniciando meu comentário com essa frustração porque fico imaginando que quem gosta de metal ia achar o novo Hammill e Cia (Do Not Disturb é o nome) uma bela merda. Então, como fã doente do VDGG vou dar minha opinião sobre esse novo Metallica: BOM PRA CARALHO!!! Se eu tivesse que gastar meu suado dinheirinho em um trabalho novo de banda metal já caduca, ia querer ouvir exatamente isso. Vale cada centavo.

    • Diogo Bizotto disse:

      Você pode comandar uma edição do “Test Drive” para esse álbum do VDGG. Talvez haja mais interessados em manifestar suas opiniões a respeito.

      • maironmachado disse:

        Vc foi convidado para participar do do Metallica. Esse disco do VDGG achei bem mediano, honestamente

  4. Diogo Bizotto disse:

    Pergunta aos participantes desta edição e a todos que já ouviram o disco: quais são, por ora, suas três faixas favoritas no álbum? As minhas são “Atlas, Rise!” (ficou bem evidente que é minha preferida), “Moth Into Flame” e “Spit Out the Bone”.

    • Dimas Marques disse:

      As minhas são:

      Now That We’re Dead
      Dream No More
      Spit Out The Bone

    • Alisson Caetano disse:

      manunkind e Murder One. Aliás, o Dead deve ter ficado muito feliz com a homenagem.

      • Diogo Bizotto disse:

        “Murder One”, sério? Acho que essa foi minha maior decepção no disco. Citei especialmente algumas que se estendem demais e poderiam ser cortadas, mas “Murder One” é mais compacta e mesmo assim não rola.

        • Alisson Caetano disse:

          Não que ela seja um primor, de novo, as linhas de bateria dela são horríveis, mas ela tem uns riffs legais, e o clipe é bem bacana, aumenta a apreciação.

      • maironmachado disse:

        Murder One, com certeza, seguida de Moth in Flame e Hardwired

    • Fernando Bueno disse:

      Atlas Rise, Moth into Flame e Spit Out the Bone…

  5. Dimas Marques disse:

    Quanto mais escuto o Hardwired, mais gosto dele. Pra mim é um disco foda. na primeira impressão, de fato, o disco dois(tirando a última) não me desceu muito. Mas a cada ouvida, pude assimilar e perceber as qualidades delas. Hoje, posso dizer que gosto de todas. Essa é a grande qualidade da banda, eles sabem compor, sabem colocar riffs, refrãos que grudam, passagens melódicas que te arrepiam, bem como agressividades que te fazem bater cabeça.
    E sim, pra mim só foram cinco anos de hiato, pois o Lulu, mesmo sendo algo colaborativo, ainda sim são composições da banda aliadas as letras de Lou Reed. E há muito riff inspirado naquele disco.

    • Diogo Bizotto disse:

      Eu concordo, efetivamente foram cinco anos. Não importa o nome na capa, importa que os caras realmente compuseram para “Lulu” e era isso.

  6. Diogo Bizotto disse:

    Algo que fica difícil de entender é a opção da banda por esse tipo de sonoridade, já que o produtor desse disco (Greg Fidelman) foi o engenheiro de som do DM, então a opção por essa produção foi consciente.

    Esse é um caso em que eu acho que a questão transcende produtores e parte majoritariamente da banda, pois é uma opção consciente desde “St. Anger”, não importando tanto quem está no comando do estúdio (Rick Rubin nem isso fazia). Claro, eles devem achar bom, mas qualquer pessoa com os neurônios no lugar percebe que tem coisa muito errada. Na década de 1990, o Metallica lançou dois álbuns muito bem produzidos (“Load” e “Reload”) e outro que é um caso de excelência sonora (“Metallica”). Todos com Bob Rock, um dos melhores caras a assinar uma produção. O que ele fez com o Metallica, além de álbuns como “Dr. Feelgood”, “Mötley Crüe” (esse é um absurdo), “Keep the Faith” e “Sonic Temple” merece reverência. Mesmo assim, assinou também aquela maçaroca sonora chamada “St. Anger”, e duvido muito que o resultado seja influência direta sua.

    Mas o Metallica não está sozinho nesse caminho. O Bon Jovi, apesar de não passar nem perto do caso extremo que é o Metallica, tem soltado álbuns mais recentes com produção bem inferior ao que eles já fizeram, especialmente nos anos 1990. Além do citado “Keep the Faith”, produzido por Bob Rock, “These Days” soa absurdamente bem. Vocês podem odiar o Bon Jovi de morte, mas o que Jon e Richie fizeram ao lado de Peter Collins (outro BAITA produtor) é espantoso. Fugiram completamente dos vícios de produção oitentistas e cravaram algo orgânico de verdade, não do tipo que a gente chama de orgânico nas entrevistas pra ficar bonito e enganar bobo. Ouçam “Hey God”, melhor ainda se for com um fone decente, e comprovem o que digo. Lars deveria ouvir a caixa do Tico Torres nesse disco e sentir vergonha do que anda aprontando.

    • Alisson Caetano disse:

      Sim, é a própria banda que opta por esse som estouradaço mesmo. Mas o próprio Rick Rubin já deixou claro que curte esse esquemão de produção, pois todos os discos que ele assinou na produção seguem por esse mesmo caminho, dentre eles:

      – Californication
      – Vol. 3(Subliminal Verses)
      – God Hates Us All (que ele assinou a produção executiva, mas ele tá lá)
      – 13

      Basicamente el tem tentado trazer um lance de “visceralidade” para os discos de rock que ele anda produzindo (ouvi isso vindo de uma declaração dele não lembro aonde mais). Mas se pegar os discos fora do rock que ele produz, ele tem acertado muito a mão. Enfim, em resumo, esse conceito de produção tem um pouco da mão do produtor, nesse caso. O Metallica só gostou e levou adiante. E no caso do St. Anger, a produção é horrorosa, mas o som não parece tão estourado como no DM, o problema ali é mesmo a bateria mal timbrada e muito alta.

      • Diogo Bizotto disse:

        God Hates Us All (que ele assinou a produção executiva, mas ele tá lá)

        Se quando ele efetivamente é creditado como produtor, aparece só de vez em quando, imagina como produtor executivo. Mas, falando sério (não que eu tenha inventado algo), será quele ele fez algo mais que indicar o Matt Hyde, que realmente produziu o disco?

        E no caso do St. Anger, a produção é horrorosa, mas o som não parece tão estourado como no DM, o problema ali é mesmo a bateria mal timbrada e muito alta.

        Eu não consigo ouvir o disco direito por causa da caixa estouradíssima, é um suplício. Além disso, toda a timbragem em geral é muito ruim.

    • Diogo Bizotto disse:

      Posso estar ouvindo muita coisa “errada”, mas cada vez mais tenho a impressão de que aquelas produções “quentes” da década de 1970, envolventes, bem equalizadas, dinâmicas, que respeitam nossos ouvidos e oferecem NUANCES (tem gente que esqueceu completamente a importância dessa palavra) estão cada vez mais indo pro saco. O valor de uma palheta raspando a corda, de um instrumento que se mostra pelo que acrescenta à música, não pelo volume em que é inserido… Tenho que me esforçar para pensar em álbuns que soam assim de uns 25 anos pra cá. Que causam ao menos uma sensação parecida com aquela que tenho quando ouço discos como “Hotel California” (Eagles), “Aja” (Steely Dan), “Boston” (Boston), “Rumours” (Fleetwood Mac), além de outros que não me lembro agora.

      Claro, há outros estilos de produção também magníficos, vide o que fizeram artistas como Pink Floyd, Prince, Queensrÿche, Michael Jackson, Beach Boys e tantos outros. Estou falando de uma preferência pessoal e acho que me fiz entender.

      • Ulisses Macedo disse:

        Isso não seria a tal da Loudness Wars? Quanto mais alto os engenheiros querem deixar o som (para fazer com chame mais atenção ao tocar nas rádio, acredito eu), mais ele deve ser ser comprimido, perdendo as nuances (https://en.wikipedia.org/wiki/Dynamic_range). Angry Metal Guy sempre reclama disso (e é por isso que eles sempre colocam o valor de Dynamic Range nas especificações da resenha, ex.: DR4, DR9, etc.):

        http://www.angrymetalguy.com/angry-metal-fi-just-cause/

        http://www.angrymetalguy.com/angry-meta-fi-hearing-is-believing/

        http://www.angrymetalguy.com/angry-metal-fi-truth-vinyl/

        • Alisson Caetano disse:

          É isso aí mesmo. Não é só discos de metal que sofrem disso, até o 21 da Adele e o FutureSex LoveSongs do Justin Timberlake sofrem disso.

        • Diogo Bizotto disse:

          Em grande parte é mesmo a loudness war, mas não é só isso. Não é apenas uma questão de definição, pois em muitos álbuns ouve-se muito bem cada instrumento, cada peça da bateria, mas isso não torna a produção boa. É difícil explicar, pois não sou tão ligado em engenharia sonora, mas parece mesmo que o estilo de produção desses álbuns está se perdendo ou escondido em discos de bem pouco destaque, algo do que duvido muito, pois trata-se de álbuns que, ou soam muito caros e assim realmente são (vide os citados Eagles, Fleetwood Mac e Steely Dan), ou trazem muita engenhosidade para obter esses resultados (vide o Boston).

  7. FábioRT disse:

    Bom…agora que ouvi o disco com caixas de som descentes dá para afirmar que é um disco bem legal…principalmente o primeiro

  8. Diogo Bizotto disse:

    Algo que ninguém (nem eu) comentou: os caras são multimilionários e têm a pachorra de lançar um álbum com uma capa HORRORÍVEL como essa. É mole? Não que o Metallica seja especialista em capas boas (não é), mas já foram bem mais criativos e exigentes nesse quesito.

  9. André Kaminski disse:

    Estou ouvindo o disco agora, e tenho gostado bastante. Deve valer mais uma audição minha para confirmar a entrada nos meus Melhores de 2016. Não sou também exímio conhecedor de produção, mas o que tem chegado aos meus ouvidos pelas minhas caixas de som é um disco pesado e de ótimos riffs de guitarra. Sim, a clareza do Black Album é fantástica. Mas confesso que esse som mais rústico (na medida certa) não chega a me incomodar.

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