Direto do Forno: Anxtron – Jellyfish [2017]

14 de abril, 2017 | por maironmachado
Direto do Forno
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Por Mairon Machado

Formado em 2003, na cidade de Niterói, o grupo Anxtron tem destacado-se no cenário progressivo nacional por conta de seu inusitado repertório, completamente autoral e instrumental. O grupo já conquistou uma ampla base de fãs, principalmente na região central fluminense, através de shows e marcas importantes, como ser vencedor do Festival Niterói Discos (2009), do Duelo no Saloon (2013), festival realizado no Saloon 79 (tradicional pub carioca) com mais de 100 bandas, o segundo lugar no Festival FBI – Festival de Bandas Independentes, realizado no tradicional Imperator, no Rio, entre 147 bandas participantes, e ainda os prêmios individuais de Melhor baixista, baterista e guitarrista, sendo que os dois últimos ganharam o prêmio da final e do festival, enquanto o baixista foi o melhor da final, além de ter aberto o show do Marillion em 2012, entre outros.

Recebendo premiação no Festival de Bandas Independentes de 2016: Gabriel, GG, Rafael e Eduardo

Apesar de estarem há quase quinze anos na estrada, o grupo está lançando apenas seu terceiro álbum, Jellyfish, tendo na formação Eduardo Marcolino (guitarra), Rafael Marcolino (bateria), Gabriel Aquino (teclado) e GG Souza (baixo), que está saindo do forno – chegou no mercado em janeiro desse ano –  de forma totalmente independente, assim como os antecessores, Brainstorm (2013) e Anxtron (2008).

O grupo tocando ao vivo no Rio, com um pano de fundo exuberante

O disco abre com os sintetizadores oitentistas de “The Oasis”, faixa que lembra bastante o Dream Theater, principalmente pelo emprego de peso e boas passagens de guitarra, baixo e bateria. No centro da canção, temos um belo solo de moog (sintetizado, mas tudo bem) que modifica bastante a primeira impressão, tornando-se uma faixa bem agradável a partir daí, mas em seguida voltam o som oitentista dos sintetizadores, que para mim, não foi a melhor das escolhas aqui, e ficamos num 50% / 50% para os ouvidos.

O timbre oitentista também está em “Pororoca”, mas diferente de “The Oasis”, aqui a guitarra assume um espaço maior, deixando os sintetizadores ofuscados perante os solos de guitarra e ainda uma maior participação do baixo de GG, com slaps e dedilhados que estouram forte nas caixas de som. Apenas o primeiro solo de teclado aqui podia ser algo um pouco mais trabalhado, ou no mínimo, demonstrar um virtuosismo além de notas facilmente reproduzidas e sem uma contribuição maior para a canção, o que no caso do solo do moog, na mesma canção, ficou bem melhor e mais atraente.

Eduardo Marcolino em ação

De qualquer forma, Jellyfish começa a tocar a mente na segunda faixa, “Toca do Lagarto”, canção que abre com um riff bluesísticos, e tem uma divisão entre um andamento intrincado entre guitarra e baixo, com boas passagens de teclados e ainda uma participação precisa de Rafael, e um trecho onde a guitarra torna-se soberana, permitindo a Eduardo mostrar suas qualidades que o levaram ao prêmio citado acima. “Igloo” resgata as lembranças de Dream Theater, centrada na repetição de um tema por moog, baixo e bateria, enquanto Eduardo solta os dedos na guitarra, além de um breve trecho onde os teclados parecem ter fugido de Animals (Pink Floyd).

O que mais me agradou em Jellyfish são as inspirações jazzísticas, as quais brotam efusivamente na ótima “Armadillo Inc.”, aqui sim uma bela escolha de Gabriel – pela qual o parabenizo – para os timbres dos teclados, lembrando um pouco o piano elétrico de Jan Hammer, e sendo uma faixa que rapidamente nos lembra os dias jazzy de Jeff Beck, principalmente por mais um magistral solo de Eduardo, a levada de baixo hipnotizante e a surpreendente guinada que o Anxtron faz para ela na sua segunda metade, transformando-a em um sensacional despejo de solos rasgados de guitarra e o “moog” fazendo também uma brilhante participação.

Imagem promocional divulgando a participação de Nili Brosh em Jellyfish

Essas mesmas inspirações em Jeff Beck estão na ótima “Furry Creatures from Alpha Centauri”, que encerra o álbum através de mais uma magistral participação de Eduardo, em pouco mais de 8 minutos de uma ensandecida quebradeira de baixo para os teclados e a guitarra se divertirem, e que ficará algumas horas fazendo sua mente viajar. Ainda temos a guitarrista israelense Nili Brosh participando de “Talking Toy”, a canção mais curta do álbum, com pouco mais de 4 minutos e que é uma faixa na linha do free jazz, com boa participação do moog e do baixo e ótimos duelos de guitarras.

Um álbum de apenas 40 minutos, muito bem trabalhado, e que certamente, trará um sorriso para os admiradores de um som no mínimo difente. Lembrando que você pode conferir toda a discografia da banda no seu site oficial.

Contra-capa de Jellyfish

Track list

  1. The Oasis
  2. Toca do Lagarto
  3. Armadillo Inc.
  4. Pororoca
  5. Igloo
  6. Talking Boy
  7. Furry Creatures from Alpha Centauri



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